O trecho que transcreveremos no próximo parágrafo foi retirado do livro “Jesus: o maior filósofo que já existiu”, de Peter Kreeft. Ele expressa bem o que nós, nesse blog, defendemos. De vez em quando alguém acusa o Reação Adventista de “defender a direita” ou de “atacar só a esquerda”. De fato, o foco do blog é atacar filosofias anticristãs advindas principalmente da esquerda. Por quê? Simplesmente porque (1) faltava uma página adventista nesse sentido e (2) temos visto muitas pessoas se desviarem de Cristo por causa dessas filosofias, que existem em grande número. Mas isso não implica que o objetivo do blog seja defender a direita (e realmente nunca o fizemos), tampouco que apenas atacaremos filosofias oriundas da esquerda. Nosso compromisso é com Cristo e as Escrituras. Assim sentimo-nos livres para criticar QUALQUER filosofia contrária à Palavra de Deus. Apreciem o trecho:

“O perigo especial da direita religiosa é adorar as doutrinas de Cristo em vez de a Cristo, confundindo o sinal com a coisa representada. A direita está absolutamente certa em insistir em ser certa e em insistir nos absolutos. Mas o dedo aponta para a lua; devemos ter compaixão do tolo que confunde o dedo com a lua.

O perigo especial da esquerda religiosa é adorar os valores de Cristo em vez de a Cristo. Isso é tão abstrato quanto a substituição de Cristo pelas doutrinas dEle feita pela direita. Os valores de Cristo também são apenas o dedo que apontam para ele.

A direita argumenta que a esquerda é vaga, mas até mesmo as doutrinas reais e precisas da direita são vagas quando comparadas com Cristo. Tudo é. A esquerda argumenta que a direita é inflexível, mas até mesmo o coração terno e compassivo de um esquerdista* é inflexível quando comparado com Cristo. Tudo é inflexível.

Direita e esquerda não podem convencer e converter uma à outra pela mesma razão que os fariseus e os saduceus não podiam convencer e converter uns aos outros. Pois os fariseus não precisam abrandar um pouco o coração, não precisam de uma pequena dose de mundanidade, de psicologia pop, de relativismo e de subjetivismo. Eles precisam de Cristo. E os saduceus não precisam endurecer um pouco o coração, não precisam de um pouco de arrogância, um bocadinho de avareza, como a do personagem de Charles Dickens, Scrooge, de Maquiavel, nem da ‘sobrevivência do mais forte’ darwiniana. Eles precisam de Cristo.

E nossa sociedade, dividida como está hoje entre direita e esquerda, da mesma forma que a sociedade da época de Jesus estava dividida entre saduceus e fariseus, só precisa de Cristo. […]

Nossa sociedade está morrendo porque transformou o nome santo de seu Salvador em uma imprecação. A Cristofobia está matando a nossa sociedade. Nossos secularistas estão nos fazendo esquecer Cristo mais depressa do que fazemos se lembrar dele, por isso nossa sociedade está morrendo. Seu estoque de sangue está secando. O sangue precioso está evaporando. A cada dia, perdemos mais sangue.

A resposta a isso é escandalosamente simples: a menos que Cristo, o cristianismo, a Bíblia, a Igreja, os apóstolos de Cristo e todos os santos sejam mentirosos. A resposta é que existe apenas uma esperança para as sociedades e para as almas: ‘Ele lhe trará uma mensagem por meio da qual serão salvos você e todos os da sua casa’ (Atos 11:14).

Isso é simples e infantil demais para você? Você é muito ‘avançado’ e ‘adulto’ para isso? Lembre-se do que significa uma cárie dentária em estado avançado. Lembre-se do que nossa sociedade entende por ‘adulto’. Lembre-se do que quer dizer filme ‘adulto’. E, depois, contraste-o com A paixão de Cristo. E, depois, “escolham hoje a quem irão servir” (Josué 24:15). Faça apenas isso”.

Kreeft não está se referindo, acreditamos, à diferença entre direita e esquerda na política, mas às inclinações que cristãos de direita e cristãos de esquerda provavelmente possuem no sentido espiritual. Suas palavras estão de acordo com o que afirmamos no texto introdutório desta página: não se deve colocar direita e esquerda no mesmo patamar do cristianismo, tampouco seus valores e princípios no lugar do relacionamento com Cristo. As críticas que postamos às ideias e comportamentos antibíblicos, portanto, visam apenas resguardar o Evangelho e a Palavra de Deus, não substituí-los por algum tipo de militância política, modelo de governo ou concepção econômica. Estamos convictos de que nada disso tem o poder da salvação, mas apenas o Cristo vivo.