Por Davi Caldas

Sobre a chamada “segunda besta”, Apocalipse 13:16-17 afirma: “A todos, os pequenos e os grandes, os ricos e os pobres, os livres e os escravos, faz que lhes seja dada certa marca sobre a mão direita ou sobre a fronte, para que ninguém possa comprar ou vender, senão aquele que tem a marca, o nome da besta ou o número do seu nome”.

Esse texto deixa claro uma coisa: o governo representado pela figura da segunda besta será extremamente intervencionista na economia. Não é uma questão de opinião. Perceba bem: o governo que está sendo descrito aqui tem poder para proibir que pessoas comprem ou vendam. É uma imposição governamental na vida econômica de todos os indivíduos, sob força de lei. Aqueles que não aceitarem agir segundo suas regras (os cristãos verdadeiros, no caso), serão proibidos de comprar e vender.

Se você não percebeu o tamanho dessa intervenção econômica, vamos tornar as coisas mais claras. O governo terá poder para fechar as empresas dos cristãos verdadeiros, tomar suas casas, proibir a abertura de negócios por eles, expropriar suas fazendas, impor que empresas para as quais eles trabalham os demitam, congelar suas poupanças, proibir que recebam doações, fechar suas igrejas, fechar suas instituições de caridade e proibir a circulação de moedas nas suas mãos. É uma baita intervenção econômica!

O que Friedrich Hayek explicou magistralmente em “O Caminho da Servidão” (1944) já era previsto na Bíblia: o dirigismo estatal leva ao totalitarismo, à ditadura e à repressão. E é o que a Bíblia afirma que irá ocorrer em escala mundial. Nada muito diferente do que já ocorreu e ocorre hoje em diversos países no mundo.

Em tempo: isso não significa que a besta será um governo marxista. O marxismo é estatista e intervencionista, mas não é o único sistema a sê-lo. A verdade é que o intervencionismo estatal é uma característica comum à todos os regimes e ideologias expansionistas, que pretendem impor ao mundo inteiro a sua cosmovisão – sempre com a justificativa de que é para o bem comum.

Chegará um dia em que as mais distintas (e até opostas) ideologias concordarão que no interior do cristianismo há um grupo pequeno de cristãos que permanece fiel à Bíblia. Serão taxados de fundamentalistas até pelos próprios cristãos ao redor. Serão vistos como a pedra no sapato do mundo. Serão entendidos como aqueles que impedem a união mundial das religiões, crenças e ideologias em prol de um mundo melhor. Então, ninguém hesitará em clamar pelo mais forte e intenso intervencionismo estatal, a fim de que todos os governos invistam contra esses cristãos inconvenientes.

O Caminho da Servidão está sendo pavimentado. Em breve será também o Caminho da Perseguição.