Como Adventistas do Sétimo Dia, nós cremos que em dado momento da história os governos do mundo adotarão uma agenda em comum. Ela trará como tema principal a necessidade de união dos povos em prol da paz mundial, da proteção ao meio ambiente e da tolerância religiosa. As linhas de ação propostas pela agenda procurarão, evidentemente, dar mais poder de ação aos governos para alcançar os objetivos já elencados. Dentre as ações que serão incentivadas nós cremos que a mais importante, e a que será aceita prontamente por todas as nações, será a imposição do domingo como dia mundial de descanso. A quem isso interessaria? À quase todos, da esquerda e da direita, secularistas e religiosos, ortodoxos e sincretistas, laicos e teocráticos.

Aos da esquerda trabalhista seria mais um direito assegurado ao trabalhador, que poderia gozar do domingo com sua família. Aos da esquerda marxista seria um golpe no capitalismo e nos grandes empresários, que precisariam cessar suas atividades nesse dia. Aos da esquerda ambientalista, seria um dia semanal de descanso para o planeta, um dia livre de poluição e produção de elementos tóxicos para o meio ambiente. Aos da direita religiosa, católicos e protestantes, seria a chance de conclamar suas igrejas à guardarem novamente o “dia do Senhor”, prática que se perdeu no último século. Para sincretistas, seria um dia de guarda em comum à todos os credos e, portanto, um ótimo símbolo de união das religiões. Para ortodoxos, seria um passo importante para restaurar a espiritualidade do ser humano. Para os laicos, seria mais uma folga (o que é sempre bom). Para os teocráticos, seria um grande movimento na direção de uma teocracia. E para quase todas as pessoas seria um dia para se valorizar a família e os laços afetivos. Até para grandes empresários não seria tão ruim, pois grandes empresários geralmente se associam à governos interventores corruptos, o que lhes garante maiores lucros.

A quem seria ruim essa imposição? A dois grupos: (1) o dos céticos em relação ao Estado (o que inclui liberais em economia, que não concordam que o Estado tenha todo esse poder e grau de intervenção na economia); e (2) os sabatistas, em especial, os Adventistas do Sétimo Dia. Para nós, adventistas, tal imposição estal seria terrível, pois não guardamos o domingo, mas o sábado. Este é o dia que Deus santificou (Gn 2:1-3). Este é o dia que consta nos dez mandamentos (Êxodo 20:8-11), não o domingo. Evidentemente, a simples imposição do domingo como dia de folga não nos afeta em nada. O problema é o que decorre juntamente com essa imposição e/ou após ela. Cenários como o fim de empregos que folgam no sábado por determinação do próprio governo (por alguma questão econômica, por exemplo) são bastante possíveis. E, de fato, para além do governo, tem sido cada vez mais difícil encontrar empregos que não exijam o trabalho aos sábados. Com a folga obrigatória no domingo desaparece até mesmo a possibilidade de adventistas negociarem esse dia.

Mas o problema não acaba aí. A Bíblia indica que não será o ateísmo que dominará os governos do mundo e perseguirá os cristãos, mas sim uma filosofia religiosa, de caráter sincrético, que mistura erros à verdades. Nada que não se possa deduzir do que vemos. O ateísmo, conquanto tenha dominado centros acadêmicos, laboratórios de ciência e governos, não chegou nem perto de destruir a religião no mundo. A maioria esmagadora do mundo possui alguma religião e mais da metade do mundo é monoteísta. A explicação é simples: o homem é um ser essencialmente religioso. Tanto os governos humanos, quanto o próprio Satanás, já perceberam que tentar extirpar a religião do mundo é inútil. E o diabo, soberbo que é, não deseja retirar do mundo a fé nas coisas sobrenaturais, pois seu intento ainda é ser adorado.

O ateísmo, na verdade, teve maior serventia para disseminar outra filosofia, bem mais destrutiva: o secularismo. Através do secularismo Satanás conseguiu enfraquecer valores dentro das próprias religiões, em especial, o cristianismo. Com o secularismo e o sincretismo, o Diabo tem a possibilidade de fazer as pessoas não se prenderem à Palavra de Deus, mas aceitarem as crenças mais heréticas e contraditórias, bem como viverem em uma série de pecados, julgando-se ainda assim cristãs e corretas. E é esse o tipo ideal de pessoa para aceitar qualquer ideia de união povos, ideologias e credos em prol da paz, do salvação do planeta e de uma suposta tolerância.

Daí emerge um cristianismo falso, repleto de cristãos que não se diferenciam em nada dos não-cristãos, mas que permanecem se julgando seguidores de Cristo e clamam por união. Daí emerge até uma teologia e (por quê não?) uma escatologia. Não mais se espera pelo retorno de Jesus para redimir a Terra, mas pela união dos povos para que o mundo seja preparado para a vinda de Cristo. Passamos a ter parte na construção desse novo mundo. Essa é a obra prima de Satanás. Tudo o que essas pessoas absortas nessa teologia humanista precisam é de um líder religioso importante que utilize a mesma retórica de união, a fim de inflamar os corações e trazer de volta a espiritualidade (um tanto deturpada, é verdade) e líderes políticos influentes que coloquem a ideia para frente. Percebe o enredo? Ao promover o encontro entre secularismo e sincretismo (duas ideias aparentemente antagônicas), Satanás consegue secularizar os religiosos e espiritualizar as ideias seculares, criando uma teologia que agrada à todos, cristãos e não cristãos, esquerdistas e direitistas. Para os líderes humanos mais estratégicos e influentes, aproveitar-se dessa nova teologia é imprescindível. Quem chegar primeiro consegue reunir o mundo e controlar toda a massa.

Eis o pulo do gato: se temos uma nova teologia, uma massa pronta para aceitá-la, uma agenda em comum à todos os governos e uma proposta mundial de dia de descanso capaz de agradar à quase todos os grupos, isso quer dizer que quem não concordar com a agenda e, sobretudo, com o dia de guarda, será considerado o novo herege mundial. Ora, esse certamente será o rótulo dos adventistas. Não é difícil deduzir o que vem depois. Secularistas nos considerarão o remanescente do fundamentalismo, uma pedra no sapato do progressismo. E todos os religiosos, sobretudo os cristãos, nos verão como o grupo que atrapalha a construção do novo mundo pelo homem, no Reino de Deus na terra, o qual será entendido por muitos como aquilo que falta para Cristo voltar à terra.

Democracia é “50% + 1”. Basta que a maioria mínima da população abrace essa nova teologia (e a maioria mínima de seus representantes políticos também) e logo haverá pressão para que esses “heréticos e fundamentalistas” da Igreja Adventista do Sétimo Dia encontrem cada vez mais limitações por parte do Estado. E a pressão será aceita fácil porque será interesse dos mais variados grupos. Até quem não concordar com essas limitações, acabará cedendo à pressão. Ou seja, a imposição do domingo como dia de guarda não virá sozinha.

Na medida em que os problemas do mundo continuarem e até aumentarem (por conta dos juízos de Deus – ver Apocalipse 15 e 16), a antipatia pelos adventistas também aumentará. Ao mesmo tempo, cremos, mais e mais pessoas sairão de suas igrejas e religiões originais observando que elas estão a seguir uma teologia satânica. Estas pessoas se unirão aos adventistas na intenção de seguirem fielmente os desígnios de Deus. O ápice da antipatia aos adventistas será quando Satanás elaborar o seu “grande engano”. Uma profecia de Ellen White prevê que Satanás aparecerá transfigurado de Cristo à diversas pessoas, simulando seu retorno. Suas ordens serão claras: há um grupo que está impossibilitando a paz no mundo. É o grupo que não guarda o “dia do Senhor” (WHITE, Elen G. “O Grande Conflito”, p. 624). Aqui a nova teologia será consolidada. O mundo inteiro aceitará que a paz mundial e o estabelecimento do Reino de Deus depende do extermínio desse grupo herético. Não haverá mais dúvidas. A perseguição tomará forma aqui.

Em uma próxima postagem farei uma análise bíblica ampla sobre a identidade da primeira e da segunda besta apresentadas em Apocalipse, e demonstrarei de maneira mais detalhada como nós, adventistas, chegamos às projeções expostas nessa postagem. Mas antes indico a leitura de outros três textos para entender melhor o panorama aqui descrito. Eles irão clarear algumas questões referentes à marca da besta e a imposição do domingo como dia de guarda.