Por Davi Caldas

Jesus Cristo afirma que fez o Sábado para o homem (Mc 2:27). Tal como o ser humano sempre precisou de alimento (mesmo quando era perfeito, no princípio da criação), também sempre precisou de descanso espiritual e mental. Em nosso mundo caído isso talvez seja mais aparente, já que o pecado, o sofrimento, o afastamento de Deus e nossas limitações físicas se constituem grandes motivos de desgaste diário.

Mas a verdade é que o sábado do sétimo dia foi instituído, abençoado e santificado por Deus antes do pecado, para que um ser humano perfeito, em uma Terra perfeita, gozasse dele (Gn 2:1-3). Isso significa que mesmo um homem perfeito, em um ambiente perfeito, poderia desviar seu foco do Deus vivo. Até as coisas boas podem nos tirar atenção e tempo. O que é criatura pode tomar o lugar do Criador em nossas vidas (Rm 1:25). O sábado provê uma proteção muito eficaz contra isso, levando a criatura a um encontro semanal mais intimo com o Criador.

Isso nos mostra o quanto apenas em Deus, na Sua vontade e na Sua sabedoria estamos seguros. Os perfeitos Adão e Eva caíram no Éden. Boa parte dos perfeitos anjos caíram no Céu. O perfeito Lucifer, sem que mal algum houvesse no universo, corrompeu-se. Qualquer criatura, por mais perfeita que seja, pode desviar seus olhos de Deus. Assim, se Deus julgou importante que separássemos o sétimo dia para Ele, antes até do pecado entrar no mundo, é porque mesmo sem pecado precisávamos desse descanso espiritual/mental das coisas ordinárias, desse volver os olhos para o extraordinário, desse encontro mais íntimo com o Criador.

Se isso era necessário antes do pecado, muito mais hoje, com a correria do dia-a-dia, as preocupações, a ansiedade, as pressões do mundo, as tentações, o erro e o desgaste ao qual nosso interior está exposto nessa esfera destrutiva da Terra. Esse descanso semanal torna-se um Oásis no meio do deserto, um posto para recarregar as baterias. Sem dúvida, um dia ímpar.

O Sábado foi feito para o homem. Todos precisam desse descanso em Deus, dessa pausa do mundo. Isso é mais que um mandamento do Decálogo (Ex 20:8-11). É uma necessidade. É uma benção para a humanidade cansada e sedenta de Deus. É um presente do Criador.