Por Davi Caldas

A mais nova campeã do MasterChef, Dayse Paparoto, afirmou o seguinte: “Espero não ter me tornado um símbolo do feminismo, porque eu não sou feminista”. Assim como Dayse, um grande número de mulheres não se sente representada pelo feminismo atual. Elas entendem que o “movimento” foi contaminado por diversos grupos que estão mais interessados em defender pautas de esquerda e criar um discurso histérico e vitimista do que realmente lutar por todas as mulheres. Dayse preferiu não se sujeitar a essa prisão ideológica. Em vez disso, simplesmente lutou com garra e conquistou sua almejada vitória.

Há sempre dois tipos de luta por dignidade humana/civil para as mulheres: a legal e a cultural. A luta legal ocorre quando a lei de um país não trata a mulher com dignidade. Esta é uma luta para modificar as leis, garantindo ao gênero feminino os direitos básicos do ser humano e do cidadão. Felizmente, no Brasil de hoje, as mulheres possuem dignidade no âmbito legal (ao contrário do que ocorre, por exemplo, em teocracias islâmicas). Já a luta cultural é aquela que ocorre quando, apesar da lei tratar as mulheres com dignidade, há resquícios de uma cultura preconceituosa em relação às capacidades femininas.

Ora, esta segunda luta só pode se dar no campo da cultura. Como? Através do esforço individual para vencer na vida. Essa é a fórmula para se vencer preconceitos. Quanto mais mulheres vencerem na vida, apesar de todos os desafios que a elas forem impostos, mais a sociedade se acostumará com as capacidades e vitórias femininas, de modo a criar novas gerações sem preconceitos. Cada mulher que se esforça e vence as dificuldades, por piores que sejam, colabora para criar uma nova cultura.

Dayse, ao não se curvar diante das dificuldades, tampouco diante de discursos histéricos e vitimistas, competiu de igual para igual e fez o seu nome grande. A vitória de Dayse prova o valor do esforço individual e deixa claro que ninguém precisa de uma prisão ideológica para vencer na vida. O feminismo atual muito mais faria pelas mulheres se reconhecesse isso e rechaçasse o uso que se tem feito do movimento para defender determinadas ideologias, em vez de defenderem as mulheres como um todo.