Se o feminismo realmente deseja representar as mulheres, se tornar um movimento relevante para elas e ser reconhecido pela honestidade intelectual, há algumas posturas que precisam ser tomadas pelas feministas imediatamente. Separamos 21 delas:

1) Reconhecer que boa parte das primeiras mulheres a lutarem por dignidade humana e contra abusos era cristã e conservadora, e que o movimento Quaker teve relevância na história da chamada “primeira onda” do feminismo.

2) Reconhecer que a conquista do sufrágio feminino não se deu apenas pela luta das mulheres, mas também (e principalmente) pela luta e pelo apoio de homens que desejavam estender o direito às mulheres. Também é importante reconhecer que muitas mulheres, à época, não tinham qualquer interesse em participar da política através do voto.

Da mesma forma, até hoje muitas mulheres não possuem interesse em se filiarem a partidos e concorrerem à cargos eletivos nas sociedades democráticas. No Brasil, por exemplo, mesmo havendo o direito e forte incentivo para a participação de mulheres, o número de homens na vida pública continua sendo muito maior. É preciso reconhecer que não se trata aqui de um caso de machismo (até porque a maior parte do eleitorado é feminino e poderia eleger facilmente grande número de mulheres). O problema é mesmo uma falta de interesse.

3) Aprender e reconhecer que a Bíblia possui princípios nobres e úteis para orientar as pessoas a tratarem dignamente às mulheres. Portanto, a Bíblia não deve ser combatida, mas o cumprimento de seus mandamentos estimulado.

4) Dar destaque às violações de direitos humanos sofridos por mulheres em ditaduras islâmicas e fazer pressão junto à órgãos internacionais para que isso seja severamente rechaçado e combatido.

5) Deixar de ser leviano na classificação de atitudes e pensamentos como “machistas”. Essa leviandade banaliza o termo e dá às pessoas a impressão de que toda a reclamação feminista se reduz à histeria, exageros e mentiras.

6) Largar de lado a ideologia marxista. Como um movimento que pretende defender e ajudar a mulher, suas pautas não devem servir aos interesses de uma ideologia, mas aos interesses de todas as mulheres, independente da ideologia que seguem.

7) Abrir-se para novas discussões que podem ser proveitosas na prática para as mulheres. Por exemplo, a flexibilização do porte de armas (para pessoas honestas e mentalmente saudáveis) poderia ajudar as mulheres dando a elas o direito à autoproteção? Ou ainda: a criação de programas de artes marciais voltadas para a autodefesa não seria uma boa iniciativa do movimento para as mulheres? Isso não seria eficaz para que mais mulheres evitassem agressões? Essas discussões devem ser colocadas em pauta.

8) Entender que a luta pela dignidade humana da mulher não é uma luta só da mulher, mas da espécie humana. Interessa ao ser humano como um todo estabelecer essa dignidade e respeito. Logo, os homens não devem ser excluídos ou tratados como inimigos. Esforços devem ser somados.

9) Reconhecer que a liberação sexual promovida pela segunda onda do feminismo trouxe enorme prejuízo para as mulheres, pois tornou-as mais acessíveis à homens de mau caráter e encapou essa acessibilidade com o manto da “liberdade”. Tal atitude apenas colaborou para a objetificação sexual das mulheres, só que agora com outra aparência.

10) Entender que não se combate erros masculinos com erros femininos e que lutar para copiar vícios de homens sem caráter não é uma luta nobre ou útil, mas um desserviço às mulheres virtuosas.

11) Reconhecer que o matrimônio, a maternidade e a família são fatores extramente importantes e que devem ser respeitados e valorizados. Embora nenhuma mulher deva ser obrigada a casar, ter filhos e constituir família, essa é uma escolha legítima e que possui beleza e nobreza.

12) Respeitar igualmente a opção de ser dona de casa, sem cair no discurso de que é humilhante a mulher depender financeiramente do marido e que o serviço de casa não é tão importante/interessante quanto o de fora. Esse tipo de discurso não abraça as mulheres que preferiram se dedicar à casa e que sentem satisfação nisso. Acaba também se tornando uma espécie de constrangimento para algumas mulheres.

13) Rechaçar o discurso de que aborto é um direito da mulher e uma ferramenta legítima para se livrar de filhos indesejados. Aborto nada tem a ver com liberdade feminina. A partir do momento em que uma mulher escolhe ter relações sexuais e acaba por engravidar, seu direito de escolha já foi utilizado. O ente que agora existe no interior de seu útero é outra vida, outro ser humano, não devendo ter seus direitos tolhidos pelo bel-prazer de outra pessoa.

Incentivar o aborto e banalizá-lo como um ato sem importância moral, como uma mera cirurgia, é criar uma geração de mulheres insensíveis, egoístas e irresponsáveis, que põem o próprio prazer acima da vida e do direito dos outros. É também criar uma geração de mulheres e homens incapazes de serem boas mães e bons pais. Enfatizamos aqui a relação do homem com tudo isso. Afinal, os homens sem caráter são tão favoráveis ao aborto quanto às feministas atuais. E pela mesma razão: eles não querem assumir responsabilidade com filhos.

14) Rechaçar a banalização do sexo e a objetificação das mulheres. A luta pela liberação sexual foi um tiro no pé. Ao fazê-lo, o movimento feminista acabou por banalizar o sexo. As relações sexuais deixaram de ser sublimes para se tornarem um prazer como outro qualquer, que pode ser feito com qualquer pessoa e em qualquer lugar, sem a necessidade de vínculos.

Ora, embora seja um direito de toda a mulher encarar o sexo dessa maneira, incentivar essa cultura é criar homens e mulheres hedonistas, egoístas e que enxergam os outros apenas como objetos para satisfação pessoal. Independente de religião, isso essa visão não pode ser considerada uma virtude. Ela deforma a sociedade, cria indivíduos moralmente deficientes, constrói famílias desestruturadas e até corrobora com a criação de uma cultura do estupro (embora o estupro como cultura não seja um elemento comum nas sociedades democráticas ocidentais).

O mesmo se pode dizer do incentivo ao divórcio, aos chamados “relacionamentos abertos” e às manifestações artísticas e culturais que banalizam o sexo, desprezam o matrimônio e rebaixam as mulheres à “piranhas”. Sobre este último, o aplauso à certos gêneros musicais que sobrevivem de rebaixar mulheres é algo que deveria ser absolutamente rejeitado.

15) Rechaçar veementemente o radicalismo feminista. Um dos maiores problemas do feminismo atual é ser conivente com uma minoria radical. As feministas radicais incentivam o ódio aos homens, protestam nuas, depredam patrimônio público, invadem igrejas, destroem esculturas religiosas, zombam da religião e servem aos interesses de grupos políticos de esquerda, guiando-se pela agenda esquerdista.

Se o feminismo realmente deseja ser relevante na vida das mulheres e fazer a diferença positivamente, deveria condenar esses atos radicais com firmeza e repetidas vezes, afastando-se dos movimentos radicais e não considerando a vertente radical como representante legítima do feminismo e das mulheres. Esse é o mesmo tipo de postura que islâmicos moderados deveriam ter em relação à islâmicos radicais. O silêncio demonstra condescendência, o que, inevitavelmente põe todos no mesmo pacote.

16) Reconhecer que nos países democráticos do ocidente não temos mais uma opressão legal às mulheres. Elas já estão providas de amplos direitos (inclusive muitos privilégios, tais como se aposentar mais cedo, não precisar se alistar nas forças militares e etc). A luta, portanto, deve ser voltada para a área cultural e não legal.

Na área cultural, se ainda há algum preconceito quanto à capacidade das mulheres em determinadas profissões ou algum tipo de abuso às mulheres que ocorre especificamente por serem elas mulheres, isso deve ser combatido não com histeria, ódio e dependência do Estado. Deve ser combatido com esforço individual para superar as dificuldades e preconceitos, demonstrando seu valor através dos sucessos obtidos pela superação. Quanto mais mulheres agirem dessa maneira, mais quebrarão paradigmas e farão com que as gerações novas que surgem se acostumem com as suas capacidades.

O feminismo, se quer ser relevante, deveria abandonar o vitimismo e abraçar formas de incentivar mulheres a realizarem seus sonhos, com esforço e afinco, provendo ainda a ajuda necessária para as que possuem maior dificuldade.

Radicalmente diferente é a situação dos países islâmicos, do oriente, onde as mulheres não só são oprimidas culturalmente (e em grau mil vezes mais intenso do que em qualquer país ocidental) como também legalmente. É para esses países que o feminismo deveria voltar os olhos, colocando a libertação das mulheres oprimidas desses lugares como uma prioridade. Nesses lugares há, realmente, um machismo forte e extenso, promovido pela religião, pela cultura e pelo Estado, e que mata de verdade. Nesses lugares há, de fato, uma forte cultura do estupro e isso deveria chamar bem mais a atenção do feminismo.

Se as feministas querem ser levadas à sério, devem parar de inverter prioridades, vendo mais machismo e maldade na cantada do pedreiro na rua, do que no machista islâmico que se acha no direito de estuprar uma mulher não islâmica, ou de espancar sua esposa.

17) Reconhecer que toda moeda tem dois lados. Embora o machismo exista e muitas mulheres, ao longo da história, tenham sofrido por causa dele, o fato é que também as mulheres tiveram alguns benefícios exclusivos ao longo da história. Uma avaliação honesta da realidade histórica deve levar em conta os dois lados.

As mulheres, por exemplo, sempre gozaram do privilégio de não irem às guerras, justamente por serem mais frágeis fisicamente e, portanto, encaradas como pessoas a serem protegidas. No que se refere à trabalho, elas foram geralmente poupadas de serviços físicos muito puxados e/ou perigosos. Aliás, a razão pela qual a humanidade inciou a cultura de homens trabalharem fora e mulheres cuidarem da casa não foi outra senão essa: no princípio os trabalhos exigiam muita força física, resistência e exposição ao perigo. Arar a terra, caçar animais selvagens, cortar árvores, proteger um rebanho de ovelhas, guardar uma cidade e etc. são alguns exemplos. Por uma questão biológica, naturalmente as mulheres se encaixaram melhor em serviços domésticos e homens em serviços externos. Longe de ser machismo, isso é apenas um desenvolvimento cultural que se originou de inclinações naturais óbvias e se consolidou como hábito global.

A mulher foi geralmente poupada do encargo de proteger a família e sustentá-la. Quando crianças, elas geralmente contaram (como contam até hoje) com mais mimos, cuidados e presentes. A elas sempre foi dado o direito de chorar e demonstrar fraqueza. E por mais que o serviço doméstico seja extenso, constante e cansativo, também pode ser considerado mais seguro, confortável (já que não é necessário sair do próprio lar) e, de certa forma, flexível (já que se dispõe de um dia inteiro para organizar as tarefas, em um ambiente próprio, sem a necessidade de sair ou sair para longe).

Reconhecer essas obviedades não é, de forma alguma, menosprezar o serviço doméstico, chamá-lo de fácil ou algo do gênero, mas observar que não há nele apenas pontos negativos. Assim como se pode apontar pontos negativos nele (como o fato de ele ser constante), sobretudo quando a mulher tem muitos filhos, também se pode apontar pontos positivos. E, de fato, muitas mulheres creem que esses pontos positivos valem à pena para elas. É um direito. No fim das contas, tanto o serviço externo quanto o doméstico possuem pontos positivos e negativos.

Ressaltar isso evita um desequilíbrio na interpretação dos fatos. A vida é difícil para todos, homens e mulheres. E isso acaba por ser um bom argumento para o auxílio mútuo. Por que o homem não pode ajudar nas tarefas domésticas? Não só pode como deve. Por que a mulher não pode ajudar no empreendedorismo? Não só pode, como deve, se assim for necessário. A mulher virtuosa descrita em Provérbios 31:24, por exemplo, não é só dona de casa, mas empreendedora e comerciante. Ela faz negócios. Não há nada na Bíblia que desabone ofícios para mulheres além de donas do lar.

18) Reconhecer que homens e mulheres são naturalmente diferentes. Embora ambos devam ser tratados com a mesma dignidade, pois ambos os gêneros são humanos, manter em mente essa diferença é essencial. É ela que proporciona, por exemplo, um cuidado maior para com as mulheres e o surgimento do cavalheirismo. Sem que se enfatize essa diferença, não há cavalheirismo e as mulheres estão fadadas a um igualitarismo extremo, que não leva em conta as diferenças de gênero.

O feminismo não deve se aventurar a querer mudar a forma como as coisas são. Se o movimento quer livrar mulheres de opressões, deve ser mais objetivo e realista. A pergunta que deve nortear sempre as ações feministas é: o que nós podemos fazer para efetivamente ajudar as mulheres sem, com isso, causar injustiças e distorções na realidade?

19) Reconhecer que as teses étnicas que se infiltraram no feminismo, na chamada “terceira onda”, estão erradas em grande parte. As feministas negras, por exemplo, devem reconhecer que o cristianismo é, originalmente, uma religião amplamente negra. Grande parte da África foi evangelizada nos primeiros séculos, sendo muitos santos da igreja de origem africana, como o famoso Santo Agostinho. Isso só começaria a mudar com o surgimento do islamismo, que baniu o evangelho do norte da África e impediu que o continente hoje fosse majoritariamente cristão. Não fosse o islamismo, a África seria a Europa de hoje. O cristianismo, portanto, foi uma religião africana bem antes do surgimento de Umbanda e Candomblé.

É preciso reconhecer ainda que o cristianismo, ao menos em seu início, antes de ser deturpado, colocou as mulheres em um novo patamar, dando grandes passos para a sua aquisição de dignidade. Uma leitura simples nos evangelhos comprova isso. Os primeiros cristãos ensinavam que as mulheres deveriam ser tratadas com respeito e cuidado. E permitiram a elas papeis importantes dentro do serviço na igreja.

O trato de Jesus em relação às mulheres é um exemplo a ser seguido até hoje e certamente pode ser usado pelas feministas para disseminar o respeito às mulheres sem ofender o cristianismo. É preciso urgentemente reconhecer que as opressões étnicas e de gênero propagadas por alguns cristãos ao longo da história não são decorrências lógicas do cristianismo, mas sim deturpações da Bíblia. Assim, não é o cristianismo que deve ser combatido, mas suas deturpações.

20) Aprender que na Bíblia há diversos exemplos de mulheres fortes, “empoderadas” e que desempenharam funções externas muito importantes. Podemos citar Miriã, profetisa e líder de um ministério de louvor (Êx 15:20-12); Débora, profetisa e Juíza Geral de Israel (Jz 4:4-5); Hulda (II Cr 34:22), Ana (Lc 2:36) e as filhas de Filipe (At 21:8-9), também profetizas; Priscila, evangelista e professora de Escrituras com seu marido Áquila (At 18:24-26, Rm 16:3); Febe, diaconisa e fortemente recomendada por Paulo à igreja de Roma (Rm 16:1); Maria Madalena e Maria, mãe de Tiago, primeiras testemunhas e anunciantes da ressurreição (Lc 24:10 e Jo 20:18); Joana, Susana e outras mais, colaboradoras financeiras do ministério de Jesus (Lc 8:3); a mulher samaritana de João 4, anunciante do evangelho em Samaria (Jo 4:1-39); Dorcas, discípula ativa e repleta de obras de caridade (At 9:36-39); Trifena, Trifosa, Pérside e a mãe de Rufo (Rm 16:12-13), destacadas colaboradoras da Igreja, entre outras.

A Bíblia também ressalta os papeis de Rute (cuja a história é descrita em um livro inteiro que leva o seu nome), Ester (a rainha que salvou o povo judeu através de sua coragem e sabedoria), Raabe (a meretriz que aceitou ao Senhor, protegeu os espias de Israel e teve seu nome imortalizado na genealogia de Cristo), Joquebede, mãe de Moisés, e Maria, mãe de Jesus. Mulheres cujas histórias foram registradas e destacadas para nos servirem de exemplos de virtude e demonstrar como as mulheres possuem dignidade e relevância. Esse conhecimento não deve ser desprezado pelo feminismo.

21) Finalmente, se o feminismo quer ser levado à sério e ser útil, deve entender a natureza do ser humano, aceitando que existem mulheres boas e mulheres más, homens bons e homens maus. Generalizações não ajudam em nada o movimento. Apenas criam uma desnecessária e prejudicial guerra entre os sexos.