Por Arthur Rodrigues

Nós somos diretamente responsáveis pela pregação do evangelho. Nessa tarefa tão especial, somos auxiliados pelos seres celestiais, é verdade, mas a função principal foi conferida a nós mesmos, seres humanos. Nossa grande convocação foi feita quando Cristo disse: “Ide por todo mundo e pregai o evangelho” (Marcos 16:15).

Há alguns passos importantes para se pregar o evangelho. A ação, em primeiro lugar, exige renúncia. É necessário que o interesse de propagar a mensagem do reino eterno ocupe o primeiro lugar em nossos pensamentos e atitudes. Após a renúncia é necessário preparação. Somente através do alimento espiritual estaremos aptos para desenvolver essa complexa missão que exige o nosso melhor. O terceiro passo é a santificação. Os impuros não verão a glória do Altíssimo. Precisamos estar separados para sermos consagrados e esse é um exercício constante: “[…] quem é santo, seja ainda santificado” (Apocalipse 22:11).

O último passo é ter coragem. Muitos potenciais missionários pararam nessa etapa e estão enterrando um poderoso talento que lhes foi conferido. É necessário incluir em nossas orações o pedido por coragem, precisamos em nossa intimidade com Deus clamar como o profeta Isaías: “Eis-me aqui, envia-me a mim” (Isaías 6:8).

Talvez os passos mais difíceis sejam a renúncia e a coragem. Isso não é algo surpreendente. O primeiro e o último passo sempre são os mais difíceis em qualquer caminhada. O primeiro passo de uma trajetória demanda esforço, pois você parte de uma situação estática. Começar do zero requer força, energia, disposição para sair do lugar, dar o impulso inicial e começar a andar. O último, apesar de já estar ritmado pela caminhada, também tem seu grau de dificuldade por tudo que você passou durante o caminho. Quando tratamos de caminhada cristã, a decepção que temos com o mundo encontrada ao longo dela é certa. Por isso temos de empenhar esforço para buscar coragem, a fim de resgatar os perdidos e dar o último passo em direção a este objetivo.

Sobre “Renúncia”, a irmã White nos aconselha a seguir o exemplo do apóstolo Paulo: “Uma vez tendo entrado na senda da renúncia e do sacrifício, não recuou até que tivesse dado a vida” (“Atos dos Apóstolos”, p. 185). A nossa renúncia só será completa quando enxergarmos que entregamos a nossa vida em favor da nobre causa de Cristo, afinal, nada mais justo do que doar a nossa vida Àquele que doou a sua para nos salvar.
“Assim, pois, qualquer de vós, que não renuncia a tudo quanto tem, não pode ser meu discípulo” (Lucas 14:33), diz o Senhor. Mais uma vez podemos observar que a renúncia é imprescindível.

Disse Jesus: “[…] Quem comigo não ajunta, espalha” (Matheus 12:30). Se não estamos cumprindo a responsabilidade individual que nos foi conferida, se não estamos ajuntando almas para entrarem no reino dos céus, se não estamos pregando o evangelho, ao menos em nosso testemunho diário, a quem estamos servindo?

Sobre esta responsabilidade, a irmã Ellen White falou: “O fato é que temos perdido de vista nossa responsabilidade individual, e precisamos assumi-la em nome do Senhor. Quando essa oração de Cristo for respondida em favor de Seu povo neste tempo, quando essa unidade existir entre os adventistas do sétimo dia, uma tremenda influência emanará deles sobre o mundo” (“Ministério para as cidades”, p. 25).

Quando não cumprimos a responsabilidade de anunciar a volta de Cristo estamos “espalhando”, em vez de ajuntar, e, portanto, atrasando a volta dEle. A grande necessidade da igreja para o século presente é assumir o compromisso. Essa atitude é urgente para o reavivamento da igreja.

O compromisso é um catalisador da força motriz da igreja e esta força é a juventude. É nesse faixa etária que mais encontramos a falta de compromisso. Aqui me incluo diante deste alertar. Precisamos todos desenvolver compromisso. A irmã White alerta: “Os jovens que se sentem tocados pelos apelos feitos para auxiliar essa grande obra de progresso da causa de Deus fazem algumas menções de avançar, mas não se preocupam o suficiente com a obra para realizar o que poderiam fazer […] (“Vida e Ensinos”, p. 149).

Ainda sobre o alerta aos jovens, na mesma obra, a serva do Senhor fala: “Se os jovens que começam a trabalhar nessa causa tivessem espírito missionário, dariam prova de que, de fato, Deus os chamou para trabalhar […] Contentando-se em ir de uma igreja a outra, dão evidências de não sentir responsabilidade alguma pela obra”.

Precisamos demonstrar o nosso compromisso com as atividades missionárias da nossa igreja local. Esse alerta serve para todos. O costume de ir de igreja em igreja não fortalecerá o nosso compromisso, antes, esfriará nossa responsabilidade devido ao fato da não criação de vínculos com a irmandade. Uma equipe que logra sucesso necessariamente precisa estar entrosada e o relacionamento com os irmãos da igreja local é motivo indissociável do êxito na pregação do evangelho.

Auxílio mútuo
Um fator muito importante para a comunhão dos irmãos e, por consequência, o avanço da obra evangelística é o fortalecimento uns dos outros. Brasas amontoadas farão com que o fogo fique aceso por mais tempo. Esse compromisso de levar o evangelho não significa apenas buscar a conversão de novas almas, mas também conservar convertidas aquelas que um dia foram resgatadas. Talvez essa segunda parte seja mais difícil que a primeira. Uma vez que nosso próximo se encontre verdadeiramente com Jesus Cristo, esperamos dele maturidade e autossuficiência para seguir na caminhada cristã.

Mas não é bem assim que a coisa funciona. Seremos sempre corresponsáveis pela vida espiritual de nossos irmãos. Muitas vezes precisamos sacrificar nosso tempo para auxiliar e orientar outros na constante busca em conhecer e viver na vontade de Deus. A exortação ao errante que está próximo de nós é uma atitude de amor e é estimulada por Paulo em Hebreus 3:13-15.

É interessante meditarmos na oração de Daniel, no capítulo 9 de seu livro. Em todo momento ele se inclui no rol dos pecadores que clamam a Deus o perdão. No verso 8, lê-se: “Ó Senhor, NÓS e nossos reis, nossos líderes e nossos antepassados estamos envergonhados por termos pecado contra ti”. É interessante frisar que Daniel era um homem justo, um servo de Deus. Nele não havia falta alguma, porém, diante de Deus, ele apresentava-se como pecador, em pé de igualdade com toda a nação de Israel.

Por que faço esta observação? Porque aqui vemos que o profeta Daniel toma a responsabilidade para si, veste-se de panos de sacos, humilha-se diante do Altíssimo e clama por seu povo. Algumas vezes somos responsáveis de forma direta ou indireta pelas faltas dos nossos irmãos e precisamos nos incluir nas nossas petições a Deus pelo nosso povo. Precisamos reconhecer, principalmente, que também erramos muitas vezes em não cumprir nossa responsabilidade de alertar.

O pai de uma criança também é culpado quando esta coloca o dedo na tomada sem ter sido avisada de que não deveria fazer isso, de que tomaria um choque. Sobre esse pai recairá culpa em dobro, por prevaricar da função de cuidador, por saber e não avisar.

Precisamos estar atentos em realizar essas exortações, pois seremos cobrados por elas. Fomos constituídos como atalaias de Cristo. É nosso dever tocar o Shofar e exercer a função de vigias do perigo. Precisamos estar atentos à mensagem que Deus nos enviou sobre essa função através do profeta Ezequiel: “Quando eu disser ao ímpio que é certo que ele morrerá, e você não falar para dissuadi-lo de seus caminhos, aquele ímpio morrerá por sua iniquidade, mas eu considerei você responsável pela morte dele” (Ezequiel 33:8).