Por Davi Caldas

O casamento é uma instituição pré-queda. E embora ninguém seja obrigado a se casar, existe no decálogo um mandamento que proíbe o adultério. Um desdobramento desse mandamento é a proibição da fornicação e do divórcio, pois tais práticas fogem do ideal de Deus. Note que o casamento só existe enquanto os seres humanos permanecem projetados por Deus para serem sexuados e românticos. No momento em que Deus transformar a natureza humana para que todos sejam irmãos, não haverá mais casamento, nem sexo, tampouco desejo de se casar ou de se unir sexualmente. Portanto, podemos dizer que se trata de uma instituição moral que depende de certas circunstâncias para existir.

Sabemos ainda que o casamento tem uma função simbólica importante. Ele representa a união de Deus (o noivo) com o seu povo (a noiva). E Paulo parece crer que o objetivo primordial do casamento é ser uma sombra que representa essa união (Efésios 5:31-33). Não resta dúvida, aliás, que a união com Deus é muito mais importante que o matrimônio; o símbolo não pode ser maior que o objeto simbolizado.

Ora, os cristãos entendem que a união com Deus ocorre por meio de Cristo. Através de sua morte na cruz, recebemos vida e somos reconciliados por Deus. Assim, é possível dizer que, de certa forma, o casamento tornou-se, após o pecado, uma sombra de algo muito maior que viria: a união de Deus com o seu povo mediante o sacrifício de Cristo.

Pois bem. Imagina que ilógico seria se alguém, baseado nisso, começasse a espalhar por aí que o casamento foi abolido na cruz, pois era apenas sombra de Cristo; tendo vindo Cristo, seu sacrifício tornou o casamento nulo, sem valor, obsoleto. Agora, pois, é proibido casar. Loucura, não é mesmo? Diriam: “Claro que não! O casamento é uma instituição pré-queda. O sacrifício de Cristo não o anula. Ademais, não há uma linha que fale contra o casamento no Novo Testamento. Ao contrário, há passagens favoráveis”. Essa resposta está correta. Mas, infelizmente, quando se trata do sábado, também uma instituição pré-queda, com mandamento incluído no decálogo e sem nenhuma proibição no Novo Testamento (ao contrário, com indícios de continuidade), o raciocínio usado por muitos é que ele foi anulado na cruz. Não faz sentido.