Por Davi Boechat

Em linhas gerais, R. C. Sproul discorre sobre a legitimidade da Igreja e do Estado como instituições divinamente estabelecidas mas com funções absolutamente diferentes. Para o autor, mesmo na teocracia de Israel, as funções eram distinguíveis. Oficiais do templo, por exemplo, estavam vetados de atuar diretamente nas questões civis e militares, administradas por reis. O autor passeia ainda por outros tópicos polêmicos, como a legitimidade da obediência a autoridade de lideres ímpios, aborto, pena de morte e direito de propriedade.

O celebre texto de Romanos 13 é apresentado como fundamento para a instituição divina do estado, assim como o de Efésios 6 é aplicável à igreja. Em ambos a figura da espada é apresentada, mas em conotações diferentes. No caso do estado, a espada é colocada como símbolo de justiça, a ser promovida para o temor do ímpio e louvor do justo. No caso da igreja, a espada ganha sentido figurado para a Palavra de Deus. A guerra espiritual “não é contra o sangue e a carne, e sim contra os principados e potestades.”

Em sua exposição, Sproul alfineta o Islã: “O emblema do cristianismo é a cruz. Por contraste, o emblema do islã é a cimitarra ou espada. No islã há uma agenda de conquista dita às autoridades religiosas, mas no cristianismo a igreja não recebe o poder da espada. O poder da espada é outorgado apenas ao estado”, comenta nas páginas 29 e 30.

Após expor as prerrogativas de cada instituição, fazendo uma crítica implícita ao modelo socialista, que segundo ele rompe com os pressupostos de proteção a propriedade contidos na Bíblia [como, por exemplo, em Êxodo 20:13 e 20:17], Sproul conclui com um arremate pertinente do conteúdo do livro: “Deus estabeleceu depois domínios na terra: a igreja e o estado. Cada um deles tem sua própria esfera de autoridade, e nenhum deles deve infringir os direito do outro. E, como cristãos, devemos mostrar grande respeito e interesse pro ambos.”

O livro integra a coleção reformada “Questōes Cruciais”, publicado pela editora Fiel e tem apenas 63 páginas. Uma boa pedida para introdução aos conceitos bíblicos de igreja, estado e suas prerrogativas.