Por Davi Caldas

Resolvi selecionar 12 verdades históricas inconvenientes. É aquele tipo de verdade que irrita muitas pessoas porque contraria suas ideologias. Tais indivíduos tem o péssimo hábito de tentar moldar a realidade às suas ideologias, em vez do contrário. Por esta causa, as verdades aqui expostas não são muito propagadas. Como o objetivo desse blog é confrontar ideologias antibíblicas e anticristãs, o texto é conveniente. Ao final, há uma lista de livros que versam sobre os assuntos que serão mencionados. Vamos lá.

1) Hitler era contrário ao marxismo por uma razão apenas: ele entendia que tal doutrina era um embuste criado por judeus para destruir os Estados nacionais, prostrando o mundo todo diante do que ele chamava de Capitalismo Internacional Judaico. Para Hitler, o verdadeiro socialismo não poderia se desfazer do conceito de nação ou de raça. Isso valia não só para a Alemanha. Ele elogiava o regime fascista italiano por valorizar seu próprio povo. Tanto Hitler como Mussolini fizeram o mesmo que Stalin: perceberam a força do sentimento de nação para agregamento social e do próprio conceito nacional para melhor administração da sociedade. Ademais, seria muito mais fácil fazer uma nação grande e por meio dela conquistar o mundo todo, do que tentar dominar o mundo todo sem uma nação central que conduzisse o processo.

Friedrich Hayek já explicava, do ponto de vista econômico, nos anos 40, que o socialismo internacionalista tende a se tornar nacionalista depois que se instaura. Essa tendência só irá mudar um pouco na história com a introdução do conceito de multiculturalismo na política e a infiltração do progressismo na ONU, os quais habilitaram a mesma a se tornar uma entidade promotora do enfraquecimento dos Estados nacionais. O projeto nacionalista e o internacionalista de domínio mundial só se diferem na estratégia utilizada. A finalidade é a mesma: a promoção de um órgão central que controle o mundo todo.

2) Benito Mussolini foi, durante boa parte da vida, um marxista ortodoxo. Escreveu para jornais socialistas e foi integrante do Partido Socialista Italiano (PSI). Começou a se afastar da ortodoxia marxista ao perceber que a guerra imperialista poderia ser interessante para os propósitos socialistas. Influenciado por doutrinas de esquerda heterodoxas, como o sindicalismo de Georges Sorrel, percebeu que combater o conceito de nação era contraproducente e que algumas ideias populares, ainda que míticas, poderiam servir de força motriz para movimentar as massas. Usando de pragmatismo, também percebeu que o Estado jamais seria derrubado e que o capitalismo, em vez de destruído, poderia ser controlado pelo governo, o que era muito mais viável. Assim, surgiu o fascismo italiano.

3) Nazismo e fascismo foram movimentos antiliberais (em economia) e progressistas (em política) desde sua origem e não é de hoje que intelectuais de renome perceberam as relações íntimas entre esses dois movimentos e o socialismo marxista (conquanto haja também, evidentemente, muitas distinções). Dentre mais antigos e mais novos autores, podemos citar autores do calibre de Ludwig von Mises, Eric Voegelin, Murray Rothbard, Friedrich Hayek, Hannah Arendt, Ernest Nolte, Joachim Fest, Anthony James Gregor, Helmut Fleicher, Klaus Hildebrand, Andreas Hillgruber, Rainer Zitelmann, Hagen Schulze, Thomas Nipperdey, Imanuel Geiss, Robert Gellately, Richard Overy, Jonah Goldberg, Erik Norling, Zeev Sternhell, Mario Sznajder, Maia Asheri, Erwin Robertson e etc.

4) O islamismo já surgiu, nos anos 600, como uma religião de guerra, que prevê o domínio mundial por meios bélicos. Se difere em sua raiz, portanto, do cristianismo, que surgiu e se expandiu como um movimento pacifico, e também do judaísmo, que surgiu num contexto histórico de guerras, porém jamais teve pretensões de dominação mundial e imposição de sua teocracia em todos os países. O que o islamismo faz hoje através de seus governos teocráticos e seus grupos extremistas é apenas continuação do que se iniciou nos anos 600. Toda a historia do islamismo, desde o inicio, é uma historia de invasões e dominações.

5) A escravidão foi comum no mundo inteiro por milênios e, na maior parte desses milênios nada tinha a ver com cor de pele. Foram os princípios judaico-cristãos que começaram a humanizar gradualmente os escravos ao longo dos séculos até chegar o momento em que vários setores da sociedade começaram a clamar pelo fim da prática. Em geral, os países que mais tempo praticaram a escravidão foram os não-cristãos. Quando os europeus iniciaram expedições marítimas, tribos africanas que mantinham a prática em voga passaram a vender seus escravos de guerra aos navegantes da Europa. O resultado foi o incremento da escravidão em terras cristãs. E, uma vez que esses escravos comercializados eram negros, tornou comum no ocidente identificar escravidão à etnia africana e a cor negra. O racismo surge por conta disso e é algo novo na história do mundo.

6) O cristianismo foi o grande responsável pelo avanço da ciência e da filosofia no mundo, pois popularizou o pressuposto de que um Deus racional criou leis fixas pelas quais a natureza funciona. Não fosse pelo cristianismo, o mundo provavelmente permaneceria trilhando pelas crendices politeístas irracionais, nas quais elementos da natureza como o sol, a lua, a chuva, os mares e etc. eram deuses ou atendiam aos desejos arbitrários de deuses. Lembre-se que Sócrates procurou estabelecer o mesmo pressuposto séculos antes e acabou sendo condenado. O mundo pagão não era muito racional.

7) Os regimes comunistas mataram, juntos, cerca de 100 milhões de pessoas durante o século XX, o que é amplamente reconhecido e documentado. Alguns países do Leste Europeu consideram os regimes comunistas tão totalitários e terríveis quantos os regimes fascistas e nazistas.

8) A Revolução Francesa matou cerca de 50 mil pessoas por repressão só entre os anos de 1793 e 1794, no chamado Período do Terror. Após muito sangue derramado, perversões públicas e instabilidade política, durante uma década, a Revolução terminou com a subida de Napoleão Bonaparte ao poder, muito mais poderoso do que os tradicionais absolutistas. A Revolução Francesa deu em nada, no fim das contas.

9) O primeiro movimento feminista, chamado também de primeira onda, era composto por muitas mulheres religiosas e conservadoras. Elas lutavam contra abusos e desejavam dignidade civil/humana. Aos poucos, o secularismo e o progressismo foi tomando conta do movimento e deixando de atender aos interesses de todas as mulheres, tornando-se meramente um braço da esquerda. Hoje o feminismo se converteu em uma caricatura feia e distorcida do que já foi e só mostra interesse em defender pautas de esquerda e mulheres de esquerda.

10) Há diversos fatos históricos comprovados sobre Jesus. Ele realmente existiu, foi um judeu, foi condenado a uma cruz, sua tumba foi encontrada vazia, diversas pessoas alegaram tê-lo visto, os primeiros cristãos acreditavam na ressurreição e os mártires cristãos morreram afirmando ser testemunhas do que pregavam. Tais fatos são históricos porque passam pelos testes de historicidade comumente utilizados pelos historiadores, tais como: multiplicidade de fontes, multiplicidade e antiguidade de manuscritos, relatos com contextos detalhados, relatos que causaram prejuízos aos seus autores, comprovação em fontes não cristãs, comprovação de fontes inimigas, etc.

11) O Novo Testamento é o livro que mais possui documentos manuscritos antigos no mundo. São cerca de 5700 cópias. O segundo lugar pertence à obra Illiada, de Homero: cerca de 640 cópias. O Antigo Testamento possui cópias antigas preservadas que datam de até 300 anos antes de Cristo, bem como alguns fragmentos mais antigos. O que lemos em nossas Bíblias hoje é a mesma mensagem que os judeus liam no primeiro século (e antes, no caso do Antigo Testamento).

12) Os primeiros cristãos eram judeus e conversos gentios ao judaísmo que frequentavam sinagogas aos sábados e mantinham diversos hábitos judaicos. Pelo menos nas primeiras quatro décadas após a morte de Jesus, o cristianismo não era encarado como uma religião diferente, mas como uma vertente do judaísmo. O panorama mudou gradualmente e as primeiras separações mais sérias e evidentes ocorreram após o ano 70 d.C.

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Algumas leituras recomendadas para compreender os fatos mencionados:

  1. “Minha Luta” (“Mein Kampf”), de Adolf Hitler.
  2. “Manifesto do Partido Comunista”, de Karl Marx e Friedrich Engels.
  3. “Discurso sobre a origem e os fundamentos da desigualdade entre os homens”, de Jean Jacques Rousseau.
  4. “O Estado e a Revolução”, de Valdimir Lênin.
  5. “Esquerdismo: doença infantil do comunismo”, de Vladimir Lênin.
  6. “O Caminho da Servidão”, de Friedrich Hayek.
  7. “As Religiões Políticas”, de Eric Voegelin.
  8. “Marxism, Fascism and Totalitarianism: Chapters in the Intellectual History of Radicalism”, de Antony James Gregor.
  9. “O Livro Negro do Comunismo: Crimes, Terror, Repressão”, de Stephen Courtois (org.)
  10. “Contra a idolatria do Estado: O papel do cristão na política”, de Franklin Ferreira.
  11. “Reflexões sobre a Revolução em França”, de Edmund Burke.
  12. “Tempos Modernos o Mundo dos Anos 20 aos 80”, de Paul Johnson
  13. “Cachorros de Palha”, de John Gray.
  14. “A Missa Negra”, de John Gray.
  15. “Os Ditadores – A Rússia de Stalin e a Alemanha de Hitler”, de Richard Overy.
  16. “Lênin, Stálin e Hitler: A Era da Catástrofe Social”, de Robert Gellately.
  17. “Uma história politicamente incorreta da Bíblia”, Robert Huntchinson.
  18. “Segredos do Alcorão”, de Don Richardson.
  19. “Não tenho fé suficiente para ser ateu”, Norman Geisler e Frank Turek;
  20. “Apologética Contemporânea: a veracidade da fé cristã”, William Lane Craig;
  21. “Em Guarda: defenda a fé cristã com razão e precisão”, Willian Lane Craig;
  22. “Milagres”, C. S. Lewis;
  23. “Merece Confiança o Novo Testamento?”, F. F. Bruce.
  24. “Escavando a Verdade”, Dr. Rodrigo P. Silva.
  25. “Do Sábado para o Domingo”, Samuele Bacchiocchi.
  26. “Crenças Populares”, Samuele Bacchiocchi.