Por Davi Caldas

Quando uma mulher se interessa por um homem, isso pode ocorrer por razões visíveis (conscientes) e invisíveis (inconscientes ou subconscientes). Por exemplo, aspectos que fazem um homem parecer mais saudável, resistente, forte, firme e seguro são apreendidos pelo inconsciente. Assim, homens mais bem abastados financeiramente e homens que conquistam várias mulheres (os quais, por conseguinte, geralmente agem, andam, gesticulam e falam demonstrando maior segurança), tendem a chamar a atenção das mulheres de maneira inconsciente e involuntária. Isso ocorre porque o instinto feminino busca um homem capaz de procriar e proteger.

O que o instinto diz, no entanto, não necessariamente se coaduna com o que a mulher pensa conscientemente. No nível consciente, a mulher pode não desejar ter filhos, nem estar procurando ninguém. Daí se depreende o seguinte: o que determina uma moça virtuosa no sentido moral é o que ela faz para que seu nível consciente mande nos seus instintos. Se ela aprende a valorizar um homem para além do material, do visual e da primeira aparência, ela reduz ou até anula os possíveis efeitos imorais de instinto natural.

Não é diferente com o homem. O seu instinto busca uma mulher bonita, porque beleza é potencial evidência de saúde para ter filhos. Um homem pode não pensar em ter filhos, até odiar a simples hipótese, mas seu instinto é esse. Ou seja, o inconsciente do homem almeja apenas ter relações sexuais com uma mulher potencialmente saudável com a finalidade de gerar prole. Contudo, se um homem treina seu consciente para valorizar o matrimônio, o companheirismo e a família, ele vai reduzir muito ou até anular os efeitos imorais do seu instinto natural.

Aliás, o motivo pelo qual na maioria das sociedades humanas o estupro é rechaçado pela maior parte das pessoas (e não vemos homens atacando mulheres bonitas em público por aí a todo instante) é a existência de uma faculdade moral no ser humano e que foi sendo trabalhada nas culturas ao longo dos milênios. As culturas bem trabalhadas moralmente fortaleceram a consciência individual, criando limites morais e também leis civis para dificultarem crimes e punirem criminosos. Assim, ainda que o instinto de um homem, como o de um cachorro, diga para ele correr atrás de uma mulher bonita na rua para procriar, um forte hábito moral não permitirá nem que essa ideia seja concretizada, nem que ela seja considerada no nível consciente e racional. Em outras palavras, o pensamento mau não se formará.

O problema da maioria dos incrédulos e agora também (infelizmente) da maioria dos cristãos, é que esses indivíduos passaram a se guiar pelo instinto, alimentando-o cada vez mais em detrimento da razão e da moral. O resultado é uma animalização dos sentimentos e dos impulsos. O quadro atual é tão que uma pessoa pode desenvolver ideias nobres a nível consciente, mas não se guiar por elas na prática. Assim, você encontrará mulheres que acham que querem homens românticos, bons e tementes a Deus, mas que, contraditoriamente, só se relacionam com homens que não prestam. Elas são guiadas para os mesmos tipos de homens e, quase sempre, para os mesmos lugares e circunstâncias. Não conseguem se interessar pelo bom rapaz, pelo amigo, pelo potencial marido fiel. Quando conseguem, acabam por trair o homem que tanto lhes quer bem por algum tipo sem escrúpulos e mentiroso.

O mesmo ocorre com o homem, que pode preservar o instinto promíscuo, ainda que no nível consciente tenha ideias nobres. Ele não conseguirá ficar muito tempo com uma mulher só e, casando-se, não será fiel. Ainda que julgue amar a esposa e que deseje continuar com ela, vacilará, pois seu amor não é grande o bastante para minar e destruir os impulsos maus de seu instinto. Em ambos os casos, o do homem e o da mulher volúveis, o que temos é uma demonstração do que é o ser humano: uma criatura que se tornou escrava de seus instintos mais vis. Em linguagem religiosa, escrava de seus desejos carnais, da inclinação natural ao mal, do pecado.

A melhor forma de trabalhar esse problema é um processo de conversão/santificação constante, no qual Deus irá purificar seus instintos e impulsos. Mas esse processo não é passivo. Exige bastante autodisciplina e autotrabalhar. Deus não faz uma mágica para mudar nossos impulsos pecaminosos instantaneamente. Ele nos ilumina com a sua luz, nos mostra nossas falhas, nos atrai com o seu amor e nos dá força para fazer o que é certo. Na medida em que respondemos a esse amor com amor, nos abrimos para a sua transformação e nos comprometemos a fazer o que é certo, passamos por uma metanoia. A cosmovisão cristã vai dominando nossos pensamentos, invadindo nossa vida prática e nos tornando hábito. E assim os impulsos vão sendo modificados.

Mas quem está disposto? Que os incrédulos não estão, não é nenhuma anormalidade. Aos que servem a Satanás, a animalização é o caminho lógico. Porém, olhamos com tristeza o fato de que dentre os que estão na Igreja, cada vez menos tem estado dispostos a colocarem a razão e a moral acima de seus instintos. Os resultados, para estes, podem parecer bons à primeira vista. Mas o tempo demonstra que as escolhas de namoro, noivado e casamento baseadas em instintos não trabalhados, tão semelhantes aos dos incrédulos, levam à infelicidade emocional e espiritual.

Se queremos ser bons cristãos e fazermos boas escolhas na área dos relacionamentos, urge deixarmos de seguir o caminho da animalização. Deixe para o mundo esse rumo que rebaixa a própria humanidade. Escolha exaltar a Deus agindo da forma que Ele criou para você agir. Deus é glorificado quando a sua obra prima, o ser humano, não se rebaixa ao status de bicho.