Por Arthur Rodrigues

Nos últimos dias um tema tem tomado conta das manchetes e dos debates no país. Os limites e as formas de produção das artes tem suscitado discussões em todos os níveis, seja nos programas televisivos ou em rodas informais de conversas.

A nossa preocupação tem se voltado para o aspecto comportamental do cristão frente a imposição dessa agenda progressista. Como tem se posicionado o cristão e, mais especificamente, o cristão adventista? Ou melhor, como deve se posicionar?

Nesse momento não adentraremos na repercussão criminal de certas “formas de se fazer arte”, ficaremos restritos ao aspecto estético.

Visando uma rápida orientação, expomos aqui um breve recorte do teólogo e filósofo George Knight, que coaduna perfeitamente com o nosso posicionamento acerca das questões que envolvem a produção e a contemplação das artes:

“O conflito galático entre o bem e o mal invadiu todos os aspectos da vida humana. Por isso, também afeta o campo estético, sendo especialmente determinante nas artes, devido ao seu impacto emocional e a sua relação profunda com os meandros da existência humana.

Uma questão básica na área da estética cristã é se o assunto das formas artísticas deveria lidar apenas com o bom e bonito, ou se deveria incluir também o feio e o grotesco. A Bíblia não lida apenas com o bom e o bonito em suas páginas, porém, o feio e o mal não são glorificados. Pelo contrário, o pecado, o mal e a feiura são colocados em perspectiva e usados para indicar a urgente necessidade humana de um Salvador, assim como de um caminho melhor. Em suma, a relação entre o bom e o feio na Bíblia é tratada de maneira realista a fim de que o cristão, como os olhos da fé, aprenda a odiar o feio por causa de sua relação com Deus, que é beleza, verdade e bondade.

Lidar com a relação entre o belo e o feio nas formas de arte é essencial para a estética cristã por causa do alerta de Paulo de que pela contemplação somos transformados (2 Co 3:18). A estética tem uma influência sobre a ética. O que lemos, vemos, ouvimos e tocamos produz um efeito em nossa vida diária. Portanto, a estética está no eixo central da vida cristã e do sistema religioso da educação. Consequentemente, um produtor de arte cristão (que, em certo sentindo, somos todos nós) deve ser preferencialmente um servo de Deus responsável. Com um coração repleto de amor cristão, ele age para tornar a vida melhor, mais digna, para criar um som, uma forma, um conto, uma decoração, um ambiente que seja significativo e encantador e uma alegria para a humanidade.

Talvez o que seja mais belo a partir de uma perspectiva cristã seja tudo o que contribui para a restauração dos indivíduos a um relacionamento com o Criador, com o semelhante, consigo mesmos e com o ambiente em que vivem. Tudo que obstrua o processo de restauração é, por definição, mau e feio. O objetivo final da estética cristã é a criação de um caráter belo” (George Knight, “Educando para a eternidade”, p. 54, 55).

É óbvio, mas o óbvio deve ser sempre lembrado: O cristão deve se manter sempre ao lado de tudo “[…] que é verdadeiro, tudo o que é respeitável, tudo o que é justo, tudo o que é puro, tudo o que é amável, tudo o que é de boa fama, se alguma virtude há e se algum louvor existe, seja isso o que ocupe o vosso pensamento” (Fl 4:8).

E acrescentamos: Não basta não contemplar, temos que assumir uma posição de reação a tudo isso. Como atalaias não podemos ficar calados. Se quedarmos inertes, sobre nós pesará o sangue dos desavisados por conta do nosso silêncio!