Por Davi Caldas

Do ponto de vista bíblico e lógico, a volta de Jesus é um evento sempre próximo. Não apenas porque, como bem disse o apóstolo Pedro, “mil anos para o Senhor são como um dia” (II Pd 3:8), mas porque ninguém aqui na terra está esperando Jesus por dois mil anos.

As pessoas, quando muito longevas, chegam aos 80 ou 90 anos. Alguns poucos ultrapassam a barreira dos 100 anos. A mulher mais velha dos últimos milênios que temos notícia (a francesa Jeanne Loise Calment) chegou aos 122 anos. Ou seja, ninguém esperou o retorno de Cristo a terra por mais que uma centena de anos.

No momento em que morremos, uma vez que a vida cessa, não se considera e não faria sentido considerar o transcurso do tempo terrestre como sendo anos de nossa vida. A morte cessa o nosso tempo, a nossa consciência e, com isso, a nossa espera. O nosso relógio para.

Jeanne Calment viveu 122 anos e seu relógio hoje está parado. Ela continua tendo os mesmos 122 anos de quando morreu. No momento em que ressuscitar, contudo, seu “relógio da vida” tornará a funcionar. Jesus terá demorado apenas 122 anos para retornar em sua vida.

É por essa razão que Paulo afirmou, tão categoricamente, que seu desejo era partir e estar com Cristo (Fl 1:23). Ele não considerava o tempo em que estaria morto, pois esse tempo simplesmente não existiria em sua vida. Assim como não faz sentido contar como tempo de nossa vida os anos anteriores à nossa concepção, também não há sentido em contar como tempo de nossa vida o período em que estamos mortos. Não há vida, não há pensamentos, não há consciência (Ec 9:3-6 e 10). Para o que morre, Jesus Cristo retorna no segundo seguinte de consciência, quando o relógio recomeça a contar.

Não haverá grande diferença, portanto, entre os que morreram antes da volta de Jesus e os que não morrerão até que Ele venha. Todos terão esperado por algumas poucas décadas apenas. Isso explica, em parte, a fixação dos primeiros discípulos pelo retorno de Cristo. Paulo chega a dizer que os que receberão a coroa da vida “naquele dia” são aqueles que amam a sua vinda (II Tm 4:8). Os cristãos verdadeiros sempre foram aqueles que viveram no “presente século” aguardando a “bem-aventurada esperança e o aparecimento da glória do grande Deus e Nosso Salvador Jesus Cristo” (Tt 2:12-13).

Independente de quantos anos faltam para o retorno de Cristo a terra, para cada um, falta bem pouquinho. Para alguns, talvez dez ou quinze minutos. Consegue vislumbrar essa verdade? Possivelmente em dez minutos, seus olhos estarão se abrindo em algum ponto desse mundo para ver Jesus retornar gloriosamente, nas nuvens do céu, com miríades de anjos, trazendo a redenção final para os que o amam, e a condenação para os que o odeiam ou desprezam. Como isso tem nos impactado? Não tem? A verdade de ver a Cristo muito em breve, independente de morrermos ou não, não nos tem causado nenhum efeito positivo grande? Então, temos amado pouco a sua vinda.

Só amamos muito a vinda de alguém que amamos muito. A Bíblia nos compara a uma noiva aguardando o seu noivo. Temos aguardado ansiosamente e nos preparado como uma noiva prestes a se casar? Sei que a maioria não. Mas não há motivo para pânico. É o dia de hoje que importa. Cristo o convida a pensar e falar mais sobre Ele, sobre o seu amor a nós e sobre a sua segunda vinda. Ainda não é tarde para mudar. Que passemos hoje a priorizar o que importa acima de todas as coisas.

Maranata!