Por Davi Caldas

“Bandido bom é bandido morto”. Esse jargão popular muitas vezes é criticado como anticristão. Se tomado fora de contexto, interpretado à bel prazer dos críticos, é mesmo. Mas é bom lembrar que se trata de um jargão e, portanto, um resumo frasal de um conjunto de ideias. Pode ser mal usado, claro. Contudo, se analisado em suas raízes, possui sentido.

Para começar, do ponto de vista civil e pragmático, sem dúvida é verdade que para a sociedade é melhor que os bandidos estejam mortos. Em mortos, não causarão problemas a ninguém. Essa ideia é tão eficiente que é exatamente isso que Deus vai fazer no juízo final: matar todos os ímpios. E assim teremos paz eterna.

Um segundo aspecto é que do ponto de vista civil, é de comum acordo que crimes devem ser punidos de modo equivalente. O direito se desenvolveu baseado nessa noção. Ninguém em sã consciência está querendo que pessoas que roubaram um pote de margarina ou fizeram “Gato Net” sejam punidos com a morte. A pena capital é para crimes hediondos, como assassinato premeditado com requintes de crueldade, chacinas, assassinato por motivo torpe, estupro, sequestro. Assim, não cabe a ideia de hipocrisia. Quem diz que bandido bom é bandido morto geralmente nunca matou, sequestrou, estuprou. Se fez, merece morrer, claro.

Em terceiro lugar, como mostrei no texto anterior sobre o assunto, a pena capital não impede o arrependimento e a salvação da alma do criminoso em Cristo Jesus, desde que seja sincero. As duas coisas estão em âmbitos distintos.

Em quarto lugar, conquanto possa haver momentos de raiva e revolta diante de injustiças (levando pessoas a desejarem a retaliação do criminoso), a maioria das pessoas, em um momento de serenidade e reflexão racional, não advogaria que o próprio povo saia fazendo justiçamentos. Bandido bom é bandido morto pelo Estado, depois de devidamente julgado, dentro dos trâmites legais.

Em quinto lugar, a retaliação não é o objetivo da pena de morte. A pena de morte objetiva valorar negativamente o crime de modo proporcional; desestimular a desobediência; servir de lição social; livrar o povo de um perigo; impedir mais crimes; fortalecer a confiança na lei. A meu ver, aliás, em muitos casos é possível substituir a pena de morte por uma prisão perpétua com trabalho obrigatório para a sociedade, o que cumpre quase da mesma forma os objetivos da pena de morte.

Sendo assim, não há nada de terrível ou anticristão na pena de morte. O jargão popular, entendido dentro desses parâmetros, não se opõe à Bíblia como um todo e ao evangelho.