Por Davi Caldas

A discussão a respeito da veneração/oração aos santos provavelmente é a mais intensa entre católicos romanos e protestantes. Os primeiros, traçando uma distinção entre venerar e idolatrar, argumentam que os santos são modelos de conduta para nós e que não há qualquer problema em reconhecer e respeitar esses homens e mulheres virtuosos, contando ainda com a sua intercessão junto a Cristo.

Por sua parte, os protestantes sustentam que a distinção enfatizada pelos católicos entre veneração e adoração é apenas teórica; na prática o que há é a elevação dos santos ao nível de quase deuses, ofuscando a mediação celeste de Cristo.

Em meio a essa discussão, o adventismo concorda com a posição protestante tradicional, contrária à veneração (ao menos a veneração no sentido proposto pela ICAR), mas entende que sua argumentação tem sido incompleta e, portanto, frágil. Vamos entender.

Protestantes, em sua maioria, sustentam a doutrina da imortalidade da alma, da mesma forma como os católicos. Assim, sustentam que quando uma pessoa justificada por Cristo morre, apenas o corpo perde a vida, mas a alma (entendida aqui como a parte imaterial que contém a nossa consciência, o nosso “eu”), é levada para o céu, passando a morar com Deus e os demais santos mortos.

Ora, partindo desse pressuposto imortalista, a intercessão dos mortos em nosso favor não é nenhuma impossibilidade, nem surpresa. Se eles estão em pleno estado de consciência e numa atmosfera extremamente santa, possuem toda a condição de orar por nós. E é o que se espera deles, aliás. Afinal, são justos (justificados por Cristo) e viveram em oração na terra. Por que não viveriam em oração no céu? Pressupondo a imortalidade da alma, a intercessão dos santos é lógica.

A pergunta se desdobra. Se na terra podemos contar com as orações de outras pessoas e até pedir a elas que orem por nós (a Bíblia incentiva isso, aliás), por qual motivo não poderíamos contar com a oração dos santos mortos e pedir que intercedam por nós? A oração de um santo já morto até vale mais que a de um amigo ainda vivo, já que o santo morto adentrou num estado de impecabilidade no céu. Logo, tanto a intercessão do santo quanto meu pedido ao santo que interceda por mim não se constituem pecado à priori, mas sim uma relação lógica e esperada (partindo do pressuposto imortalista).

Uma possível contraposição protestante a esse entendimento seria apontar que a veneração/oração aos santos inevitavelmente diviniza os mesmos. Se realmente os santos ouvem as orações dos homens, isso implica que eles podem ouvir orações de diversas pessoas, em diversos lugares, ao mesmo tempo, de qualquer distância, em voz alta ou em silêncio. Assim, os santos se tornam dotados de atributos tradicionalmente atribuídos a Deus como atemporalidade, aespacialidade, leitura de mentes, onisciência e poder para intervir sobrenaturalmente. Uma vez que só Deus pode ter esses atributos (ou, ao menos, tê-los de modo completo), a conclusão lógica do argumento seria que os santos não podem nos ouvir/ver, nem conhecer nossas orações. E se não podem, orar a eles é algo inútil. É falar sozinho, em vez de falar com Deus, e projetar no santo poderes de Deus que ele não tem (uma forma indireta de idolatria, por certo).

Embora o argumento seja bom, ele possui um ponto fraco. Pressupõe que de forma nenhuma o homem poderia vir a ganhar alguns poderes que Deus tem. Esse pressuposto não é lógico, mas probabilístico. Calculamos uma baixa probabilidade de esses poderes serem compartilhados com base na enorme superioridade de Deus na Bíblia e a extrema inferioridade do homem.

Apesar disso, é possível supor que essa percepção está errada por perder de vista um ou outro fator a ser considerado no cálculo. Um desses fatores pode ser a lógica. Se a alma é imortal, temos que os mortos sobrevivem conscientes de modo imaterial. E a pergunta é: como funciona esse modo de existência? Não sabemos ao certo. Mas sabemos que Deus, por ser originalmente imaterial, ocupa todos os espaços (por meio de seu Espírito Santo). E que por ser originalmente atemporal, conhece todos os momentos. Então, é possível supor que quando o homem se torna apenas alma imaterial, passa a ocupar todos os espaços. E que, saindo do plano material, sai também do plano temporal, tornando-se conhecedor de todos os momentos como Deus. Em outras palavras, pela lógica talvez qualquer ser que se torne imaterial, torne-se também aespacial, atemporal e, por conseguinte, capaz de ouvir tudo e todos ao mesmo tempo. Talvez seja isso mesmo: mortos se tornam praticamente semideuses.

Neste ponto, a discussão passa a ser bastante especulativa e tudo se torna possível. Isso complica a vida do protestante, que pode estar lutando contra algo perfeitamente correto e lógico. Por essa razão, o pensamento adventista julga que a argumentação protestante tradicional é insuficiente e que, por isso, protestantes imortalistas não possuem razão sólida para rechaçar a veneração/oração aos santos.

O argumento basilar pelo qual adventistas descartam a legitimidade da veneração/oração aos santos é bem mais profundo: a doutrina da imortalidade da alma não é aceita. Com base em diversas passagens bíblicas, o adventismo entende que o conceito imortalista é falso, antibiblico, introduzido nas doutrinas cristãs por influência do helenismo (que influenciou boa parte dos mestres judeus), da filosofia grega, do mundo religioso no geral (majoritariamente imortalista) e justificado por passagens mal interpretadas da Bíblia. Mas do ponto de vista realmente bíblico, alcançado pelas regras básicas de interpretação, o homem, ao morrer, teria sua consciência desativada até a ressurreição, ficando em um estado de plena inconsciência e impotência.

Quando trabalhamos com esse pressuposto, a negação da veneração/oração aos santos é logicamente irrefutável. Se realmente a alma não é imortal e o santo falecido está, de fato, morto, ele não pode ouvir, ver ou fazer qualquer coisa. Acima de qualquer dúvida, orar ao morto é orar à ninguém.

Por uma questão de dedução lógica, o modelo mortalista adotado pelo adventismo é muito superior ao modelo imortalista católico/protestante tradicional. Perceba a dedução no modelo imortalista: se os santos mortos estão vivos num plano imaterial, há intercessão por nós e há alguma possibilidade de interação. Ora, se a interação for fato, então não há razão para se negar a possibilidade de conversarmos de modo direto com os santos (através de aparições deles a nós) ou semidireto (por meio de médiuns).

A oração, lembremos, é uma conversa. Se o santo está vivo e eu posso falar com ele e ser ouvido, por qual razão essa interação não poderia ocorrer de maneira mais próxima? Não há razão, pois não há diferença substancial. Tanto quem procura um médium para falar e ouvir um morto, como quem fala e ouve o morto através de orações, sensações e experiências indiretas estão, via de regra, interagindo com o falecido, estabelecendo uma comunicação.

Dois fatores corroboram para a aceitação de comunicações mais diretas com os mortos:

(1) imortalistas tendem a crer em aparições de mortos. Os católicos reconhecem muitas delas ao longo da história. Os espíritas existem como religião por causa dessas manifestações. E os protestantes, embora atribuam tais fenômenos ao trabalho de demônios, crêem que Moisés de fato apareceu no monte da transfiguração a Jesus (Mt 17:1-6) estando morto (isto é, no estado imaterial) o que, se é fato, implica que Cristo, como homem e na terra, estabeleceu comunicação com um morto. Se for considerado que Paulo realmente subiu ao céu (II Co 12:1-4) e lá havia santos mortos, então ele também pode ter estabelecido tais comunicações. Aqui fica claro que o imortalismo oferece um caminho inevitável para essas interações.

(2) se o imortalismo está correto, santos mortos são como anjos (imateriais e habitantes do céu). A Bíblia está cheia de exemplos de comunicação entre homens e anjos aqui na terra. É natural que a comunicação entre santos mortos e homens também ocorra e seja legítima.

Essas deduções implicam a criação de pontes entre o catolicismo, o protestantismo e o espiritismo no que tange à possibilidade de interação com mortos. E torna, portanto, razoável a mediunidade, a invocação aos mortos, as aparições deles e até mesmo as possessões de corpos. O grande problema aqui é que, evidentemente, essas coisas são expressamente proibidas pela Bíblia. Em Isaías 8:19-20, por exemplo, é dito:

“Quando disserem a vocês: ‘Consultem médiuns e espíritas que murmuram encantamentos, pois todos procuram seus deuses e os mortos em favor dos vivos’, respondam: ‘À lei e aos mandamentos!’. Se eles não falarem conforme esta palavra, vocês jamais verão a luz!” (NVI).

Claramente a consulta aos mortos é proibida. Isso significa que não apenas a mediunidade é alvo de desagrado ao Senhor, mas qualquer interação com mortos. Afinal, não há diferença entre se consultar um morto de maneira semidireta (mediunidade), direta (invocação/aparição) e indireta (oração). Se estabeleço uma comunicação a fim de conseguir conforto, apoio, sabedoria, força, proteção, benção, intercessão ou qualquer outra coisa, estou me consultando com o morto, ou buscando consultoria, ou “ele está me prestando uma consulta”. Aqui, então, católicos, espíritas e protestantes tradicionais se apresentam em apuros.

O caso protestante é mais interessante por ser mais sutil. Eles não passam a vida fazendo contato com mortos. Mas ao crerem que Moisés apareceu como alma para Jesus estão, sem querer, afirmando que Jesus se consultou com mortos. Se o imortalismo está certo, isso é comum no céu, já que tanto Jesus como os santos moram lá. Mas estando Jesus na terra e como homem, sendo parte de sua missão viver como homem e cumprir toda a lei, a interação com Moisés seria errada.

Note que a única história bíblica anterior que retrata detalhadamente uma interação entre um vivo e um morto é a do rei Saul consultando uma médium para falar com o falecido profeta Samuel (I Sm 28). Não é um exemplo positivo. O rei vinha de uma série de erros graves, já não era ouvido por Deus e estava desamparado. Como ele, todos os reis que foram crentes na mediunidade e recorreram a esse expediente foram chamados de maus pelo Senhor. Qualquer judeu, portanto, que fosse para um monte na intenção de travar interação com um profeta já morto, como Jesus parece ter ido, estaria violando a lei.

A situação de Paulo é semelhante. Ele alega ter ido ao céu. Se nessa ida, interagiu com mortos, ainda que só ouvindo, o que temos é a quebra da lei. Embora esse ponto seja especulativo, não é forçoso considerar que, havendo Paulo visto mortos conhecidos, tenha se interessado em falar com eles e ouvi-los. Isso, no entanto, seria errado.

É nesse ponto que se levanta a pergunta: por que, afinal, falar com mortos seria errado? Por que a Bíblia faz a proibição? O protestante tradicional pode dar duas respostas possíveis. A primeira, já mencionada, de que o santo não nos ouve nem vê. Ou talvez até ouça e veja, mas Deus impede a comunicação por uma imposição da punição da morte. A resposta é possível, mas carece de prova cabal, ficando só no campo da especulação.

A segunda resposta seria que a comunicação com os mortos tem potencial para nos fazer substituir Deus por eles. Esse segundo argumento é frágil porque (a) não aponta um problema na interação com mortos em si, mas num possível desvio do crente – que pode ocorrer ou não, evidentemente; (b) a permissão da interação não implica necessariamente acesso irrestrito – Deus poderia permitir a interação só em momentos raros, tal como faz em relação a milagres; e (c) proibir interação com mortos pelo risco das pessoas recorrerem mais a eles que a Deus imporia a necessidade de proibir interação entre vivos pela mesma razão.

Do lado católico, as razões dadas para não aceitar a mediunidade poderiam ser as mesmas do protestante (com as devidas adaptações), mas além das falhas já explicadas, esbarrariam na incoerência de rejeitar alguns tipos de interação com mortos, mas aceitar outros. Buscar o auxílio de mortos por meio de orações é contradizer Isaías 8:19-20 e toda a Bíblia do mesmo jeito. E os mortos aparecerem, estabelecendo contato é uma forma de tentar o homem a fazer algo que a lei proíbe e Deus odeia.

Como fica claro, portanto, a melhor maneira de lidar com esses problemas é pressupondo o mortalismo. Sob esse prisma, a proibição de se consultar os mortos se dá porque eles estão realmente mortos. Eles nada podem fazer. Aceitando isso, fica fácil entender o resto. Jesus não interagiu com mortos no monte da transfiguração. Interagiu com um Elias vivo (a Bíblia não narra sua morte, mas sua subida aos céus e consequente desaparecimento – II Rs 2:1-15) e com um Moisés ressuscitado (no mesmo corpo original, que Deus fez questão de esconder de Satanás – Dt 34:1-6 e Jd 1:9). E Paulo não viu nenhum santo morto nos céus; no máximo viu alguns ressuscitados prévios (como o próprio Moisés, por exemplo), que também ganharão corpo glorificado na volta de Jesus Cristo a terra (I Co 15:42-58 e II Ts 4:13-18).

O modelo mortalista é superior não apenas por evitar os problemas teológicos que o imortalismo suscita, mas por contar com apoio bíblico explícito. Diversas passagens falam que na morte não há consciência, pensamentos e obras (Sl 146:3-4, Sl 115:17-18, Sl 17:15, Sl 6:4-5, Sl 49:12-20; Ec 3:18-20, Ec 9:5-6 e 10, Ec 12:1-7; Is 38:17-19; Dn 12:2; Jó 3:11-22, Jó 7:9, Jó 10:18-22, Jó 14:10-14, Jó 17:13-16; Ml 4:1-3; Mt 3:12; At 2:25-35; I Co 15:12-23; I Ts 4:16-17; Ap 20:14, Ap 21:8).

Ademais, tendo o mortalismo por base, os demais argumentos protestantes contra a veneração/oração aos santos ganham muito mais força. Não havendo um estado imaterial consciente na morte, é certo que atributos divinos exclusivos de Deus são projetados falsamente em seres humanos já falecidos. O argumento da divinização deixa de ser probabilístico. Também os que buscam interação com os mortos estão recorrendo a um expediente inútil, em vez de se voltarem unicamente a Deus. Para os mais inclinados a substituir Deus, essa atividade inútil os aproximará da idolatria. Para os mais fiéis a Deus, gastarão tempo que poderiam dar ao Senhor. Nos dois casos, Satanás pode e tentará se aproveitar dessas falhas. Aqui o argumento da possibilidade de desvio do crente ganha mais impacto: essa possibilidade advém de uma atitude inútil, desnecessária e doutrinariamente errada – motivo suficiente para que a atitude seja proibida.

Pelo prisma do mortalismo é possível entender melhor também porque a mediunidade é ainda pior que a veneração aos mortos. Uma vez que o morto está realmente morto, Satanás (ou qualquer demônio) pode se passar pelo falecido, enganando a todos que buscam o contato. A Bíblia prevê isso em II Coríntios 11:14 e a história de I Samuel 28:11-14 demonstra que foi exatamente isso o que ocorreu. Saul não fala com Samuel, mas com alguém que ele entende ser Samuel.

A ideia de venerar/orar a santos não advém do judaísmo, nem do cristianismo, mas da tradição religiosa milenar (compartilhada por diversas religiões ao longo do tempo) de exaltar, temer e contar com o auxílio de antepassados mortos. A maioria das religiões tribais (senão todas) possuíram e ainda possuem crenças baseadas nessa tradição. Na Bíblia, no entanto, não se encontra vestígios de que qualquer tipo de interação com mortos fizesse parte das crenças e práticas de judeus fiéis a Deus. Não há no AT, nem no NT, um único exemplo de que verdadeiros judeus/cristãos oravam à santos ou que santos faziam aparições para travarem comunicação.

Existem, é verdade, vestígios de que alguns cristãos e judeus do primeiro século às vezes se mostravam inclinados a crerem em fantasmas, o que ocorria em momentos de medo e incerteza (Mt 14:26 e Mc 6:49). A Bíblia não elogia ou afirma que tais crenças eram verdadeiras e os contextos em que são expressas indicam não um dogma formatado pelo judaísmo/cristianismo dá época, mas um conjunto de crendices advindas do paganismo que, em face ao medo e à incerteza, eram consideradas por alguns. Em momentos assim, teorias estranhas facilmente vem à tona (Atos 12:15-16). E os judeus não estavam livres disso. Apesar dessas crendices populares (que se tornavam mais recorrentes), não existia entre os judeus e primeiros cristãos o hábito de exaltar mortos e orar a eles, como nas religiões pagãs.

É apenas no cristianismo pós-apostólico (proto-romano e romano) que a exaltação aos mortos começa a ganhar status de dogma no cristianismo, ganhando formatação doutrinária oficial. Embora no cristianismo católico romano, tal exaltação seja, de fato, bastante suavizado em relação às tradições pagãs (já que Deus é encarado como supremo e o santo como alguém que conduz a Deus), a exaltação continua possuindo um nível inconveniente para uma criatura.

Vislumbra-se melhor a inconveniência dessa exaltação católica aos santos quando pensamos em termos de pessoas vivas. Façamos um exercício de imaginação. Suponha que tenho um amigo de ótimo proceder, cristão genuíno e de grandes obras de caridade. Um dia resolvo fazer algumas estátuas em sua homenagem. Faço também um pequeno altar em minha casa para colocar o monumento. Diariamente me ajoelho diante do altar, ligo o meu celular, faço uma chamada para meu amigo é converso com ele de joelhos, agradecendo pela amizade, exaltando suas virtudes, pedindo ajuda e proteção. Carrego uma foto dele comigo e ligo várias vezes por dia quando me sinto mal ou com medo. Beijo sua foto e a distribuo para amigos. Em minha Igreja, todos concordam em fazer um altar para uma estátua dele e colocamos o nome dele na paróquia. No seu aniversário, carregamos sua estátua por quilômetros, cantando louvores a ele. Quando estou em sua presença, me ajoelho, prostro-me aos seus pés.

Diante de tudo isso, certamente me diriam que eu idolatro o rapaz. Não se trata mais de mero respeito e admiração. Qualquer um rechaçaria uma relação dessa. Pois é o que o catolicismo permite fazer aos santos.

Mesmo que um católico argumente que o amigo do exemplo ainda não morreu, estando sujeito a falhas e até apostasia, e, portanto, não devendo ser venerado, o fato é que isso é apenas possibilidade. Os que hoje são considerados santos foram santos quando vivos aqui na terra. Se alguém tivesse venerado um santo antes de ele morrer, não pode ser acusado de erro, pois venerou alguém que, de fato, acabou vivendo e morrendo como santo. Essa reflexão demonstra a estranheza desse tipo de veneração. Estamos preparados para ver a exaltação de pessoas, mas apenas depois de mortas. A essência do ato, no entanto, é a mesma.

A tradição de venerar mortos de maneira exagerada só existe, como resta claro ao fim dessas análises, por conta da crença na imortalidade da alma. É ela não apenas a mãe da adoração aos mortos como de várias outras doutrinas falsas como a da reencarnação, das almas penadas, da mediunidade, da possessão (por espíritos humanos), do purgatório e do inferno eterno. Por causa dela, cosmovisões deturpadas inteiras surgem. E é esse o problema da argumentação protestante tradicional. Ela ataca a veneração sem atacar a imortalidade da alma, quando esta é causa daquela. Por conseguinte, não tem como opor-se de modo plenamente efetivo e convincente ao dogma católico.

Concluímos, assim, que ao rejeitar o imortalismo e com apoio bíblico explícito, o adventismo se coloca totalmente à salvo de todas as falsas crenças que a doutrina produziu, incluindo a veneração/oração aos santos. Com isso preserva-se pura a mensagem bíblica e a imagem correta do caráter e da grandeza de Deus. O Senhor, como cremos, não compartilha de sua divindade com nenhuma criatura. Ao homem caído, a morte é uma punição, não um prêmio capaz de nos tornar divinos ou semidivinos. Temos como a grande esperança não a nossa morte seguida de uma suposta vida imaterial celeste, mas na volta de Jesus e a consequente ressurreição corpórea dos mortos, conforme afirmam as Escrituras.