Por Patrike Wauker

“Venha o teu reino; faça-se a tua vontade, assim na terra como no céu”.
(Mateus 6:8)

Esse verso apresenta o tema do Evangelho de Mateus. Mateus diversas vezes declara que o reino chegou, que as pessoas devem se arrepender pois o reino está próximo, além de afirmar que o Rei deste Reino é Jesus. Se vocês lembrarem, Mateus é o evangelista que cita que quando Jesus nasce, Herodes procura matá-lo. Há aqui um embate, Herodes acredita que ele é o rei desta terra, e tenta matar Jesus Cristo – pois Cristo é o verdadeiro Rei. A apresentação desse tema, entretanto, não é meu objetivo aqui. Geroge Eldon Ladd, em seu O evangelho do reino, já escreveu sobre isso, e apresentou muito bem a compreensão do Reino de Deus que os escritores bíblicos tinham.

O que eu gostaria de apresentar para vocês é a forma como o escritor C. S. Lewis trabalhou esse tema em sua série de livros As Crônicas de Nárnia. Como bem analisou Alan Jacob essa série aborda a história de “um Rei não reconhecido, porém verdadeiro, e ao empenho de seus legalistas em recuperar ou proteger seu trono contra possíveis usurpadores” (MACSWAIN e WARD, 2015, p. 344). Assim é em O leão, a feiticeira e o guarda-roupa, quando a Feiticeira Branca se diz rainha de Nárnia; ou em O Príncipe Caspian, que tem seu trono roubado; ou mesmo em A viagem do peregrino da alvorada, no qual Caspian, ao fim do livro, “ é impedido de abdicar e é lembrado de seu dever de servir a seus súditos, e não a seus interesses pessoais. Ele não deve usurpar a si próprio.” (MACSWAIN e WARD, 2015, p. 345).

Essa história se aplica muito bem à nossa vida. Nós vivemos neste mundo e não sabemos ao certo o que é ser cristão. Achamos que ser cristão é simplesmente ir ao culto e sentir uma coisa estranha no coração. Achamos que ser cristão é concordar com a doutrina da igreja. Achamos que ser cristão é andar de terno no sábado. Nós condicionamos nossa crença ao que pensamos, ao que sentimos, ou ao que representamos perante os outros.
Mas Lewis quebra todas essas ideias quando aborda o tema da Soberania. N’As Crônicas de Nárnia, ser um verdadeiro narniano é estar do lado de Aslam, é lutar contra a feiticeira, é ajudar Aslam nas coisas grandes, e nas pequenas. E todos são chamados a fazer algo. Alguns são como Pedro que se tornam guerreiros, outros são como Lúcia, que devem ajudar em outras áreas do campo de batalha, – mas, independente de tudo isso, todos têm um papel.

A realidade é que ser um cristão não é simplesmente declarar crença em Deus, não é ir para o culto de terno, não é levantar a mão na hora que tocam um louvor. Ser cristão envolve muitas dessas coisas, mas não se resume a elas. Ser cristão é batalhar ao lado de Cristo. Achamos o máximo As Crônicas de Nárnia, achamos emocionante imaginar-nos lutar ao lado de Aslam, mas não entendemos que realmente aqui existe uma guerra. Há algo acontecendo neste mundo. Satanás está aqui, como aquela feiticeira branca, dizendo que é o senhor deste mundo, e somos hoje chamados por Cristo para tomar uma decisão, – para decidir-se por lutar ao lado de Cristo, ou de Satanás.

Como João declara “[…] Para isto o Filho de Deus se manifestou: para desfazer as obras do diabo.” (I João 3:8).

E é por isso que ir ao culto é importante, e é por isso que vestir roupas adequadas é importante, e por isso que cantar louvores saudáveis é importante – porque cada ação que praticamos neste mundo declara ao universo a quem servimos e de que lado da guerra estamos.

Lewis estava certo, há uma guerra aqui. E como já declarou um dia A. W. Tozer, este mundo não é um lugar de prazer, mas um campo de batalha. Não vivemos em um salão de jogos, mas em um local em que cada ação que tomamos declara de que lados estamos na guerra.

Tomemos nossa decisão.

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Referências:

MACSWAIN, Robert; WARD, Michael (Org.). C. S. Lewis: além do universo mágico de Nárnia. SP: Martins Fontes, 2015.