Por Davi Caldas

A esquerda moderna pode ser analisada em termos de tara sexual. Praticamente todas as suas pautas se referem a sexo ou, no mínimo, orbitam em torno das relações sexuais. Essa essência não é exatamente exclusiva da esquerda moderna, na verdade. Desde sua origem, na Revolução Francesa, a libido desordenada dos jovens revolucionários e gurus acadêmicos sempre esteve presente como inspiração dos movimentos. Mas talvez o economicismo do marxismo ortodoxo tenha estagnado ou desacelerado essa área das revoluções progressistas nas décadas posteriores, focando mais na luta armada, na estatização dos meios de produção, nos Gulags, na violência desmedida.

Eis o ponto diferencial entre a velha e a nova esquerda. A nova esquerda, que começou a ser germinada com Gramsci, Lukács, Marcuse, Adorno, passando por Foucault e nomes mais recentes, resgatou aquele feeling revolucionário francês, aquela depravação sexual tão potente e destrutiva. Percebeu-se que o combate cultural era muito mais eficaz para moldar as mentes, criar militantes e extirpar o conservadorismo e a religião das pessoas do que discussões inócuas sobre economia e a força bruta dos golpes e ditaduras. E nesse combate cultural, o sexo, obviamente, é a arma mais poderosa.

A esquerda moderna emergiu das taras, da promiscuidade, do hedonismo puro. E tem se mantido sob estas bases. Assim, toda a sua visão de mundo e todos os seus projetos estão sempre envoltos de uma discussão sobre sexo. A constatação é fácil. Por exemplo, o aborto. A razão primordial para sua ardorosa defesa é a possibilidade legal de transar sem preservativos, engravidar e poder fugir da consequência. A segunda razão é apenas tornar o sexo ainda mais inconsequente e erodir mais a moral judaico-cristã.

O mesmo pode se dizer em relação a outras pautas: incentivo e luta pelo ensino de ideologia de gênero nas escolas; pelo uso do banheiro escolar sem distinção entre meninos e meninas; pela educação sexual no currículo escolar de crianças e adolescentes; pela naturalização do sexo na adolescência; pela desconstrução do casamento e da família tradicionais; pela normatização das relações homossexuais e poliamorosas, do divórcio, do sexo sem compromisso, da promiscuidade. Tudo, no fim, tem a ver com sexo ou leva ao sexo.

A tara da esquerda moderna por sexo é tão grande que ela chega a projetar isso em seus oponentes, dizendo que os conservadores são reprimidos sexualmente e que se preocupam com os hábitos sexuais alheios. A verdade é que qualquer pessoa normal e moral (não precisa ser de direita para isso) trata sexo como um assunto de cunho pessoal, íntimo, não algo a orientar e conduzir todas as discussões sobre qualquer tema público.

É a esquerda moderna, não as pessoas normais, que possui algum distúrbio sexual grave, uma incapacidade latente de autocontrole e de mudança de assunto. Aparentemente, os adeptos da esquerda moderna são controlados não por seus cérebros, mas por seus órgãos genitais (e excretores). Projetar essas taras nos que discordam deles é inevitável. Quando se é tarado, a impressão é que todos são também. E aí quem tem autocontrole, senso das proporções e cabeça no lugar é entendido como um reprimido e repressor.

As constantes comparações desse tipo de esquerdista/progressista entre humanos e animais, na intenção de provar que suas taras são naturais, já é prova de que possuem sérios problemas morais e, quiçá, cognitivos. O que nos difere dos animais são justamente as capacidades plenas de raciocínio e moralidade. Animais se guiam muito mais por instinto. O esquerdista moderninho, no entanto, pensa que devemos tomar animais como exemplo.

O mais assustador de tudo isso está em que ao criar um ambiente tão propício para esse hedonismo galopante nutrido pelo desejo sexual desordenado, a esquerda planta mais sementes dos problemas que jura combater. Quando as consequências florescem, protestam, como se não tivessem culpa no cartório. Aumento de criança sem pai, de aborto, de família desestruturada, de gravidez na adolescência, de DST, de objetificação dos corpos e das relações, de suicídios, de viciados, de gente vazia sem sentido na vida, de egoístas, de hipócritas, de fracos, de pessoas sem capacidade de assumir compromissos, de imaturos e inconsequentes, de estupradores, de criminosos.

No fim, a culpa será jogada na própria “sociedade conservadora”. E se jurará que ainda mais “liberdade sexual” é o remédio para todos os males. Por liberdade sexual, leia-se disseminação de uma cultura da depravação por todos os meios possíveis e consequente destruição completa da moral sexual judaico-cristã e conservadora (a qual, vale lembrar, fundou o ocidente juntamente com a moral em outras áreas importantes).

A nova esquerda é tarada. E não precisa ser de direita para perceber isso. Está muito claro. E é essa tara dela que será responsável pelas reações mais descompensadas no futuro (inclusive advindas da direita). Se ela não destruir o mundo na imoralidade, vai propiciar a destruição do mundo pelas reações radicais que surgirão. Quando se puxa um elástico para um extremo até seu ponto máximo de elasticidade e ele não arrebenta, no momento em que for solto voltará para o outro extremo com força total. Os tarados estão cavando as próprias covas. As deles e as nossas também.