Por Arthur Rodrigues

Em 1987 Paulo Freire popularizou no Brasil a falácia do “você pode ser o que quiser ser”, como se todos nascessem com a mesma aptidão mental. Na “Pedagogia do Oprimido”, o pedagogo, patrono da educação brasileira, cravou talvez a mais absurda máxima proferida em terras tupiniquins: ”Não há saber mais, nem saber menos, há saberes diferentes”.

Um sem-número de trabalhos científicos já refutaram essa afirmação tresloucada, mudando os rumos da hegemonia freiriana na educação brasileira. O antagonismo a essa pedagogia resultou inclusive numa obra organizada por Thomas Giulliano, intitulada “Desconstruindo Paulo Freire”.

Mas o mais surpreendente nisso tudo é que 18 anos antes, quase que como numa revelação divina, o maior apologista cristão de todos os tempos, C.S. Lewis, previu a diabólica pedagogia do oprimido. Aqui não usamos o termo “diabólico” para supervalorizar a argumentação, Lewis descreveu o pensamento de Freire numa ilustração de um discurso proferido por um demônio no inferno. Transcrevemos abaixo o texto para facilitar o entendimento:

“Nas escolas, as crianças que forem muito estúpidas ou preguiçosas demais para aprender línguas, matemática e ciências podem ser levadas a fazer aquilo que as crianças costumavam fazer em seu tempo livre. É possível deixá-las, por exemplo, fazer bonequinhos de lama e dar a isso o nome de modelagem. Mas, em todo esse tempo, em nenhum momento deve-se mencionar o fato de elas serem inferiores às crianças que estão empenhadas. Não importa qual seja a bobagem em que estiverem envolvidas, a nova educação deve contemplar – penso que os ingleses já estejam usando essa expressão – a “igualdade de valor”. E é possível conceber um esquema ainda mais drástico. As crianças que estiverem aptas a passarem para uma classe mais adiantada podem ser mantidas na classe anterior usando métodos artificiais, com a justificativa de que as outras poderiam contrair algum tipo de trauma– por Belzebu, que palavra mais útil! – por serem deixadas para trás. Assim, o aluno mais inteligente permanecerá democraticamente acorrentado a seus colegas da mesma idade por toda a sua carreira escolar, e um menino que é capaz de compreender Ésquilo ou Dante será obrigado a ficar sentado, ouvindo seus contemporâneos tentando soletrar ‘Vovô viu a uva’.” (A Última Noite do Mundo, p.82)

O que Lewis faz em “Maldanado propõe um brinde” (The Saturday Evening Post, Dezembro de 1959) não é um exercício de futurologia, apesar de utilizarmos a hipérbole que leva a conclusão de algo sobrenatural, mas sim a apurada percepção da transformação da educação na Inglaterra. Uma educação formatada para os fracos, que logo cruzou o atlântico e causou a desgraça completa da nossa civilização.

Em seu discurso para os demônios estreantes, Maldanado ainda prescreve uma via de acesso rápido para a concretização dessa “Educação democrática”, quando diz: “É claro que isso só aconteceria se toda a educação se tornasse estatal” (LEWIS, P.83,  2018). Não nos surpreende constatar que essa é justamente a nossa realidade. Uma educação completamente aparelhada pelo Estado, que quando não faz às vezes fornecedor, atua como concessor. E aqui nem vamos aprofundar as discussões sobre as dificuldades maquinadas pelo “Estado babá” para impedir a educação privada, a exemplo dos empecilhos criados pelo STF ao Homeschooling.

 Lewis, no alto de sua sabedoria, ainda previu o resultado de tudo isso:

“o ‘Espírito democrático’ (No sentido diabólico) produz uma nação desprovida de grandes homens, uma nação composta essencialmente de analfabetos, seres moralmente frouxos pela falta de disciplina na juventude, cheios de autoconfiança que as bajulações criaram em cima da ignorância, e molengas em virtude de toda uma vida de mimos”. (LEWIS, P.84, 2018)

Não é justamente esse o retrato da nação brasileira? Um país de analfabetos funcionais, onde os ignorantes tem voz, onde todos são lobotomizados a pensar que podem ser o que quiserem, onde o pensamento de “eu sou tão bom quanto você” impera, onde a humildade se esconde, onde a ruína está à beira da porta.

Maldanado encorpa seu discurso, com tom de ‘gran finale’, com o grande regozijo satânico: “E é nisso que o Inferno deseja que todas as pessoas democráticas se tornem”. Reflitamos!

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Bibliografia

 FREIRE, Paulo.Pedagogia do oprimido. 17ª ed. Rio de Janeiro, Paz e Terra, 1987.

GIULLIANO, Thomas. Desconstruindo Paulo Freire. 1ª Ed. Fortaleza, Expressão Gráfica, 2017.

LEWIS, C.S. A Última Noite do Mundo. 1ª Ed. Rio de Janeiro, Thomas Nelson, 2018.