Por Davi Caldas

Alguns jornalistas criticaram o fato de Jair Bolsonaro, eleito neste domingo o novo presidente do Brasil para o mandato de 2019 a 2022, ter orado com sua equipe antes do discurso da vitória e ter colocado uma Bíblia em sua mesa numa das aparições falando à nação na noite de ontem. Ele também citou Deus e a Bíblia algumas vezes durante sua fala. Segundo os críticos, isso seria uma quebra do Estado laico.

A confusão sobre o que é Estado laico não é nova. E até mesmo religiosos a cometem. Para estes jornalistas e muitas outras pessoas, Estado laico é a total ausência de manifestação religiosa por políticos em espaços públicos e de profissionais em suas profissões. Mas isso está longe de ser o conceito correto. Na verdade, se fosse proibido à qualquer pessoa a manifestação de suas crenças religiosas em público isso seria o exato oposto de um Estado laico: um Estado confessional.

Um Estado confessional é aquele que milita contra a liberdade de crença, impondo às pessoas uma fé oficial do governo. Essa fé pode ser em uma religião espiritual, como cristianismo, judaísmo, islamismo, budismo. Mas pode ser também numa visão ateísta de mundo e em alguma ideologia redentora como o positivismo, o comunismo, o fascismo e o nazismo.

A antirreligião também é, queira ou não, a imposição de uma fé: a fé de que a religião faz mal e deve ser extirpada da sociedade. Impor isso pelo governo ou dificultar a crença criando embaraços para que as pessoas não as sigam publicamente é o princípio da perseguição religiosa, justamente o que o Estado laico original pretende evitar. Estados antirreligiosos são Estados confessionais, não laicos.

O verdadeiro conceito de Estado laico prevê um governo neutro, o qual permite que todos possam crer no que quiserem em matéria de fé e se manifestarem publicamente sobre isso – desde que sua fé não seja imposta aos demais.

Bolsonaro ou qualquer outro político que cite Deus e a Bíblia em discursos públicos ou que queira agradecer ao seu Deus por ter sido eleito, não está quebrando o Estado laico, mas exercendo sua liberdade religiosa. É a proibição desse ato que seria um atentado à neutralidade do Estado.

Bolsonaro e sua equipe não impuseram sua fé a ninguém. Apenas seguiram as suas próprias. Devemos respeitar esse direito deles, assim como esperamos que eles respeitem o nosso de sermos o que quisermos: ateus, agnósticos, cristãos, judeus, islâmicos, espíritas, budistas, umbandistas, etc. Em um Estado laico há espaço para todos crerem no que quiserem e se manifestarem publicamente sobre isso. Estado laico não é e nunca pode ser um Estado antirreligioso.

O canal do Reação Adventista no Youtube publicou semanas atrás um vídeo sobre este assunto, com a participação de Elton Queiroz, doutorando em Teologia Bíblica pela PUC Rio. Assista!