Por Davi Caldas

Existe fórmula infalível para um casamento dar certo? Não, não existe. Isso porque a vida é imprevisível. Sempre pode ocorrer algo além dos nossos planos, vontade e alcance. Por exemplo, você pode fazer tudo certo no seu casamento, mas seu cônjuge, por fraqueza própria, resolver ser infiel. Acontece. Não temos controle sobre as escolhas do companheiro. Também é possível que diante das dificuldades da vida, um dos dois comece a mudar a forma como agia antes, causando problemas na relação. Existem ainda os casos em que um acidente ou doença grave sobre um dos dois desencadeia um processo de esfriamento do amor em um dos dois. Isso significa que, ao menos do ponto de vista individual, o casamento é sempre uma aposta, por mais que nos esforcemos muito para ter êxito nele. E quase tudo na vida é assim. Uma fatalidade sempre pode desviar o curso que estávamos seguindo.

Agora, vamos mudar a pergunta: existe fórmula infalível para um casamento NÃO dar certo? Existe. Há uma série de princípios que se não forem observados vão fazer um casamento dar errado. Antes de começar a listar, no entanto, vamos definir aqui o que quero dizer por “dar errado” ou “não dar certo”. Uso essas duas expressões não só para me referir a um matrimônio que se finda por meio de divórcio ou separação informal. Eu estendo as expressões para um casamento que dura até a morte de um dos cônjuges, mas que se tornou árido, pesado, sem graça e infeliz. Um matrimônio assim pode durar “até que a morte os separe”, mas ainda assim não dar certo. “Dar certo” ou “não dar errado”, portanto, consiste no casal permanecer junto até a morte e sentindo prazer na presença um do outro e na relação construída. Dito isso, vamos ao que interessa. Qual a fórmula para um casamento não dar certo?

1) Escolher alguém para ser seu cônjuge que não se interessa tanto por Deus (e pelas coisas de Deus) como você.

Essa questão não engloba apenas a “benção de Deus”, como muitos podem pensar. Na verdade, há um ponto muito mais prático e natural aqui. Se você se casa com alguém que não vibra com aquilo que mais importa na sua vida, com aquilo que mais faz o seu coração palpitar, com aquilo sobre o qual você ama falar o tempo todo, que graça terá sua relação?

Já passou pela situação de estar empolgado com algo que você gosta muito, compartilhar com alguém que você ama e aquela pessoa não se mostrar interessada ou apenas forçar um interesse por educação? É horrível, né? No fim, você se desestimula de compartilhar com aquela pessoa. Não é importante para ela. Ou não tão importante.

Por outro lado, já sentiu aquela alegria de compartilhar algo que você gosta muito e a pessoa ao lado vibrar com você? Quando percebemos que a pessoa ao lado ama aquilo que amamos, a alegria é indescritível. Horas e horas de conversas se seguem. Você tem uma rica troca de experiências, análises, opiniões e impressões sobre aquilo que ambos acham sensacional.

O ponto de vista inverso também nos ajuda a vislumbrar bem essa questão. É ruim quando alguém compartilhar algo conosco que não achamos muito interessante. Temos que mostrar interesse para sermos educados ou correr o risco de magoar a pessoa por dizer que não queremos saber daquilo.

Numa relação de amizade, é possível relevar esses pontos. Os amigos relevam as diferenças e focam nas semelhanças. Mesmo quando as diferenças são em pontos muito importantes. Assim, é possível haver uma boa amizade entre um cristão fervoroso e um ateu, por exemplo. O que provavelmente ocorrerá é que ambos focarão muito mais em pontos semelhantes entre eles (um amor em comum por livros de ficção científica, uma posição política, filmes de heróis, esportes radicais, bandas de música, um curso universitário, uma área de conhecimento, etc.) do que na religião.

Temos amigos por assuntos, muitas vezes. Há tipos de amigos com os quais só conversamos sobre X e Y, enquanto com outros conversamos sobre A e B. Com alguns poucos, podemos conversar agradavelmente sobre o alfabeto quase inteiro. Não há nenhum problema nessas diferenças e um bom cristão sabe ter amizade com vários tipos distintos de amigos.

Um casamento, no entanto, é algo maior que mera amizade. Engloba a amizade, pois é claro que não faria sentido se casar com um mero colega ou um inimigo. Mas enquanto a amizade pura e simples não impõe a necessidade de uma semelhança tão ampla de gostos e perfis, mesmo em coisas altamente relevantes como religião, a relação conjugal sim.

Quando nos casamos, estamos escolhendo compartilhar toda a nossa vida com outra pessoa. Não é só uma parte. Eu vou morar com a pessoa, dormir com ela, trabalhar por ela, tomar decisões com ela, criar os filhos com ela. Todos os meus projetos passam a ser também os dela e vice-versa. Isso vai muito além do que ocorre numa relação entre só amigos. Logo, não só a amizade deve ser muito grande, como as semelhanças nas áreas mais relevantes (e num grande número de áreas) precisam ser fortes. É preciso haver uma maior identificação, uma maior vibração mútua. O cônjuge não pode ser aquele amigo com quem você só consegue conversar de modo agradável e vibrante sobre A ou B, X ou Z.

Se isso vale para diversos gostos, visões e práticas do casal, muito mais para a questão de Deus e as coisas de Deus. Se você escolhe alguém que não se interessa (ou não se interessa tanto) pelo mesmo Deus que e pelas mesmas coisas espirituais, você se sentirá sozinho e a pessoa também.

Você vai querer alguém para orar junto, para ir à Igreja junto, para comentar o sermão que foi pregado, para estudar a Bíblia, para evangelizar ao seu lado, para ajudar em algum ministério da Congregação, para filosofar sobre temas bíblicos, para vibrar com conteúdos teológicos, para ler livros cristãos de qualidade, etc. e não vai poder contar (ou não plenamente) com a pessoa com quem você queria compartilhar tudo o que mais importa na sua vida. Por sua vez, a pessoa ao lado se sentirá enfadada e enjoada por precisar mostrar interesse por algo que é irrelevante ou pouco relevante na vida dela.

E não estamos falando de algo mais secundário, como gostar de futebol. A religião é um ponto central, pois se ela é verdade, não há nada mais importante na vida do que conhecer a Deus, servi-lo e falar aos outros sobre Ele. Como, então, um casamento pode dar certo se a coisa mais importante da vida de um cristão não puder ser compartilhada de modo pleno com o cônjuge?

E mais: precisamos de pessoas para nos ajudar em momentos difíceis. Ninguém melhor que o cônjuge para isso, já que ele é o mais próximo física e emocionalmente. Mas se a pessoa ao lado não leva a vida espiritual a sério (ou se ela é até hostil à vida espiritual), como você será ajudado, estimulado, incentivado, abraçado, consolado, confortado espiritualmente pelo cônjuge? Não vai.

Há outra barreira: o cristão passa por problemas como qualquer outra pessoa. Quando um casal cristão fiel está com problemas, busca direção divina em oração. É na vida espiritual que primeiro está a solução. Mas se o cônjuge não está em sintonia? Essa comunhão para resolver o problema diante de Deus não vai existir. Ou não com a frequência e a eficácia desejada.

Ecolher casar com uma pessoa pouco ou nada espiritual também cria duas outras dificuldades. Primeira, o mais fraco sempre estará cometendo atos que a parte mais forte reprova espiritualmente. E isso pode gerar constantes brigas e/ou constante sensação de vazio e frustração na parte mais forte. Já na parte mais fraca, haverá sempre a sensação de que o cônjuge é um fanático religioso, um radical, uma pessoa quadrada, chata, extremista, que faz coisas desnecessárias.

Segunda, a parte mais fraca sempre terá de atuar não como auxiliadora ou guia, mas como babá espiritual. É uma carga pesada. Entramos num casamento procurando parceria, não uma relação de babá e bebê. A parte babá sempre vai ter de carregar o fardo dos dois e nunca contará com apoio. O dia que cair, ficará no chão. Não foi para isso que Deus criou um casamento.

O que mais gosto de enfatizar é que um casamento com alguém que não ame tanto a Deus como você será um matrimônio sem graça. Hoje você pode achar legal conversar com a pessoa que você gosta sobre amenidades: filmes, séries, esportes, jogos, música, etc. Amanhã você vai querer algo mais que um coleguinha com gostos secundários em comum, conversas triviais e alguns elogios. Vai querer alguém que ame e saiba conversar sobre as coisas profundas que mexem com o seu âmago. Nesse dia, alguém que gosta de filme de herói e tem um sorriso bonito não será suficiente para te preencher.

Indo um pouco além da questão mais prática e direta, devemos lembrar que uma pessoa que ama a Deus profundamente tende a ter desejo por melhorar, por observar princípios e por amar o próximo. Se os dois amam a Deus juntos e trabalham juntos para Deus, a paixão mútua por Deus acabará fazendo aumentar a paixão entre os dois. Tanto porque cada um admirará o outro pelo exemplo espiritual que ele é, quanto porque se sentirá sempre desejoso de ser mais espiritual, o que inclui ser melhor para seu cônjuge.

Por fim, o início: um casal que ama a Deus igualmente e busca a Ele junto, será abençoado por Ele. Eis que somos abençoados espiritualmente quando permitimos que o Senhor atue em nossas vidas. Não por mérito nosso, mas por lógica. Se deixamos Deus trabalhar, Ele tem como abençoar. Simples assim.

Ser abençoado espiritualmente é certeza de ter força para enfrentar momentos difíceis sem destruir o seu matrimônio. Mas isso só é dado aos dispostos. Aquele que não está disposto a amar a Deus e ao seu cônjuge profundamente, também não tem como ser abençoado na vida espiritual.

Então, a primeira regra para seu casamento não dar certo é escolher alguém que não ama a Deus tanto quanto você.

2) Deixar de lado sua função principal.

Se eu te perguntasse qual é a principal função de um marido e de uma esposa num matrimônio, o que você responderia? Essa é uma resposta que precisa estar na ponta da língua de todo cristão. A função principal do homem é ser o sacerdote do lar, da esposa e dos filhos. O homem deve zelar, cuidar, sustentar e proteger a sua família, em primeiro lugar da área espiritual. Por consequência direta, ele fará isso na área emocional, material, etc. Por sua vez, a função da mulher é ser a auxiliadora do sacerdote e edificadora do lar. Cabe a ela ajudar seu marido a ser um bom sacerdote e, na ausência dele, tomar as rédeas das situações.

O que acontece muitas vezes é que um dos cônjuges (ou até os dois) deixa de lado suas funções. O marido esquece que assim como precisa colocar comida em casa, precisa também estimular, incentivar e guiar sua casa nos caminhos de Deus. E a esposa esquece que precisa ajudar o marido na condução da casa, pensar junto, dar força, organizar, encorajar, facilitar as coisas para ele, não dificultar.

Se não há um compromisso do casal em ocupar suas devidas funções espirituais e, por conseguinte, suas funções em outras áreas da vida, tudo tenderá à desordem. Deus nos criou com responsabilidades específicas. Se nos furtamos a elas ou se procuramos desempenhar outras funções que não as nossas, não teremos muito sucesso.

É por isso que a mulher deve, antes de casar, procurar um homem que está se preparando para ser um bom líder espiritual. E ela deve, ao mesmo tempo, estar se preparando para ser uma boa auxiliadora e vice líder. Sem diferença alguma, um homem deve, antes de casar, procurar uma mulher que busca desde hoje ser uma boa auxiliadora e vice líder. E ele, por sua vez, precisa estar buscando ser esse sacerdote que uma mulher assim precisa e deseja.

Para entender essa dinâmica, é preciso ter em mente que estamos falando de funções diferentes para parceiros em igualdade. Ser um bom líder não é, nem implica ser um patrão, chefe ou déspota. E ser uma boa auxiliadora não é, nem implica ser uma empregada, subalterna ou escrava. A relação matrimonial é uma relação de complementação onde as duas partes buscam uma parceria, embora cada uma em sua função. Deus determinou funções não para que uma parte fosse mais importante que a outra, mas para que cada parte fizesse pelo seu cônjuge e pelo matrimônio aquilo que melhor pode fazer dentro de sua natureza. A finalidade não é uma relação de superioridade e inferioridade, mas de auxílio mútuo e organização.

Por essa razão, devemos escolher como cônjuge aquele que tem ciência da função que terá e que se prepara desde já para ela. E quando casados, os cônjuges não devem deixar de lado suas funções. Se você já casou e, no decorrer do matrimônio, um dos dois deixou de lado a função (ou os dois), converse isso com a pessoa e busquem, os dois, restaurar o que foi quebrado.

Um adendo: se você percebeu, para isso ocorrer, é preciso escolher alguém cristão. Um não cristão não terá plena noção de sua função e de como desempenhá-la mesmo em situações difíceis. E um cristão fraco também não terá maturidade e força para isso. Assim, a boa escolha antes do casamento e o exercício dessas funções já no namoro são coisas fundamentais para um casamento não dar errado.

A segunda regra para seu casamento não dar certo, portanto, é fugir às suas funções principais de cônjuge.

3) Não praticar o amplo diálogo.

O que quero dizer com “conversar amplamente”? Quero dizer que o casal precisa ter o hábito, desde a época de namoro, de conversar sobre todos os tipos de assuntos importantes, além de um grande número de assuntos cotidianos e os de relevância secundária. Seu cônjuge precisa se sentir a vontade para falar sobre qualquer coisa com você e, da mesma forma, você deve se sentir confortável e confiante para falar sobre qualquer coisa com seu cônjuge. E só dá para saber se as coisas são de fato assim se vocês, desde a época de namoro, conversarem muito e sobre quase todos os tipos de temas.

Essa questão vai além das conversas sobre temas externos. Ela inclui a própria relação. Se eu não gosto de algo que meu cônjuge faz ou deixa de fazer, preciso sentar e conversar com ele sobre. É um erro terrível esconder, deixar acumular e um dia explodir. Problemas devem ser resolvidos assim que surgem.

Para isso funcionar bem, alguns princípio são primordiais: abordar o tema com calma, serenidade, em tom de voz normal e escolhendo bem as palavras; procurar não ofender ou menosprezar a pessoa; explicar racionalmente; encarar a questão como algo que pode ser resolvido e que não é o fim do mundo. Da mesma maneira, devo estar preparado para que meu cônjuge sente comigo e aponte algumas falhas minhas. Aqui é preciso ter paciência para ouvir, humildade para reconhecer meus erros, capacidade de me colocar no lugar do outro, disposição para mudar e, caso eu não concorde com a pessoa, polidez e racionalidade para expressar isso.

Algo que talvez seja um bom exercício é tomar iniciativa de sentar de vez em quando e dizer: “Tem algo que estou fazendo ou deixando de fazer que está te incomodando? Tem algo que posso fazer melhor? Há algo que nós dois podemos fazer para deixar nossa relação melhor? Há algo para ser consertado ou aprimorado?”. Fazer isso só é possível se entrarmos no casamento entendendo que somos pecadores e, portanto, em constante necessidade de evolução e reparos. No evangelho isso se chama “santificação”.

A questão do diálogo amplo inclui as próprias carícias e relações sexuais. O casal deve ter o hábito e a intimidade de conversar sobre suas preferências nessas áreas ou sobre o que gostariam de fazer para tornar tais experiências mais prazerosas. Tudo pode e deve ser conversado. Inclusive isso.

Vou incluir aqui a questão do diálogo do casal com Deus. Sim, estou falando da oração. Casal que não ora junto tende a ter menos intimidade. A oração é um dos momentos mais solenes e íntimos da vida de uma pessoa. Podemos orar diante de milhares de pessoas? Sim, claro! Mas dificilmente fazemos as nossas orações mais íntimas, específicas e intensas na frente de pessoas com quem não temos grande intimidade. Assim, um casal deve orar juntos a Deus. É o momento em que os dois se desnudam diante do Criador e entram em contato com Ele em conjunto. Trata-se de uma das experiências espirituais mais benéficas para um casal. Ainda mais se os dois derem as mãos. O efeito emocional, psicológico e espiritual desse simples ato é muito forte. Ali os dois se sentem firmes um no outro e em Deus, o que gera conforto, coragem e segurança.

Havendo filhos, o diálogo amplo deve se estender a eles também. E além dos filhos, os amigos e os parentes. Uma coisa que aprendi com a experiência (mas que é lógico e pode ser entendido por quem nunca percebeu isso diretamente) é que os vínculos do casal com outras pessoas são relevantes para a própria relação. Um namoro, noivado ou casamento é mais forte se as duas pessoas se relacionam bem com os amigos e parentes uma da outra e se possuem amigos em comum. Por uma série de razões.

Primeiro: gera mais assunto entre o casal. O casal não fica preso apenas à própria relação. Somos seres sociais. Uma vida de grande isolamento, ainda que com uma pessoa ao lado, não é algo saudável. Tornamo-nos mais tristes, fechados, sem conteúdo e com dificuldades de diálogo e relacionamento. O casal, portanto, precisa das outras pessoas também. Mas, claro, isso não pode ser exagerado. Tudo demais faz mal. E algo essencial para um bom casamento é privacidade: o casal precisa ter seus (muitos) momentos a sós. Isso só não pode excluir por completo (ou quase completo) as relações externas.

Segundo: os vínculos externos fazem com que a pessoa conheça e conviva com uma outra parte de seu cônjuge – a parte que se relaciona com as demais pessoas. E isso é importante. Há coisas que só conseguimos ver em nosso parceiro quando estamos com ele e outras pessoas. Às vezes são coisas boas e às vezes ruins. Nos dois casos isso é bom. As coisas ruins, sentamos para resolver. As boas, nós desfrutamos. Em suma, o casal que mantém os vínculos externos acaba por conhecer melhor o seu parceiro. E isso pode e deve ser colocado em prática antes do casamento.

Finalmente, o amplo diálogo requer (e acaba implicando também) as posturas de sinceridade, honestidade e transparência. Isso é fundamental em qualquer relacionamento, sobretudo em um matrimônio, pois geram segurança e confiança mútua.

Todas essas práticas visam construir um amplo diálogo a vida do casal, tanto entre eles como deles com Deus e outras pessoas. O amplo diálogo nos torna mais simpáticos, autênticos, humildes e interessantes.

Assim, a terceira regra para seu casamento não dar certo é não praticar o amplo diálogo.

4) Não cultivar o romantismo.

O cultivo do romantismo é um princípio que grande parte dos casais casados deixa de observar. Ouso dizer que a maioria. E muitas dessas pessoas justifica a falta dizendo que isso é normal e inevitável, que todos os casamentos caem na rotina, a paixão se acaba e romantismo vai embora junto.

De fato, o tempo faz a paixão inicial se esfriar. Entretanto, o grande erro dessas pessoas é achar que não possuem obrigação de cultivar o romantismo. Se por um lado o tempo esfria a paixão inicial, por outro lado é o cultivo constante do carinho, do elogio, das declarações de amor, das surpresas, da abraço, do beijo, do cafuné, das mãos dadas, da dança, do sorriso, do agradecimento, do cuidado visível, da paciência, da proximidade, da cumplicidade, do olhar de prazer e satisfação, da demonstração de admiração, das carícias amorosas, etc. que mantém vivos o prazer, a alegria, a satisfação e a atração dos cônjuges pela presença um do outro. Quando não cultivamos o romantismo, o casamento pode até durar cinco décadas, mas se tornará um casamento árido, algo como uma relação empresarial, um negócio. E não, não é esse o objetivo de um matrimônio.

Casamento não é só amizade e não é (ou, pelo menos, não deveria ser) um negócio frio com obrigações e direitos. Trata-se da união mais ampla e intensa que existe entre humanos. É a relação que visa integrar tão fortemente duas pessoas a ponto de elas poderem ser chamadas de uma só, no emocional, no espiritual e no físico. Então, é preciso manter pelo parceiro um sentimento maior que e diferente da mera amizade. Você precisa desejar seu parceiro, amar a presença dele, ter atração por ele.

Alguns vão dizer que a vida é difícil demais para isso ser viável. Mas essa não é uma boa justificativa. A Bíblia nos inventiva, por exemplo, a sentir alegria no Senhor e louvá-lo com prazer até nos momentos difíceis. A dificuldade da vida não pode ser usada para justificar que um cristão tenha uma relação árida com Deus. Da mesma forma, os cônjuges devem literalmente cultivar dia após dia uma postura de prazer, admiração e atração mútua. Isso não é viver um conto de fadas. Isso é ter compromisso com a pessoa que você escolheu, diante de Deus, para fazer feliz e ser feliz com ela. Então, essa deve ser nossa meta diária.

Conto de fadas é achar que sem fazer esforço algum, o casamento será sempre bom. Não é assim. Você precisa cultivar todos os dias. E você precisa ter escolhido alguém que tenha esse mesmo pensamento e disposição. Do contrário, infelizmente, você lutará sozinho.

Cultivar o romantismo inclui, no caso dos casais casados, fazer sexo com frequência. Mas para que isso aconteça, é preciso entender que sexo não se limita ao físico. O prazer físico do sexo pode ser enorme, mas é difícil ter vontade de se relacionar sexualmente com um companheiro que tem sido bruto, ou rude, ou distante, ou fechado, ou descuidado, ou insensível, etc. A gente tende a se atrair por quem nos faz bem, por quem temos admiração, por quem demonstra nos amar como também amamos, por quem dialoga conosco e luta ao nosso lado. A atração necessita muito da intimidade.

É claro, você pode (erroneamente) ter uma relação sexual efêmera com um “ficante” ou alguém que faz prostituição. Pessoas que recorrem a esse expediente, estão querendo apenas prazer físico. Mas até estes teriam dificuldade de se relacionar sexualmente com uma pessoa com quem convivem e já não sentem prazer em sua presença. A má convivência torna difícil qualquer contato físico mais íntimo, desde beijos e abraços até o sexo. E é nessa brecha, aliás, que tanto homens como mulheres muitas vezes acham alguém fora do casamento “mais interessante”, sucumbindo depois ao adultério.

Então, uma prática frequente de sexo com qualidade entre o casal depende fortemente de um cultivo frequente do romantismo, bem como do amor prático. Não basta ser romântico, se tudo o que você tem são palavras bonitas. O amor prático é e implica resistência para sacrifícios quando são necessários, esforço constante, paciência, autocontrole, trabalho, organização, bom cumprimento das funções. É o trabalhar constante para o bem estar do seu parceiro.

O problema é que muitos têm dificuldade de conciliar amor prático com romantismo. Há pessoas capazes de matar e morrer para proteger e/ou sustentar o cônjuge, mas incapazes de dizer boas palavras ao conjuge, falar com mansidão, mostrar paciência e carinho. Já há pessoas que fazem todas essas coisas, mas não são capazes de fazer sacrifícios maiores na prática.

O sexo constante e de qualidade só será possível se os cônjuges procurarem, diariamente, fazer o bem um para o outro, tanto nas palavras e no toque físico, quanto nos esforços práticos dentro de suas respectivas funções. Isso mantém a admiração e a parceria, o que torna a atração possível. Com atração, os dois desejarão sentir o prazer do sexo um com o outro. E com esse constante prazer, o casal continuará atraído, criando-se um ciclo virtuoso.

O que ocorre muito é que as chateações mútuas tiram a atração e aí o casal passa ou a não ter mais sexo ou a ter muito raramente e com baixa qualidade. O resultado é uma maior insatisfação e uma cada vez mais ampla falta de atração.

Ademais, o próprio sexo deve ser visto como uma ferramenta romântica fundamental para casais casados. Ele deve servir para intensificar o prazer, a satisfação e a atração mútua. É muito comum, por exemplo, casais de namorados, dando lugar ao pecado, pensarem muito em sexo no namoro; viverem se beijando, abraçando e se acariciando calorosamente; e praticando as relações sexuais antes de casar. Posteriormente, ao se casarem, o sexo muitas vezes se reduz drasticamente e muito menos se conversa mais sobre. Ora, é justamente no matrimônio que as relações sexuais devem ocorrer e com frequência, não no namoro. Há aqui uma inversão bizarra e que acaba tornando o casamento sem graça e até penoso. O sexo é parte do romantismo e também deve ser cultivado por casais casados.

Em suma, manter o romantismo em todas as suas formas (e sempre em conjunto com o amor prático) é uma essencial para que a admiração, o prazer e a atração mútua não se percam completamente, levando o matrimônio a uma relação árida ou ao divórcio.

A quarta regra para seu casamento não dar certo, portanto, é não cultivar o romantismo.

5) Manter ciúmes excessivos.

É importante distinguir ciúmes (ou ciúmes excessivos) de zelo. Uma coisa é ter zelo pelo parceiro e, portanto, se sentir mal quando o mesmo estiver muito próximo de alguém que tem segundas intenções. Outra coisa é desconfiar do seu parceiro e de pessoas próximas a seu parceiro com grande frequência, chegando até a proibi-lo de falar com alguns e pedindo satisfações de tudo. Isso é ciúme excessivo.

O ciúme excessivo diz muito mais sobre nós mesmos do que sobre o outro. Se nosso parceiro é tão indigno de confiança, não deveríamos estar com essa pessoa. Se ele não é indigno de confiança, então seu ciúme é resultado de uma grande insegurança sua. Não está certo punir o outro por suas próprias inseguranças.

O ciúme excessivo é causa de muitas brigas. Ciumentos costumam a invadir a privacidade do parceiro, ser autoritários, rudes, mal educados, agressivos, ofensivos e desconfiados. Nenhum casamento será feliz com um cônjuge (ou os dois) agindo dessa forma. Queremos alguém que confie em nós, nos trate como adultos responsáveis, saiba conversar decentemente e não crie brigas homéricas a todo instante. A paz deve ser o alvo do casal.

Então, a quinta regra para não ter um bom casamento é manter um ciúme excessivo.

6) Ser intolerante.

Eu comecei o texto dizendo que precisamos escolher pessoas parecidas conosco para casar. Mas isso não quer dizer que encontraremos alguém absolutamente igual a nós. Tampouco esperar que da pessoa com quem casamos que seja igual a nós. Todas as pessoas tem diferenças. Casamos buscando o máximo de semelhanças quanto possível e nas questões mais relevantes, mas precisamos, ao mesmo tempo, aceitar que haverão diferenças. E para levar um casamento com paz e alegria, essas diferenças precisarão ser respeitadas (quando não forem erros) ou toleradas (quando forem erros). Por tolerância, me refiro ao ato de não aprovar algo, mas exercer paciência durante o tempo que a pessoa demorar para mudar.

A tolerância envolve o ato de se colocar no lugar do outro. Cada um tem seu jeito e seus pontos fracos. Precisamos lidar com isso sem cometer agredir verbalmente (muito menos físicas), sem menosprezar a pessoa e sem superdimensionar as possíveis falhas. Mas ela também tem um outro lado. Eu não só devo ser tolerante, como devo ajudar meu cônjuge a ser tolerante. Nosso trabalho nunca é tornar a vida do parceiro mais difícil, mas facilitar. Assim, se algo que eu faço causa irritação ao meu cônjuge e dificulta que ele exerça tolerância e paciência, eu devo me esforçar para não fazer mais. E se há algo que incentiva meu cônjuge a ser mais tolerante e paciência, devo praticar isso. Não devemos nunca cair no erro de causamos raiva em nosso cônjuge sobre o pretexto de que ele precisa ser tolerante. Sim, ele precisa, mas nosso trabalho não é causar raiva, é oferecer amor e auxílio para a santificação.

A tolerância também tem muito a ver com falar no momento certo e da forma certa. Intolerantes costumam a explodir. Eles não querem esperar um momento mais propício para conversar. Falam com a cabeça quente e acabam, por isso, lançando palavras muito duras, ofensivas e até mentirosas. Pela forma como falam e pelo momento escolhido, acabam perdendo a razão, ainda que o conteúdo da crítica fosse correto. Isso é um ato de intolerância. O tolerante usará de sabedoria e autocontrole para falar na hora certa e da maneira certa. Ele tolera aguardar. E isso evita muitos atritos desnecessários.

Assim sendo, a sexta regra para seu casamento não dar certo é ser intolerante com as diferenças e erros do seu cônjuge, falando de modo rude, em horas inoportunas e, ademais, sempre causando raiva no seu parceiro, mesmo podendo evitar.

7) Ser promíscuo.

Nessa questão eu vou iniciar com a vida pré-conjugal. Se você ainda não se casou, há dois investimentos excelentes que você pode fazer para ter um bom casamento. O primeiro é não ter relações sexuais em seu namoro ou noivado. O segundo é não ter relações sexuais com ninguém enquanto solteiro, casando-se virgem. As razões são bem práticas.

Em primeiro lugar, sexo é a relação física mais íntima que existe. Ela, portanto, deve estar acompanhada de um grau de relação não física igualmente íntimo. Apenas quando um casal está decidido a se casar (após alcançar um grau gigantesco de intimidade não física) e efetivamente cumpre o intento, passando a dividir todas as coisas, é que está apto para uma relação física de igual teor. Do contrário, cria-se um descompasso entre o físico e o não-fisico, atrapalhando o progresso da intimidade como um todo. O casal pode acabar não crescendo tanto em conhecimento e ligação emocional por estar agora focado e, provavelmente viciado, em sexo.

Em segundo lugar, se depois o casal desistir da relação, eis que cada um deu seu próprio corpo para o outro à toa. Você ofereceu o seu corpo a uma pessoa para quem você não significará mais nada. E recebeu o corpo de alguém que não significará mais nada para você.

Como se isso não bastasse, com experiências passadas, há o risco de quando você casar comparar a relação sexual oferecida por seu cônjuge com as relações passadas. E de igual maneira, a relação que você oferece pode ser comparada por seu cônjuge com relações passadas que ele teve.

Há ainda a questão da vontade. Quem tem relações sexuais como solteiro uma vez, terá muita vontade de ter novamente. Isso pode expor o indivíduo ou o casal a uma postura mais voltado para o fisico, o que abre maior margem para tentações até fora do relacionamento. Você tornou pessoas ainda não amplamente íntimas no nível não físico carentes de sexo. É um caminho simples para a promiscuidade.

Essas ponderações não implicam que um casamento vai dar errado se o casal não for virgem e se as duas pessoas até foram promíscuas no passado. Mas são pontos que abrem perigos reais, os quais, de fato, muitas vezes atrapalham um casamento no futuro.

Se, no entanto, o casal se casou virgem, a única relação sexual que eles conhecem envolve os dois. Não há comparações com casos antigos. Os dois ainda podem passar pelo belo processo de aprenderem juntos e se adaptarem um ao outro, com carinho e paciência.

Para além disso, o sexo se torna um troféu ao final de um processo de conhecimento intenso no nível emocional e espiritual. Os cônjuges recém casados estão plenamente estruturados e preparados em seu interior para desfrutarem agora de um relacionamento físico tão intenso quanto a intimidade não física que eles já possuem. Não há descompasso aqui. Todas as áreas de intimidade caminham de mãos dadas, tendo a parte interior guiado a física. O contrário não costuma a dar certo. Quando a parte física guia a interior, em geral a interior não se desenvolve plenamente. A física acaba morrendo e, junto com ela, o amor do casal.

A preocupação com a santidade na área sexual deve começar no namoro, perpassar o noivado e continuar no casamento. Casar-se virgem não significa que os cônjuges estão protegidos da tentação do adultério. Ela pode nunca aparecer para o casal, mas pode se manifestar em brechas.
Para quem teve um passado promíscuo, o cuidado deve ser redobrado. Isso pode ser explorado por Satanás. E tudo o que ele precisa é de pequenas rachaduras no muro do seu casamento.

Felizmente, há cuidados simples que podem impedir o adultério, não só matando tentações, mas principalmente impedindo que elas nasçam. Por exemplo, não estar constantemente com determinado amigo do sexo oposto sem a presença do seu cônjuge; não dar muita conversa para quem pode se tornar uma tentação no futuro; não usar um amigo do sexo oposto para desabafar sobre seu cônjuge; sempre procurar mencionar seu cônjuge nas conversas com outras pessoas, sobretudo se for para falar bem; nunca falar mal de seu cônjuge para outras pessoas, sobretudo do sexo oposto. Assim, dificilmente você se colocará em situações que podem se tornar difíceis.

E, finalmente, é preciso rememorar constantemente que seu cônjuge é uma benção, que é maravilhoso tê-lo e que qualquer problema pode ser resolvido com conversa, oração e carinho mútuo. Deixar que o casamento se frature é pedir para a tentação vir. São em momentos de desgaste e insatisfação com a pessoa ao lado que quem está de fora às vezes pode parecer mais interessante. Não deixe isso acontecer. Mantenha em mente que a fidelidade conjugal é um pilar fundamental para um casamento dar certo. E se ele for derrubado, dificilmente poderá ser reconstruído.

Portanto, a sétima regra para seu casamento não dar certo é ser promíscuo ou facilitar as coisas para cair na tentação da promiscuidade.
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Essa é a fórmula infalível para seu casamento não dar certo. E você nem precisa cometer todos esses erros. Basta dois ou três (em alguns casos, até um só). São erros com grande potencial de fazer você e/ou seu cônjuge infeliz. Se você não quer esse destino, procure escolher bem a pessoa com quem você vai casar e buscar, com essa pessoa, observar os princípios básicos que são ignorados em cada um desses erros. Isso não garantirá que alguma fatalidade não desencaminhe seu matrimônio. Mas torna essa possibilidade muito difícil, remota, improvável. Há poucas coisas nessa terra que alcançam grande probabilidade de êxito. Se você pode alcançar isso no eu casamento, não desperdice essa oportunidade. Seu futuro e o do seu cônjuge agradecem.