Por Davi Caldas

Há adventistas que falam mais de sábado e Ellen White do que de Cristo. Há calvinistas que falam mais de predestinação e Calvino do que de Cristo. Há pentecostais que falam mais de dom de línguas e seus pastores preferidos do que de Cristo. Há católicos que falam mais de Igreja Romana e Maria do que de Cristo. Há neopentecostais que falam mais de dinheiro e bençãos materiais do que de Cristo. Há crentes apologistas que falam mais de combater heresias e de apologistas de renome do que de Cristo. Há crentes liberais que falam mais de “não julgar” e de ícones secularistas do que de Cristo. Há crentes conservadores que falam mais de combater o marxismo e de ícones conservadores do que de Cristo. Há crentes capitalistas que falam mais de economia liberal e economistas como Ludwig von Mises do que em Cristo. Há crentes desigrejados que falam mais de liberdade e de gurus como Caio Fábio do que de Cristo.

O leitor percebe? Todos esses se chamam cristãos. Levam Cristo no nome. Mas acabam fazendo de outras coisas o centro da sua vida. O problema, evidentemente, não é discutir tópicos e doutrinas. Isso é importante. E em cada um desses grupos é possível achar princípios bíblicos, até no dos crentes “não julgueis”. De fato, a Bíblia disse para não fazermos julgamentos hipócritas. É claro que isso é usado de maneira distorcida pelos crentes liberais. Mas a distorção revela que há um principio bíblico por trás. E não podemos, obviamente, jogar fora a distorção juntamente com o principio.

A discussão, portanto, é válida e necessária. O problema aqui é colocar qualquer coisa que seja no lugar de Cristo. Inclusive coisas boas! Ídolo é tudo aquilo que está no lugar onde só Cristo deveria estar. Nesse sentido, até os melhores princípios bíblicos podem se tornar ídolos. Nem todo o mal é inerente. Há terríveis males causados por coisas boas fora de lugar. E é justamente quando as coisas estão fora de lugar, que temos as distorções. O crente “não julgueis” só distorce o principio do julgamento hipócrita porque não põe Cristo no centro de sua vida, mas sim suas próprias ideias.

Carecemos desesperadamente de cristãos que sejam conhecidos por ser cristãos. É claro, cada um enfatizará mais o ponto que crê ter sido chamado para enfatizar. É natural, por exemplo, que a Igreja Adventista fale muito no sábado. Ora, nenhuma outra igreja do porte e da extensão da IASD guarda o sábado. Se todas (ou a maioria) guardassem, não seria necessário falar tanto nisso. Então, sim, a ênfase é natural. Entretanto, nenhuma ênfase em algo bom, por melhor que essa coisa seja, pode se sobrepor a Cristo. Isso serve para todo e qualquer cristão. Sem exceção.

Não foi o sábado que nos salvou. Nem o capitalismo ou o marxismo. Não foi Calvino, Ellen White, Maria, Caio Fábio, Macedo, Silas, Marx, Lula, Bolsonaro, Olavo de Carvalho, Craig ou Mises que morreram por nós numa cruz. Foi Cristo. É Ele, portanto, que deve estar em primeiro lugar nas nossas vidas. E é a fidelidade a Ele que deve guiar todas as nossas discussões de outros temas importantes. Se tiramos Cristo do primeiro lugar, nada mais do que defendemos tem importância.

“Porque dEle, por Ele e para Ele são todas as coisas” (Rm 11:36).