Por Davi Caldas

Quando pensei em escrever esse texto, dois títulos me vieram à mente: “O problema fatal de muitos adventistas” e “O curioso caso dos fanáticos por Ellen White que desprezam os conselhos de Ellen White”. Optei pelo primeiro, mas continuo achando o segundo tão bom quanto. Há uma classe grande de adventistas que tem Ellen White na mais alta conta, que a citam o tempo todo, que acusam aos outros de não segui-la, que brigam por causa dela, mas passam por cima de diversos de seus maiores conselhos. Duvida? Te convido a seguir leitura.

A falta deliberada e injustificada de estudo

Em um texto magnífico da velhinha, ela diz:

“Do justo emprego do tempo depende nosso êxito no conhecimento e cultura mental. A cultura do intelecto não precisa ser tolhida por pobreza, origem humilde ou circunstâncias desfavoráveis, contanto que se aproveitem os momentos. Alguns momentos aqui e outros ali, que poderiam ser dissipados em conversas inúteis; as horas matutinas tantas vezes desperdiçadas no leito; o tempo gasto em viagens de ônibus ou trem, ou em espera na estação; os minutos de espera pelas refeições, de espera pelos que são impontuais – se se tivesse um livro à mão, e esses retalhos de tempo fossem empregados estudando, lendo ou meditando, o que não poderia ser conseguido! O propósito resoluto, a aplicação persistente e cautelosa economia de tempo, habilitarão os homens para adquirirem conhecimento e disciplina mental que os qualificarão para quase qualquer posição de influência e utilidade”. Parábolas de Jesus, págs. 343 e 344.

Pois bem, quando me tornei adventista, há oito anos, eu estava mergulhado (e ainda estou) em estudos sobre apologética. De lá para cá, estendi os estudos para exegese, hermenêutica, pregação expositiva, etc. Eu não sou teólogo. Não tenho pretensão de ser pastor. Mas isso não me impediu de ir comprando livros aos poucos, e lendo no ônibus, no trem, na fila do mercado ou do banco e por aí vai. Como eu, sei que muitos adventistas também fizeram e fazem isso. Mas a realidade é que, na época, quando eu olhava para o que a maioria dos adventistas debatiam na internet ou presencialmente eram sempre os mesmos assuntos menores: música, bateria, maquiagem, jóias, cinema, mensagens subliminares em desenhos da Disney, liturgia do culto.

Nada de errado em discutir esses pontos vez ou outra. Os problemas aqui eram que (1) a frequencia desses temas era muito maior que o de temas bem mais relevantes; (2) invariavelmente a maioria das pessoas “se matando” nos debates a respeito desses pontos menores, não tinham a menor ideia de como explicar passagens difíceis da Bíblia, de quais são os principais argumentos lógicos para a existência de Deus, de quais são as evidências racionais de que a Bíblia é verdadeira, etc. Alguns sequer tinham capacidade de defender a guarda do sábado sem consultar um estudo, apenas usando a Bíblia e a memória.

Não tenho como provar, mas estimo que a maioria que se engajava nessas discussões não lia um livro por mês. Provavelmente, a maioria não tinha capacidade para defender biblicamente as 28 Crenças Fundamentais. Provavelmente, a maioria não conseguia lembrar muitos detalhes do que aprendera nos estudos de Daniel e Apocalipse. E, claro, seria demais pedir a essas pessoas sugestões de livros teológicos sólidos, mesmo os da CPB. Brasileiro, no geral, não lê. E essas pessoas não fugiam à média. Mas tinham muito o que falar em relação à maquiagem da cantora tal ou aos melismas e firulas musicais do cantor fulano. E isso era visto como “o mundo entrando na Igreja”.

Coando mosquitos, deixando passar camelos

Essas discussões sobre minúcias excedendo (e muito) a discussão de temas sérios me faz lembrar outro texto da velhinha:

“Vi que a mente de alguns na igreja não tem andado na devida direção. Tem havido alguns temperamentos peculiares, que têm lá suas idéias pelas quais julgam os irmãos. E se alguém não estava exatamente em harmonia com eles, havia imediatamente perturbação no acampamento. Alguns têm coado um mosquito, e engolido um camelo.

Essas idéias têm sido nutridas e com elas alguns têm condescendido, por longo tempo. Apegam-se a qualquer palha, por assim dizer. E quando não há dificuldades reais na igreja, fabricam-se provações. A mente da igreja e os servos do Senhor são desviados de Deus, da verdade e do Céu, para se fixarem nas trevas. Satanás se deleita em que estas coisas prossigam; isto é um regalo para ele. Não são, porém, estas tribulações, que hão de purificar a igreja, e, no fim, aumentar a resistência do povo de Deus.

Vi que alguns estão secando espiritualmente. Têm vivido por algum tempo a observar a fim de manter os irmãos direitos – observando toda falta, para então os meter em dificuldades. E enquanto isto fazem, a mente não está em Deus, nem no Céu ou na verdade; mas simplesmente onde Satanás quer que esteja – noutros. Sua alma é negligenciada; raramente essas pessoas vêem ou sentem as próprias faltas, pois têm tido bastante que fazer em vigiar as faltas dos demais, sem sequer olhar a própria alma, ou examinar o próprio coração. O vestido, o chapéu ou o avental lhes prendem a atenção. Precisam falar a este e àquele, e isto basta para os ocupar por semanas. Vi que toda a religião de algumas pobres almas, consiste em observar a roupa e os atos dos outros, e em os criticar. A menos que se reformem, não haverá no Céu lugar para elas, pois achariam defeitos no próprio Senhor” (TS1, p. 44-45).

Minúcias. Essa é a palavra. O leitor sensato há de me entender: não estou dizendo que então devemos deixar de falar de modéstia na aparência, de ordem no culto, etc. A questão é o peso que se dá a isso, o lugar que isso toma. Um lugar tão grande que chega a tornar desculpável (e até normal) que se deixe de lado o estudo teológico mais sólido e as grandes questões da fé. Tal postura soa como a história de alguém que se indigna com um criminoso porque ele entrou em uma casa para assaltar e não tirou os calçados sujos de lama, deixando toda a casa emporcalhada. Sim, emporcalhar a casa é algo errado (pela falta de higiene e pela falta de consideração com quem limpou). Mas será que é isso que deveria ser o centro das atenções nesse caso? Não seria o assalto?

Focar em coisas menores em vez das maiores é o que eu tenha chamado de “teologia da irrelevância”. Um jovem passa a vida ouvindo discussões sobre se poderia ou não ter bateria nos cultos. Talvez ele seja catedrático nisso. Mas quando ele chegar na universidade, esse “conhecimento” será absolutamente irrelevante para ajudá-lo nas pressões intelectuais e espirituais que receberá. Não se discute bateria na faculdade. Se discute (ou melhor, se empurra goela abaixo dos alunos) aborto, feminismo, marxismo, militância LGBT, relativismo da moral, sincretismo religioso, a “opressão” da fé cristã e a “irracionalidade” da Bíblia. Em alguns nichos, a inexistência de Deus ou de um Deus pessoal é quase pressuposto. No que as discussões sobre bateria, cinema e maquiagem vão ajudar aqui? Em nada.

Não à toa, é comum ver adventistas mais velhos, saudosistas do tempo em que criança não subia na plataforma, pois era “lugar santo”, que passaram a vida discutindo teologia da irrelevância, agora com filhos e netos fora da Igreja. Não é coincidência. É sintomático. Note que não estou tomando partido em nenhuma discussão aqui. Meu objetivo não é ficar do lado de quem discorda da bateria ou de quem concorda, mas sim dizer que a própria discussão como um todo é pouco relevante. E essa e outras (eu apenas elegi a “bateria” como exemplo). Acredito que se nossos olhos estivessem mais fitos em Jesus e nossa atenção voltada para teologia sólida, “comida de adulto”, bateria seria algo pouco relevante tanto para quem concorda quanto para quem discorda. Até porque se nosso cristianismo se limita às três músicas tocadas em 20 minutos de cada sábado de manhã, somos os mais miseráveis dos homens.

Parece-me que os adeptos da teologia da irrelevância, no entanto, raciocinam que o micro leva ao macro. Neste raciocínio, a bateria na igreja ou o melisma de um cantor vão necessariamente desembocar em uma igreja secularizada e jovens apostatando. Por outro lado, lutar contra isso é formar uma igreja saudável e manter os jovens dentro dela. O problema desse raciocínio é que ele confunde as coisas. De fato, o micro leva ao macro quando estamos falando de atos de mesma natureza. Pequenos roubos levam a grandes roubos. Conversas adúlteras levam ao adultério físico. Da mesma forma, ser honesto com pouco dinheiro geralmente leva a ser honesto com muito. Evitar conversas adúlteras geralmente leva a ser fiel sexualmente.

Não obstante, o mesmo raciocínio não pode ser estendido para coisas de natureza diferente. Assim, deixar de comer açúcar para ter uma saúde melhor não leva uma pessoa a se tornar mais amorosa para com o próximo, mais amorosa para com Deus e uma leitora voraz de livros teológicos de qualidade, por exemplo. E gostar de música com bateria na Igreja não leva uma pessoa a relativizar a Bíblia, se tornar rebelde e deixar a fé cristã. Tendo isso em mente, a questão que fica é: por que em vez de ensinar teologia sólida para nossos jovens e dar um suporte espiritual mais voltado para as grandes questões da fé, nós os enchemos de preocupações com minúcias?

Na realidade, ao contrário do que os adeptos da teologia da irrelevância pensam, neste caso é o macro que leva ao micro. É o aumento do amor por Cristo e pelo próximo que leva, gradualmente, a uma sensibilidade mais apurada para coisas menores. Não são as coisas menores que levarão a pessoa a amar mais a Cristo e o próximo. Assim, quando focamos nas minúcias e minimizamos as coisas maiores, acabamos perdendo os jovens no micro e no macro. Já quando focamos nas coisas maiores e deixamos às menores o lugar pequeno que elas merecem, ganhamos os jovens no macro e, de pouco a pouco, também no micro. Note as palavras de Cristo que White parafraseia: “Alguns têm coado um mosquito, e engolido um camelo”. Jesus diz isso em relação aos fariseus, os quais faziam exatamente isso: focalizavam pequenas questões, enquanto deixavam grandes questões de lado (Mt 23:23-28).

Mau uso de Ellen White e quebra da Sola Scriptura

Não sei se a teologia da irrelevância é causa ou efeito de muitos fãs de Ellen White desprezarem seus próprios conselhos. Talvez seja um pouco dos dois, em um sistema dialético ou circular. De qualquer forma, o desprezo por muitos de seus principais conselhos não acaba aqui. Tomemos, por exemplo, a própria posição de White. Ela disse em alguns textos:

“No trabalho público não torneis proeminente nem citeis o que a Irmã White tem escrito, como autoridade para apoiar vossas posições. Fazer isto não aumentara a fé nos testemunhos. Apresentai vossas provas, claras e simples, da Palavra de Deus. Um ‘Assim diz o Senhor’ e o mais forte testemunho que podeis apresentar ao povo. Que ninguém seja instruído a olhar para a Irma White, e, sim, ao poderoso Deus, que dá instruções a Irmã White”. — Carta 11, 1894.

Apesar disso, é extremamente comum ver (1) irmãos usando Ellen White para resolver contendas teológicas na internet em postagens públicas e/ou de grupos que possuem pessoas não adventistas; (2) leigos e até pastores utilizando textos de Ellen White no púlpito para provar algum ponto (e não apenas para ilustrar algo que a Bíblia já diz, o que não teria problema). “Ah, Davi, isso é viagem sua!”. Não é não. O teólogo adventista Dr. Wilson Paroschi, por exemplo, falou sobre isso em uma palestra recente (que está disponível neste link do Youtube). Faço questão de transcrever suas palavras:

“Todo e qualquer ensino de Ellen White deve ser validado pela Escritura. É muito interessante, na faculdade de teologia – e eu ensino teologia, esse é o trigésimo segundo ano ensinando teologia – e ali está um… Isso vinha desde a época em que eu era aluno… Um grupinho ali de alunos, de teologandos, discutindo um tema. E vocês querem ver esse tema acabar? A discussão acabar? A discussão acaba quando alguém fala assim: ‘Mas o que é que Ellen White diz?’. Ali acabou a discussão. É como se a palavra final fosse, ou tivesse de ser de Ellen White. ‘O que é que Ellen White fala’, ‘Mas Ellen White fala isso’, aí acaba a discussão. Ellen White falou, está falado. Acaba a discussão. Irmãos não é assim! Não é assim! Nós não validamos a Bíblia por Ellen White, é o contrário. Nós validamos Ellen White pela Bíblia.

Olhe o que ela diz no livro ‘Evangelismo’, página 256: ‘Não devem os Testemunhos da Irmã White’ – ela está falando dela mesma – ‘ser postos na dianteira. A Palavra de Deus é a norma infalível. Não devem os Testemunhos substituir a Palavra’.

Os Testemunhos são os escritos dela. Não devemos usar, querer usar, Ellen White para definir o significado da Bíblia. É o contrário! Por mais que nós sejamos infinitamente gratos pelo ministério profético de Ellen White, nós temos que colocar as coisas nos devidos lugares. Ou nós não cremos, como eu preguei hoje de manhã, no principio da Sola Scriptura. Só a Escritura, nossa regra de fé e prática. A Sra. White foi talvez a escritora que mais defendeu o principio da Sola Scriptura, só a Escritura.

Na mesma página, ela diz assim: ‘Nossa atitude e crença tem por base a Bíblia. E nunca queremos que alma nenhuma faça prevalecer os Testemunhos sobre a Bíblia’ [Evangelismo, p. 256]. Palavras dela, não minhas. Então, nós temos que tomar muito cuidado. Não é a Bíblia que deve ser validada pelo ensino de Ellen White. É o contrário. É o ensino de Ellen White que deve ser validado pela Bíblia. Pois bem, vamos à Bíblia, então”.

Como o leitor pode ver, eu não sou nenhum revolucionário ou liberal tentando inventar um novo entendimento adventista. Mas continuemos. Em outro texto, White diz:

“Como pode o Senhor abençoar os que manifestam o espírito de ‘não me importa’, que os leva a andar em sentido oposto a luz que o Senhor lhes deu? Não solicito, porém, que acateis minhas palavras. Ponde a irmã White de lado. Não citeis outra vez as minhas palavras enquanto viverdes, até que possais obedecer a Bíblia. Quando fizerdes da Bíblia vosso alimento, vossa comida e vossa bebida, quando fizerdes de seus princípios os elementos de vosso caráter, conhecereis melhor como receber conselho de Deus. Enalteço a preciosa Palavra diante de vos neste dia. Não repitais o que eu declarei, afirmando: “A irmã White disse isto” e “a irmã White disse aquilo”. Descobri o que o Senhor Deus de Israel diz, e fazei então o que Ele ordena”. — Manuscrito 43, 1901. (De uma alocução a dirigentes de igreja na noite que antecedeu a abertura da Assembleia da Associação Geral de 1901.)

Esse trecho é interessante, pois se encaixa exatamente nessas pessoas fanáticas por Ellen White, mas que desprezam muitos de seus conselhos. A esse tipo de gente, White diz: voltem para a Bíblia! É hipocrisia citar Ellen White em tudo quanto é lugar, mas não saber nada de Bíblia, estudar, não ler, encher a paciência dos outros e deixar de lado muitas orientações de Ellen White. Uma das orientações mais freqüentes de Ellen White, aliás, era justamente estudar a Bíblia, evidenciar nossas doutrinas pela Bíblia, fazer da Bíblia a regra de fé e prática:

“O Senhor deseja que estudeis a Bíblia. Ele não deu alguma luz adicional para tomar o lugar de Sua Palavra. Esta luz deve conduzir as mentes confusas a Sua Palavra, a qual, se for comida e assimilada, e como o sangue que da vida a alma. Então serão vistas boas obras como luz brilhando nas trevas”.— Carta 130, 1901.

Apesar disso, muitos fazem exatamente o contrário. Deixam a preguiça tomar conta de suas vidas intelectuais e passam a fazer o caminho mais fácil: ir só a recortes de textos de Ellen White. Debate teológico? Vamos até Ellen White. Explicação das doutrinas para alguém? Ellen White. Preparação de sermão? White. Repreensão ao irmão? Ela de novo. Reflexão e devocional? Ela outra vez. É fácil. Ela escreveu muita coisa e tudo bem mastigado. Mas quando alguém age assim, está explicitamente contradizendo a profetisa que diz seguir. White vai dizer:

“O Espírito não foi dado – nem nunca o poderia ser – a fim de sobrepor-Se à Escritura; pois esta explicitamente declara ser ela mesma a norma pela qual todo ensino e experiência devem ser aferidos. Diz o apóstolo João: “Não creiais a todo o espírito, mas provai se os espíritos são de Deus; porque já muitos falsos profetas se têm levantado no mundo.” I João 4:1. E Isaías declara: “À lei e ao Testemunho! se eles não falarem segundo esta palavra, não haverá manhã para eles.” Isa. 8:20.

Muito descrédito tem acarretado à obra do Espírito Santo o erro de certa gente que, presumindo-se iluminada por Ele, declara não mais necessitar das instruções da palavra divina. Tais pessoas agem sob impulsos que reputam como a voz de Deus às suas almas. Entretanto o espírito que as rege não é de Deus. Essa docilidade às impressões de momento, com desprezo manifesto do que ensina a Bíblia, só pode resultar em confusão e ruína, favorecendo os desígnios do maligno” (DTN, p. 7).

No caso aqui, as pessoas que estamos analisando não declaram formalmente “não mais necessitar das instruções da palavra divina”. Mas, na prática, acabam agindo dessa maneira. A Escritura é tirada do centro. Passa a ser coadjuvante. E para quem vê de fora, a impressão que dá é que ou Ellen White é um acréscimo da Bíblia, ou que ela substituiu a Bíblia. Nos dos casos, parece que o adventista não é capaz de defender suas doutrinas fundamentais pela Bíblia e a Bíblia somente. Em relação a isso, ela diz:

“O irmão J. procura confundir os espíritos, esforçando-se por fazer parecer que a luz que Deus nos concedeu por meio dos [meus] Testemunhos constitui um acréscimo a Palavra de Deus, mas com isto apresenta os fatos sob uma luz falsa. Deus houve por bem chamar por este meio a atenção de Seu povo para a Sua Palavra, a fim de conceder-lhes uma compreensão mais perfeita da mesma.

A Palavra de Deus é suficiente para iluminar o espirito mais obscurecido, e pode ser compreendida de todo o que sinceramente deseja entende-la. Mas, não obstante isto, alguns que dizem fazer da Palavra de Deus o objeto de seus estudos, são encontrados vivendo em oposição direta a alguns de seus mais claros ensinos. Daí, para que tanto homens como mulheres fiquem sem escusa, Deus dá testemunhos claros e decisivos, a fim de reconduzi-los a Sua Palavra, que negligenciaram seguir.

A Palavra de Deus está repleta de princípios gerais para a formação de hábitos corretos de vida, e os testemunhos, tanto gerais como individuais, visam chamar a sua atenção particularmente para esses princípios”. — Testimonies for the Church 5:663, 664; Testemunhos Selectos 2:279.

Em suma, ler os escritos de Ellen White e não ser conduzido a um estudo sólido da Bíblia é descumprir os propósitos da literatura whiteana. Seus escritos não foram dados para que a Bíblia se tornasse um apêndice dos escritos de Ellen White, mas para que se tornassem o centro de nossos estudos e de nossa vida prática. Em outro texto, White afirma:

“Examinem cuidadosamente as Escrituras para ver o que é a verdade. A verdade não perde nada para a investigação minuciosa. Que a Palavra de Deus fale por si mesma, que ela seja sua própria intérprete. […] Há uma incrível indolência por grande parte de nossos ministros, que estão dispostos a que outros ministros [presumivelmente Butler e Smith] pesquisem as Escrituras para eles. Eles tomam as verdades de seus lábios como um fato positivo, mas não conhecem a verdade bíblica através de sua própria pesquisa individual e pela profunda convicção do Espírito de Deus em seus corações e mentes. […] Muitos se perderão porque não estudaram a Bíblia de joelhos com fervente oração. […] A Palavra de Deus é o grande detector do erro; cremos que devemos recorrer a ela em todas as questões. A Bíblia deve ser nosso padrão de toda doutrina e prática. […] Não devemos aceitar a opinião de ninguém sem antes compará-la com as Escrituras. Eis a autoridade divina que é suprema em assunto de fé” (EGW aos Irmãos, 5 de Agosto de 1888).

Em outras duas citações, White vai dizer: “Meu apelo tem sido: Investiguem as Escrituras por vocês mesmos. […] Nenhum ser humano deve servir de autoridade para nós” (EGW a WMH, 9 de Dezembro de 1888); e “Queremos evidência bíblica para todo ponto que defendemos” (EGW a GIB e US, 5 de Abril de 1887).

Ou seja, nada justifica trocar a Bíblia por Ellen White. Isso é ser contra aquilo que ela pregava. Mas, na prática, muitos escorregam nesse ponto. Usam White em vez da Bíblia para defender doutrinas, pregam White no púlpito (quando poderiam argumentar só pela Bíblia e usá-la apenas como ilustração) e deixam de estudar as Escrituras Sagradas mais profundamente para usar, no lugar, o famigerado “Ellen White disse”.

A falsa obediência leva aos vícios do tradicionalismo e do liberalismo

Talvez, quem faz uso dessas práticas, esteja me condenando mentalmente por “não dar importância a Ellen White”. Mas a é justamente o contrário. Ao levar em conta o que ela disse sobre a centralidade da Bíblia, a relevância do estudo intelectual e a religião distorcida daqueles que só focam minúcias, eu estou dando importância a ela! Esses, aliás, são seus conselhos mais importantes, os conselhos que levam ao cumprimento de todos os demais. Além disso, não houve em meu texto um único parágrafo que incentivasse os adventistas a não seguirem os ensinos da velhinha. Na verdade, a ideia do texto é: sigam! Mas sigam não apenas as minúcias (que, aliás, quando focalizadas são facilmente descontextualizadas e distorcidas). Sigam, sobretudo, os pontos mais importantes como a exaltação da Sola Scriptura, o estudo bíblico, a leitura voraz de conteúdos teológicos sólidos e a pregação centrada na Bíblia.

Creio, sinceramente, que Ellen White desejava ser seguida, não citada a todo o momento, sem discernimento e por quem não atenta para os pontos mais centrais e relevantes do que ela falava. Temos gasto enorme tempo e disposição bradando sobre como é terrível o assaltante ter entrado de botas em uma casa e emporcalhado o chão, em vez de focar no problema do assalto. Nossos jovens têm apostatado não porque passaram a cometer pequenas falhas. Eles tem se desviado porque os enchemos de conteúdo inútil para as suas batalhas diárias. E se hoje há liberalismo entre os jovens, isso se deve, em grande parte, à teologia da irrelevância que muitos tradicionalistas sustentaram e sustentam até hoje (acredite, ainda há, em alguns recônditos, ancião discutindo que um pregador não pode subir ao púlpito sem paletó e gravata! – uma distorção, diga-se de passagem). É preciso livrar os jovens dos vícios do tradicionalismo e do liberalismo, retornando à Bíblia. Assim, os conselhos de White nesse sentido não podem mais ser ignorados por quem se diz seguidor dela.

Entendendo e aplicando a Sola Scriptura

Para finalizar esse texto, gostaria de esclarecer, nesse tópico e no outro, um ponto que traz confusão a muitas pessoas, tanto adventistas como não-adventistas. Há coisas que Ellen White escreveu, baseada em visões que teve, que não se encontram na Bíblia. Alguns vêem isso como uma quebra do principio da Sola Scriptura. Será? Vejamos.

O principio da Sola Scriptura requer pelo menos dois pilares: (1) que qualquer doutrina que defendamos seja proveniente da Bíblia Sagrada e (2) que qualquer informação ou filosofia/cosmovisão que defendamos não contrarie as Escrituras. O que é doutrina? Doutrina é uma crença importante para a salvação, ou para o conhecimento do caráter e poder de Deus, ou para a nossa vida moral e espiritual. Por aí podemos perceber que doutrina é diferente de informação e de cosmovisão. Informação é alguma alegação, verídica ou não, que não necessariamente forma doutrina nova ou influencia as que existem. Em suma, toda doutrina é uma informação, mas nem toda a informação é uma doutrina. Para facilitar, vou chamar de informação aqui apenas as que não são doutrina, nem formam doutrina. Ela pode vir de qualquer fonte e pode ser aceita sem prejuízo da fé/prática cristã.

A Bíblia, para deixar claro, não possui todas as informações sobre a vida e o contexto de seus personagens, por exemplo. Mas isso não nos impede de descobri-las pela história e a arqueologia. Muitos cristãos acreditam, por conta do que escreveram os chamados “pais da Igreja” (do segundo até o sexto século), que Paulo foi decapitado, Pedro foi crucificado de cabeça para baixo e João foi lançado num barril de óleo quente, mas não sofreu dano. Nada disso está na Bíblia. Pode ser verdade ou não. É provável até que seja. Mas nem a veracidade, nem a falsidade dessas informações formam doutrina nova, alteram as já existentes ou contradizem a Bíblia em algum fato.

Da mesma maneira, a maioria dos cristãos crê que os Mateus e Marcos escreveram os dois primeiros evangelhos que vemos em nossas Bíblias, embora os autores desses evangelhos não tenham revelado seus nomes nas obras. Há alguns indícios bíblicos que corroboram com a ideia dessas autorias, mas a crença vem mais mesmo por conta de informações extrabíblicas da época da patrística. Isso gera doutrina nova, altera alguma já existente ou contradiz a Bíblia em algum fato? Não. Então, pode ser aceito sem prejudicar a fé cristã e, por conseguinte, sem prejudicar a Sola Scriptura.

Isso não é válido só para informações que podem ser verdade ou não. É válido para informações que são comprovadamente verdadeiras, mesmo não estando na Bíblia. Não é preciso estar na Bíblia para ser verdade. É preciso apenas não contradizê-la e não formar nova doutrina.

Filosofia ou cosmovisão é qualquer conjunto sistemático de informações, especulações, teorias e/ou práticas. Ela pode contradizer a Bíblia ou não. Se contradiz, fere a Sola Scriptura. Se não contradiz, pode ser aceita, mesmo que a Bíblia não fale dela. Um cristão, por exemplo, pode escolher a defesa de uma economia mais liberal. A Bíblia não fala diretamente sobre isso. Mas não há nada nas Escrituras que nos faça pensar que defender essa visão econômica é condenável.

Ditas essas coisas, devemos nos perguntar: (1) as doutrinas adventistas estão baseadas só na Bíblia ou dependem de Ellen White? (2) o que Ellen White disse que não está na Bíblia forma doutrina nova, altera as já existentes ou contradiz algum fato bíblico, ou são apenas informações não doutrinárias?

Antes de responder, é bom lembrar que o mundo evangélico no geral não tem muita dificuldade de aceitar o testemunho de ex-bruxos, ex-satanistas, bem como pastores e leigos que alegam ter tido visões. Alguns desses testemunhos viram livros e relatam coisas como “conversas com demônios”, “visões do inferno”, “visões do céu”, etc. Ora, nenhum desses testemunhos se encontra na Bíblia. Mas mesmo assim, muitos cristãos acreditam. Isso fere a Sola Scriptura? Depende. Se o conteúdo das visões não forma doutrina, não altera as que já existem e não contradiz a Bíblia, não fere. E pode muito bem ser verdadeiro. Caberá ao crente julgar se o dono do testemunho é confiável como cristão e está dizendo a verdade. Não é diferente com Ellen White.

Então, respondendo às perguntas: (1) As doutrinas adventistas são absolutamente dependentes da Bíblia e podem ser sustentadas só pela Bíblia. Escritura inspirada pelo Espírito Santo, Trindade, sacrifício de Cristo, salvação pela graça, batismo, santa ceia, lava pés, validade do decálogo, guarda do sábado, santuário celeste, mortalidade da alma, continuidade dos dons, volta de Jesus – tudo isso é totalmente bíblico. Pode-se fazer um estudo todo sobre esses pontos sem se mencionar Ellen White. Se ela não tivesse nascido, as doutrinas seriam as mesmas, incluindo a de que Deus dá o dom de profecia à profetas extracanônicos também. Isso só não se aplicaria a ela, já que ela não existiria (nessa hipótese).

(2) Não há, que eu lembre, nenhuma doutrina nova que tenha sido formada por Ellen White, ou alguma que tenha sido alterada. A salvação continua sendo pela graça, mediante a fé em Jesus; Deus continua sendo onipotente, onisciente, onipresente, triúno, absolutamente bom, racional, pessoal e Criador de todas as coisas; a Bíblia continua sendo vista como inteiramente verdadeira; o decálogo continua sendo um guia moral para todos os cristãos; o casamento heterossexual monogâmico entre adultos continua sendo o ideal de Deus; e por aí vai. Não há novidade doutrinária. Assim, o leitor pode até ter dificuldade de crer em Ellen White, mas não pode dizer que crer nela é contra a Sola Scriptura. Não é.

Entretanto, tenho um puxão de orelha a fazer a muitos adventistas. O fato de que crer em Ellen White não fere a Sola Scriptura não deveria servir de base para fazer o que ela ordenou que não fosse feito: usá-la no trabalho público para sustentar algum ponto. Cito aqui um exemplo que presenciei, dentre muitos: um pastor pregava sobre a doutrina do santuário. Foi uma pregação muito boa, parte de uma série de cinco sermões que ele fez na igreja. Entretanto, em dado momento, ele perguntou à Igreja quem havia matado o primeiro cordeiro para servir de veste a Adão e Eva: Deus ou o homem? Como ninguém respondeu, ele respondeu que foi Adão e apresentou uma citação de Ellen White que afirmava essa informação (descoberta em visão).

Essa informação está na Bíblia? Não. A Bíblia diz apenas que Deus fez vestes de pele para Adão e Eva (Gn 3:21). Muitos teólogos ao longo do tempo têm deduzido que se Deus fez vestimentas de pele, então um sacrifício de animal foi feito. Como Abel, filho de Adão e Eva, já aparece fazendo sacrifícios no capítulo seguinte, em consonância à vontade de Deus, é bastante razoável concluir que o primeiro sacrifício foi feito para vestir o casal e que a partir dali o sacrifício se tornou hábito religioso. Isso tem até uma simbologia bíblica: o sacrifício de Cristo cobre nossa vergonha (pecados). Entretanto, embora isso seja razoável, não dá deduzir além, só com a Bíblia, que Adão foi quem fez esse sacrifício.

Isso quer dizer que seja mentira? Não. Muda alguma doutrina bíblica ou estabelece uma nova? Também não. É imprescindível para entender a doutrina do santuário? De forma alguma. Nega algum fato bíblico? Menos ainda. É algo razoável? Sim. Na verdade, faz bastante sentido que Deus tenha ordenado ao próprio Adão matar o cordeiro para que Ele fizesse as vestes. Afinal, seria isso o que todas as gerações de justos a seguir fariam até Jesus se sacrificar. Mas, ainda assim, se não está na Bíblia, seria mais apropriado o pastor não usar essa informação. Por quê? Porque um visitante não adventista poderia ouvir a informação, procurar na Bíblia, não achar e pensar: “Esse pastor afirma coisas que não estão na Bíblia, vindas de uma mulher que eu não sei se é profetisa de fato”. E esse pensamento pode desembocar outro: “Os adventistas não conseguem provar suas doutrinas só pela Bíblia e tem Ellen White no mesmo patamar das Escrituras”.

Agora, pergunto: era necessário citar esse ponto? Não dá para defender o santuário só pela Bíblia? O pastor foi fiel à instrução de Ellen White de argumentar, em público, pela Bíblia, em vez de pelos testemunhos dela? O pastor gerou uma boa aparência para não adventistas? Esse é o tipo de pergunta que sempre deveríamos fazer antes de citar Ellen White em sermões, estudos, debates, etc. Isso não equivale a desprezá-la, mas a ter bom senso.

Uma questão de amor

Deveríamos nos preocupar com o bom senso na hora de usar Ellen White? Talvez você, adventista há 30 anos, filho e neto de adventistas, pense: “Ora, se nós estamos em uma igreja adventista, onde a maioria esmagadora crê em Ellen White, por que deveríamos nos preocupar com visitantes que não creem?”. Por amor. O apóstolo Paulo vai dizer, por exemplo, que se alguma coisa que você faz escandaliza o seu irmão e ela pode ser evitada, você deve evitar (Rm 14:21; I Co 8:13). E como a própria Ellen White via a questão? Vejamos alguns textos:

“Revelou-se-me que alguns, especialmente em Iowa, fazem das visões uma regra pela qual medem tudo, e adotam uma postura que meu marido e eu nunca adotamos. Alguns não estão familiarizados comigo e meus trabalhos, e são céticos sobre qualquer coisa que tenha o nome de visão. Tudo isso é natural e pode ser superado apenas pela experiência. Se as pessoas não estiverem bem estabelecidas com relação às visões, não devem ser pressionadas. A atitude a ser tomada com relação a elas está delineada no oitavo volume dos Testemunhos, p. 328, 329; espero que todos leiam o que ali se acha registrado. Os pastores devem ter compaixão de “alguns que estão duvidosos; e salvai alguns, arrebatando-os do fogo”. Judas 22, 23. Os pastores devem ter sabedoria para dar a cada um o seu alimento e saber diferenciar entre as pessoas, conforme seu caso requeira.

Em Iowa, a conduta de alguns que não estão familiarizados comigo, não foi cuidadosa e consistente. Os que não estavam habituados às visões têm sido tratados do mesmo modo que os que tiveram muita luz e experiências com respeito a elas. De alguns foi requerido que apoiassem as visões, quando não poderiam fazê-lo de sã consciência; assim, muitas pessoas sinceras foram levadas a assumir posicionamento contrário às visões e à congregação, o que nunca teria acontecido se a questão houvesse sido tratada com discrição e misericórdia” (Testemunhos para a Igreja, Volume 1, p. 383).

Ellen White é bastante clara: não é para empurrá-la goela abaixo de quem está chegando agora. Isso é errado e desnecessário. Se a Bíblia é suficiente em matéria de fé e prática doutrinária, preguemos a Bíblia e falemos de Ellen White com bom senso, quando for oportuno, mostrando que ela também colocava a Bíblia no centro da vida cristã. Sobre a menção que ela mesma faz de outro ponto de sua obra onde ela fala sobre isso, lemos:

“Na última visão que me foi dada em Battle Creek, vi que uma atitude insensata estava tendo lugar em _____, com respeito às visões, quando por ocasião da organização da igreja ali. Havia alguns em _____ que eram filhos de Deus, mas duvidavam das visões. Outros havia que não lhes faziam nenhuma oposição, contudo não ousavam assumir atitude definida a seu respeito. Alguns eram céticos e tinham suficientes motivos para isso. As falsas visões e práticas fanáticas, bem como as conseqüências desastrosas que delas decorreram, exerceram sobre a causa em Wisconsin uma influência capaz de tornar as pessoas desconfiadas de tudo que se apresentasse com o nome de visões.

Todas essas coisas devem ser tomadas em consideração, procedendo-se com sabedoria. Não se deve atribular nem forçar os que nunca tenham visto um indivíduo receber visões, e não possuem um conhecimento pessoal da sua influência. Essas pessoas não devem ser separadas dos benefícios e privilégios de membros da igreja, se no demais a sua vida cristã se prova correta, e tenham um bom caráter cristão.

Alguns, conforme me foi mostrado, receberiam as visões publicadas, julgando a árvore pelos seus frutos. Outros são como o duvidoso Tomé; não podem crer nos Testemunhos publicados, nem convencer-se deles pelo testemunho de outros, precisando ver e tirar a prova por si mesmos. Estes não devem por isso ser postos de lado, cumprindo tratá-los com paciência e amor fraternal até que tomem posição e tenham opinião definida contra ou a favor deles. […].

O irmão G […] se propôs a não receber na igreja ninguém que não cresse na mensagem do terceiro anjo e nas visões. Essa medida afastou preciosas pessoas que não estavam contra as visões. Elas não ousavam unir-se à igreja, temendo comprometer-se com o que não compreendiam nem criam plenamente. E houve os que se aproximaram prontos a prejudicar essas pessoas conscienciosas, pondo diante delas os assuntos sob o pior aspecto possível” (Testemunhos para a Igreja, Volume 1, p. 328-329).

Em suma, quando apresentamos Ellen White para as pessoas “sob o pior aspecto possível” (o que pode ser feito em sermões, debates e estudos), acabamos afastando pessoas da nossa Igreja. White não desejava isso.

Um último texto que podemos citar traz Ellen White falando sobre a razão da existência dos seus escritos:

“Se o povo que professa agora ser o povo particular de Deus obedecesse às Suas exigências, tais como foram anunciadas em Sua Palavra, os testemunhos particulares não lhes seriam necessários para lhes despertar para seus deveres, lhes fazer tomar consciência de seu estado de pecado e do terrível perigo que representa sua negligência em obedecer a Palavra de Deus. As consciências têm estado aborrecidas porque a luz [a Bíblia] foi colocada de lado, negligenciada e desprezada“ (Testemunho para a Igreja vol. 5 pág. 667).

A finalidade de White nunca foi que as pessoas a aceitassem, mas que estudassem e cumprissem a Bíblia. Ela se colocava como um meio para isso. A aceitação dela deveria ser mera conseqüência, efeito. Os bons adventistas de sua época, a aceitaram justamente por ela colocar no centro da vida cristã o próprio Cristo e a Bíblia. Se queremos, portanto, que Ellen White seja aceita, devemos também colocar Cristo e a Bíblia no centro da nossa vida cristã. Quando é feito, cumpre-se a Sola Scriptura, que deve ser a nossa finalidade, e o efeito colateral disso é o reconhecimento de Ellen White como uma verdadeira e inspirada serva do Senhor.