Por Davi Caldas

Ecumenismo, dentro do linguajar cristão, é uma palavra utilizada para expressar uma postura pró-união dos cristãos de todas as confissões. Ora, existe o bom e o mau ecumenismo. O mau ecumenismo é aquele que sacrifica a verdade nesse processo de união, passando a desprezar a relevância crer nas doutrinas corretas e pregá-las. Esse ecumenismo está sempre transitando entre o sincretismo (a mistura de crenças) e o relativismo da verdade (onde o padrão bíblico é deixado de lado e cada um sente-se livre para crer como acha melhor). Já o bom ecumenismo é aquele que prega a união entre os cristãos e o aprendizado mútuo, mas sem abrir mão da relevância de crer nas doutrinas certas e pregá-las. Nesse ecumenismo, a Bíblia é o padrão de fé e prática doutrinária, não havendo espaço para o “eu acho”.

O bom ecumenismo não é apenas uma postura adequada. Ela é necessária. Como cristãos, todos nós devemos desenvolver diariamente a capacidade de amar os irmãos de outras denominações (ou que não estão em denominação nenhuma), tratá-los bem e aprender com aquilo que eles possuem de bom. E sim, há em todos os movimentos coisas boas com as quais podemos aprender. Citemos alguns exemplos.

Dos assembleianos e pentecostais em geral podemos aprender muito sobre acolhimento, recepção calorosa, oração sincera, facilidade de cultuar e crença verdadeira no poder de Deus. Dos presbiterianos e calvinistas em geral podemos aprender muito sobre pregação expositiva, centralidade da Palavra, cosmovisão cristã aplicada a todas as áreas de estudo, seriedade na vida espiritual e visão de Deus como soberano. Dos arminianos clássicos e wesleyanos podemos aprender muito sobre a bondade e a racionalidade de Deus, bem como a liberdade e a responsabilidade do homem. Dos católicos podemos aprender muito sobre desenvolver uma vida de boas obras, estudo da filosofia e respeito quando no momento do culto/missa. Dos membros de pequenas comunidades cristãs caseiras sem hierarquia podemos aprender muito sobre o fato de que Igreja não é templo, mas sim o conjunto de cristãos reunidos para cultuar a Deus (podendo, assim, ser numa casa, debaixo de uma árvore ou num monte). Dos adventistas do sétimo dia podemos aprender muito sobre a validade da Lei na vida do cristão, a importância prática do descanso sabático, a relevância de cuidar da saúde e a ênfase no estudo de Daniel e Apocalipse.

Reconhecer pontos positivos em cada denominação e aprender com eles não é sincretismo ou relativismo. É simplesmente uma forma de ser amoroso, humilde e sábio. Não precisamos, com isso, abrir mão de nossas crenças, nem deixar de pregar aquilo que a Bíblia ensina, nem deixar de criticar (educadamente) doutrinas errôneas. “Julgai todas as coisas, retende o que é bom” (I Ts. 5.21), diz o apóstolo Paulo. É sempre possível analisar e peneirar. E todos têm esse poder de análise e não há porque não usá-lo.

No mais, que a interpretação que leva em conta todos os contextos de cada passagem bíblica (temático, histórico, linguístico, estilístico, teológico, moral e lógico) prevaleça sobre as interpretações que não o fazem. Isso é o que todo o cristão amante da verdade deseja. Mas, enquanto isso não ocorrer e existirem divergências, que essas divergências não nos ceguem para aquilo que há de melhor em cada movimento. Fazer o contrário é um terrível desperdício.