Por Davi Caldas

Quando as pessoas se tornam escravas de ideologia, em vez de livres pelo evangelho, começam a complicar muito as coisas. Vejamos o caso de George Floyde, covardemente assassinado por um policial nos EUA. Ao que parece, o assassinato foi motivado por racismo. O policial foi truculento porque provavelmente tem raiva de negros e aproveitou a “oportunidade” para linchar um negro numa posição de suspeito de crime. Um ato terrível por parte do policial em questão.

O que uma pessoa decente, contrária ao racismo e cristã deveria fazer para, de alguma forma, lutar contra esse ato horroroso? As respostas são óbvias.

1) Se a pessoa vive na cidade em que Floyde foi assassinado, ela pode se unir a outras pessoas numa manifestação PACÍFICA em prol da prisão dos policiais que participaram do ato criminoso e de uma postura mais dura da polícia contra o racismo e a violência desmedida e desnecessária dentro dos quadros policiais. Essa manifestação poderia contar com repórteres, a fim de impedir a retaliação de possíveis policiais truculentos à manifestação. Ela poderia ser feita em locais estratégicos, como na frente da câmera de vereadores, da prefeitura e próxima ao departamento de polícia da cidade.

Uma vez que os policiais envolvidos sejam presos e que a polícia e as autoridades anunciem medidas para impedir outros casos como este, o objetivo da manifestação foi alcançado. Simples assim: algo objetivo, eficaz e sem violência.

2) Se a pessoa é cristã, ela pode incentivar que os pregadores e professores da escola bíblica de sua igreja enfatizem, durante algum tempo, como que a Bíblia e o evangelho condenam a violência desnecessária, a acepção de pessoas, o ódio mútuo, o conflito entre classes, a vingança com as próprias mãos, etc. Podem ser elaboradas mensagens que foquem na responsabilidade do policial cristão de cumprir o seu dever sendo justo e consciencioso. E, claro, os membros devem ser estimulados a amar o próximo para além de classe social, cor, etnia, gênero, opção sexual, religião, igreja e por aí vai (ainda que amar não signifique, por exemplo, concordar com as práticas do indivíduo, que podem ser imorais).

Além disso, o evangelho deve ser pregado mais extensa e intensamente, pois o evangelho, quando bem pregado e bem assimilado, liberta violentos da violência, assassinos do assassinato e até racistas do racismo.

3) Se a pessoa não mora na cidade em que Floyde foi assassinado, não há muito o que ela fazer. Ela pode, claro, manifestar seu lamento nas redes sociais (embora isso não ajude em nada no caso de Floyde). E pode iniciar uma conscientização sobre problemas parecidos que talvez aconteçam na sua cidade. Neste caso, incentivar que a sua igreja fale sobre as questões já citadas é louvável. Não são pautas políticas, mas apenas a repetição do que o evangelho diz há dois 2000 anos, e a Bíblia há 3500 anos: devemos amar, ser pacíficos e não usar de violência desnecessária (salvo para legítima defesa, se o contexto assim o permitir).

Tudo muito simples e lógico. Mas o que temos visto ser feito por muitas pessoas?

1) Protestos violentos, com depredação de propriedades privadas e agressão à pessoas que nada tiveram a ver com o caso de Floyde.

2) Protestos que desviam do caso Floyde para tratar de questões políticas e ideológicas, como capitalismo x socialismo, republicanos x democratas, supostos antifascistas x supostos fascistas, esquerda x direita, burgueses x proletários, etc.

3) Alegações generalistas de racismo por parte da “sociedade”.

4) Ênfase no conceito de raça/cor/etnia e inflamação do conflito entre brancos e negros.

5) Crítica generalista à Igreja.

6) Cobrança de cristãos a outros cristãos por não ter escrito algum textão repudiando o assassinato de Floyde (como se o padrão para definir o que é o verdadeiro evangelho fosse a escrita de textões nas redes sociais sobre todos os problemas do mundo, independente de terem ocorrido em outra cidade e país).

7) Cristãos acusando outros cristãos de estarem defendendo alguma pauta política ao comentarem o caso.

8) Muitos cristãos, de fato, defendendo alguma pauta política ao comentarem o caso.

9) Entendimento tácito (por parte de muitos) de que só o evangelho aplicado não adianta no caso Floyde.

10) Muito pouco de evangelho pregado e vivido por muitos dos cristãos que estão comentando o caso.

Note-se que nessa bagunça toda, fica claro que nem o policial que matou Floyde, nem os policiais truculentos que oprimem inocentes, nem os manifestantes violentos “contra” o fascismo e o racismo, estão vivendo o evangelho. Nenhum desses é cristão no sentido bíblico do termo. Diz a Bíblia:

“Aquele que diz: ‘Eu o conheço’ e não guarda os seus mandamentos é mentiroso, e nele não está a verdade. Aquele, entretanto, que guarda a sua palavra, nele, verdadeiramente, tem sido aperfeiçoado o amor de Deus. Nisto sabemos que estamos nele: aquele que diz que permanece nele, esse deve também andar assim como ele andou” (I João 2:4-6).

Diz também a Bíblia:

“Pois não me envergonho do evangelho, porque é o poder de Deus para a salvação de todo aquele que crê, primeiro do judeu e também do grego” (Rm 1:16).

Portanto, o problema é sim a falta de evangelho, tanto da sua pregação a todos, como a sua vivência na prática. Está faltando cristão. O racismo e a violência são efeitos do pecado. Então, a única maneira eficaz de amenizar isso é pregando poderosamente, ensinando corretamente e vivendo fielmente o evangelho. O evangelho é o poder!

Nós temos crido nisso? Temos crido que pregar o real evangelho, aquele que não vê raça nem cor, é capaz de resolver os mais terríveis problemas causados pelo pecado? Temos crido no poder regenerador do evangelho de Cristo, do Espírito Santo nos corações, da Palavra lida, estudada e interpretada sob as regras lógicas de interpretação? Temos realmente posto nossa fé em Cristo, a Palavra encarnada de Deus, e na Bíblia, a Palavra escrita de Deus? Temos tido coragem de usar o evangelho, o todo suficiente evangelho, para resolver todos os problemas de ordem moral e espiritual? Ou será que nossa fé não é tanta? Ou será que nos envergonhamos do evangelho? Ou será que queremos dar uma “ajudinha” a Deus com nossas ideias e métodos próprios?

Talvez muitos de nós estejamos tentando achar soluções fora de Deus. E aqui vai uma pergunta para auto análise e auto reflexão: há soluções fora de Deus, da Sua Palavra e do Seu amor? Mais que isso: há coisas que Deus não pode resolver, mas partidos, ideologias, políticos, violência e conflitos podem? Ao que me parece, o escravo da ideologia não consegue perceber que está colocando outras coisas no lugar do evangelho de Cristo. Por isso, ele já não consegue aplicar o real remédio ao problema. Ele está tão cego e carente de Cristo como os racistas e os que creem poder resolver tudo com a violência e as próprias opiniões. tá faltando cristão de verdade. E essa é a grande lição que o caso Floyde deixa para nós.

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Obs.: a foto em destaque no início do post mostra o irmão de Floyde, num megafone, pedindo que as manifestações violentas “em prol” de Floyde parem. Em um trecho ele diz que sua família é pacífica e temente a Deus. O vídeo pode ser assistido aqui.

Obs.2: o conhecido pastor John Piper tem um testemunho muito bonito de como ele foi liberto do racismo pelo evangelho, há décadas. Assista aqui. O evangelho é poderoso!