Texto escrito por um leitor do Reação Adventista

Se você é contrário ao aborto, certamente já ouviu alguns argumentos bastante comuns por parte das pessoas pró-aborto. Separei oito para comentar. Ei-las:

1) “Ser contra o aborto é opinião de homem e homens não deveriam dar opinião sobre isso!” – No caso do Brasil, várias pesquisas mostram que mulheres são mais contrárias ao aborto que os homens. Os moradores da periferia são mais contrários ao aborto que os demais, e os mais pobres são mais contrários ao aborto que os ricos. Os nordestinos são mais contrários que os do sudeste. E, o dado mais interessante (e mais ignorado): a população preta/parda é mais contrária ao aborto que a população branca. Ibope [https://bit.ly/3htYhR0], Datafolha [https://bit.ly/3n4S0w4] e Paraná Pesquisas: [https://bit.ly/34ZkLUT].

Resumindo: o discurso pró-aborto é mais coisa de homem branco, rico e cosmopolita que de mulher, preta, pobre e da periferia.

2) “A legalização/descriminalização faz o número de abortos diminuírem” – Na verdade, o índice cresceu em todos os países nos primeiros anos de aprovação [https://bit.ly/381nOha], e fases de estabilidade posteriores têm n explicações diferentes. Só é possível afirmar que o índice diminui quando comparado às estimativas de abortos clandestinos, que são absolutamente “chutes” estatísticos, sem confiabilidade alguma.

A estratégia é: chuta-se um alto número de abortos clandestinos para, depois, inundar a sociedade com esse tipo de alegação fantasiosa. As estatísticas que respaldam tal afirmação têm sido frequentemente denunciadas e expostas como inconsistentes, exageradas ou falsas. O Instituto Alan Guttmacher (maior defensor do aborto no mundo) é a referência para quase todas as estimativas aqui na América do Sul. Mas seus métodos têm sido duramente criticados por gerarem superestimativas e números inflacionados.

Por exemplo, as estimativas feitas usando o método do Instituto Alan Guttmacher aplicado na Colômbia (dados superestimados) foram questionadas academicamente aqui: [https://bit.ly/38RTSmS]. A metodologia do Alan Guttmacher aplicada no México foi questionada (dados superestimados): [https://bit.ly/3rEbb3D].O método do Alan Guttmacher é descrito como “uma pesquisa de opinião subjetiva com fatores de expansão, [que] relatou dados inflacionados”: [https://bit.ly/2X0HKKM]. Aqui, um artigo mostrando que a legislação contra o aborto não influenciou na mortalidade materna, e que o Chile diminuiu drasticamente a mortalidade materna sem modificar a lei: [https://bit.ly/3hB2Etp e https://bit.ly/3pQBhib].

Na Argentina, chutaram (sem pesquisa de campo) entre 300 mil e 600 mil abortos clandestinos por ano (entre 300 e 600, o dobro. Uma estimativa nada certeira, não?). O problema é que nascem 710 mil crianças por ano lá, e isso significa que cerca de 30% a 50% das gestações terminam em aborto! Um número totalmente irrazoável [https://bit.ly/3852qb4]. Além disso, a Argentina já estava reduzindo as mortes por aborto em 62% nos últimos 15 anos [https://bit.ly/38UjkrS].

Esse truque estatístico foi usado no Uruguai, onde chutaram 33 mil abortos por ano (para 45 mil nascimentos por ano), mas, depois da legalização, constatou-se apenas 6 mil abortos. Quase 30 mil abortos “desapareceram” magicamente da conta sem nenhuma explicação.

3) “Tudo bem ser for até 14/21/etc semanas” – esse limite é arbitrariamente estabelecido. Qual é o critério definitivo para considerar alguém uma vida humana, um ser humano? Esses critérios seriam aplicáveis às pessoas nascidas com alguma deficiência ou má-formação? E às pessoas em estado de inconsciência ou coma? E às pessoas que não sentem dor (analgesia congênita)?

Na verdade, o limite é sempre empurrado para mais longe. E hoje, já existem os abortos tardios, sem limite, (ver “late term abortion”) [https://bit.ly/3b3Gn6x] [https://bit.ly/3rKSefF]. Esses abortos tardios são feitos com injeção de cloreto de potássio no coração do bebê para induzir um ataque cardíaco fatal [https://bit.ly/2X25Jt0], um procedimento tão doloroso que a American Veterinary Medical Association não recomenda que se use nem na execução de animais [https://bit.ly/384iWb8]. Além disso, há vários casos de bebês que nascem vivos após o sofrido procedimento [https://bit.ly/3rIKF9b]. O nome disso é: tortura seguida de execução de um inocente. Como o limite de idade é arbitrário, existem até defensores do aborto pós-nascimento [https://jme.bmj.com/content/39/5/261].

4) “Só religiosos são contra o aborto” – Existem associações que reúnem ateístas, agnósticos, humanistas e outros secularistas na luta contra o aborto, como o Secular Pro-Life [www.secularprolife.org] e o Pro-Life Humanists [www.prolifehumanists.org]; e Grupos feministas pró-vida, como o Feminists For Life [www.feministsforlife.org] e o SBA List [https://www.sba-list.org/], que não usam argumentos religiosos. Por outro lado, você tem religiosos favoráveis ao aborto como Edir Macedo, as Católicas pelo Direito de Decidir, a United Church of Christ, da Unitarian Universalist Association, associações como a Spiritual Youth for Reproductive Freedom e outros “cristãos progressistas”.

5) “Pró-vida não se importam com crianças já nascidas, com órfãos. São apenas pró-nascimento!” – O perfil do grupo que mais adota crianças inclui a fé cristã como característica. Ou seja: cristãos estão entre os grupos que mais adotam [https://bit.ly/2WVNMMK]. Os católicos mantêm uma das maiores redes de orfanato e cuidados de crianças abandonadas do mundo (pesquise “foster care” e “child welfare services”). A UNICEF reconhece o importante papel das instituições religiosas no cuidado mundial de crianças órfãs e vulneráveis [https://uni.cf/3mWVXDa].

Nos EUA, evangélicos adotam mais que o dobro da média nacional [https://bit.ly/3huXBdY]. Entre os evangélicos, líderes como John Piper, Rick Warren e grupos como o Focus on the Family, World Orphans, Visão Mundial, Christian Alliance for Orphans, Every Child Ministries trouxeram à tona um dado impressionante: evangélicos adotam muito, e muito mais que outros grupos. Adoção se tornou até um ministério de igrejas locais (as igrejas têm um “departamento de adoção”), fala-se em um “movimento mundial” evangélico de adoção. Informe-se.

6) “Você é contra o aborto? É só não abortar, mas não tire o meu direito!” – Esse argumento é tão ruim que basta parafraseá-lo: “você é contra a escravidão? É só não ter escravos, mas não tire o meu direito de escravizar!” “Você é contra o envenenamento de judeus em câmaras de gás? É só não fazer isso, mas não tire o meu direito de fazer!”.

A comparação é válida, já que também definiam escravos e judeus como formas de vida inferiores, sub-humanas. Para muitas pessoas hoje, uma criança com Síndrome de Down não é um ser humano que merece viver [https://bit.ly/3pF7uZG e https://glo.bo/38L1xDy]. Outros, pensam o mesmo sobre crianças com lábio leporino [https://bit.ly/3ncef3z e https://glo.bo/384H51g] e pé torto [https://bit.ly/3aZqhdY]. A desumanização é exatamente a mesma em todos os casos.

7) “Aborto divide opiniões! (jornalistas gostam dessa)” – No Brasil, a “divisão” de opiniões é assim: quase 80% dos brasileiros é contra a descriminalização do aborto [https://bit.ly/3pBZiJn]. Ser a favor do aborto é coisa de rico [https://bit.ly/3hu6B3c] (quanto mais rico, mais favorável ao aborto [https://bit.ly/2X01pL6]), homem branco [https://bit.ly/3aTtZpv] e jovem universitário [https://bit.ly/2KTULDr], a população pobre não quer aborto [https://glo.bo/3pEpMtM].

Se há uma divisão de opiniões, é essa: quem quer aborto é homem, jovem rico universitário e intelectuais, e quem acha que está falando em nome das mulheres pobres nesse assunto está falando sem autorização.

8) “Mas, e as mulheres estupradas?” – a militância usa essas mulheres como escudo (ou seja: elas já foram usadas sexualmente, agora estão sendo usadas ideologicamente). Além desse caso já estar previsto na legislação brasileira, várias pesquisas mostram que aborto por causa de estupro e incesto são a exceção. Apresentar essas situações raras como motivos para liberar abortos por conveniência é apresentar um “cavalo de Troia” que esconde as verdadeiras motivações.

O Instituto Allan Guttmacher (o maior promotor do aborto legal no mundo) divulgou pesquisa mundial mostrando que a maioria dos abortos legais é por conveniência: adiar a maternidade, não querer mais filhos, problemas com o parceiro, etc. Casos de risco para a mãe são minoria, e gravidez por estupro apresenta resultados irrelevantes [https://bit.ly/35288IO].

Pesquisa de 2004 (EUA) em 11 grandes clínicas de aborto revela que nem problemas de saúde, estupro, incesto, nem coerção por membros da família ou parceiros foram as razões primárias ou até secundárias para se procurar um aborto. O aborto é quase sempre feito por conveniência: Não está pronta para um (outro) filho (25%), não tem dinheiro para ter um filho (23%), já tem outras pessoas dependendo de mim (19%), não quer ser mãe solteira/estou tendo problemas de relacionamento (9%), filho atrapalharia planos de educação ou carreira (4%), etc. Apenas 4% apresentaram “risco para minha saúde”, e menos de 0.5% foi vítima de estupro [https://bit.ly/3n7x5sm].

Pesquisa de 2013 (EUA) que aceitava respostas múltiplas: as principais razões foram: motivos financeiros (40%), não quero ter filho agora (36%), razões relacionadas ao parceiro (31%), já cuido de outra criança (29%). Poucas mulheres alegaram o risco para a própria saúde (6%). Estupro e incesto deram resultados irrelevantes [https://bit.ly/3rLMr9p].

Apelar para casos de gravidez por estupro ou incesto é falácia. É desviar a discussão para o campo emocional para conquistar simpatia. É usar a tragédia de mulheres para justificar a mera conveniência da maioria, é abusar novamente de mulheres já vitimadas.

Além de tudo isso, dados mostram que negros são as maiores vítimas de aborto nos EUA [https://glo.bo/3rQVJRR], e as mulheres são as maiores vítimas de aborto no mundo (pesquise “aborto seletivo por gênero” [https://glo.bo/3hBpVeL]).