Por Davi Caldas

Pelo menos uma vez por mês eu recebo de amigos um print de algo teologicamente questionável que a página Adventista Subversivo postou. Para quem não conhece, essa página é hoje um porta-voz relevante das alas mais progressistas do adventismo, falando pelo menos para mais de dez mil pessoas. Existente há mais de cinco anos, ela foi a razão que levou o Reação Adventista a ser criado. Já falamos dela na série A Bíblia e a Homossexualidade e nos textos Uma bússola moral subjetivista, Quando a chave hermenêutica da Bíblia é o próprio intérprete e Seria a Apologética inútil para o Evangelho?

Dentre as ideias defendidas por ela estão noções como a de que a prática homossexual não é pecado; de que o aborto deve ser legalizado; de que a ideologia de gênero deve ser subscrita pelos cristãos; de que nossa bússola moral não deve ser a Bíblia; de que quem apela muito à Bíblia é “bibliólatra”; de que o “eu, porém” de Jesus, em Mateus 5, indica abolição de certos aspectos da Lei, não uma crítica à tradição oral; de que a Apologética não tem utilidade; de que quem discorda de suas ideias com bastante veemência necessariamente é bolsonarista, homofóbico e homossexual reprimido; etc.

Nesta semana, mais um print da página chegou a mim. A ideia questionável da vez é a de que a prática da masturbação deve ser vista como algo bom. O texto foca nos benefícios físicos que a masturbação traria para os praticantes, segundo estudos científicos.

A notícia, na verdade, não me causou surpresa. Não tem muito tempo, o Subversivo já havia compartilhado um texto do pastor Hermes C. Fernandes (que também defende muitas pautas teologicamente progressistas) favorável à ideia de que masturbação não é um pecado. O que me leva a comentar o fato não é, portanto, algum tipo de espanto diante de uma novidade. Meu comentário vai no sentido de tentar extrair do fato alguma lição para os crentes de teologia conservadora e para os crentes sem uma teologia muito definida.

Avaliando os comentários dos indivíduos contrários e favoráveis ao texto do Subversivo no Instagram (incluindo o(s) próprio(s) administrador(es) do Subversivo), pude perceber que faltou Bíblia na discussão. E esta é a grande lição que podemos tirar do fato: o Sola Scriptura faz uma falta enorme. Vamos começar analisando a postura do Subversivo.

Em seu texto, bem como nos comentários às pessoas contrárias, não há preocupação de tratar a questão do ponto de vista bíblico. Ignorando completamente o princípio do Sola Scriptura, a página se limita a apelar para estudos científicos e para a experiência. Quanto aos estudos científicos, me parece que existem dois argumentos implícitos embasando o pensamento do Subversivo. O primeiro argumento pode ser sintetizado assim:

(1) A ciência é um padrão legítimo para definir se alguma prática é moral ou imoral;

(2) A ciência diz que masturbação não é uma prática imoral;

(3) Logo, masturbação não é uma prática imoral.

A premissa (1) está errada por três razões. A primeira é que, conforme o princípio bíblico e protestante do Sola Scriptura, a Bíblia Sagrada é a única regra de fé, prática e doutrina do cristão. Isso quer dizer que nenhuma crença fundamental ou prática pode ser imposta ou proibida se não fluir das Escrituras. Logo, para definir se masturbação é moral ou imoral, precisamos estudar a Bíblia – o que implica, diga-se de passagem, interpretá-la sob as regras lógicas de interpretação textual, a fim de que ela realmente fale por si mesma. Outras fontes não podem definir isso.

A segunda razão é que a ciência é construída a partir de hipóteses que precisam ser constantemente testadas e que podem ser abandonadas. Dentro deste paradigma, não faz sentido que ela sirva para fundamentar ética e moral. Isto abriria precedente para que nossas definições de certo e errado, justo e injusto, bom e mau fossem tão flutuantes e flexíveis quanto é qualquer debate científico.

A terceira razão é que não faz parte do escopo da ciência definir o que é moral e o que não é. A ciência apenas descreve fenômenos físicos. Ela não os avalia em termos éticos e morais. Aceitar que a ciência o faça não só é um erro metodológico, mas pode levar à consequências desagradáveis. Por exemplo, cientificamente falando é possível dizer que abandonar indivíduos fisicamente defeituosos de uma espécie é vantajoso. Isso colabora para que a seleção natural aja, mantendo apenas os mais aptos vivos. Ora, esse tipo de procedimento é feito por muitos animais. Eleger a ciência como padrão para definir moralidade pode nos levar a ver como moral o abandono de crianças aleijadas à própria sorte, a fim de que morram.

Este é um exemplo. Podemos pensar em diversos exemplos do tipo. Uma ética baseada na ciência pode facilmente se tornar uma ética utilitária. No fim das contas, ética e moral não fazem parte da ciência natural, mas da metafísica. Tentar fazer juízos morais com base na ciência natural é afundar no materialismo e no cientificismo. Portanto, ao assumir a primeira premissa, o Subversivo se coloca lado a lado com muitos ateus.

A segunda premissa também é problemática. Afinal, a ciência não diz que a prática da masturbação não é imoral. A ciência (ou melhor, os cientistas que estudam a questão) diz que masturbação não faz mal à saúde, mas bem. Não querendo entrar no mérito dos estudos em si, devemos frisar que há uma grande diferença entre algo fazer bem à saúde e ser moral. Por exemplo, suponha que uma mulher é atropelada e entra em coma por muitos anos. Nesse meio tempo, seu marido fica impedido de ter relações sexuais. É certo que o sexo faz bem à saúde do ser humano. Então, do ponto de vista da ciência, seria bom para a saúde este homem ir ao prostíbulo de vez em quando. Mas do ponto de vista moral isso seria correto? Para quem crê que prostituição e adultério são atos imorais, não.

Com as duas premissas furadas, a conclusão obviamente não se sustenta. A masturbação não pode ser considerada moral com base na ciência.

O segundo argumento que parece estar por trás dos raciocínios do Subversivo também pode ser resumido em forma de silogismo (duas premissas e uma conclusão):

(1) Tudo o que é natural é moral;

(2) A masturbação é natural;

(3) Logo, a masturbação é moral.

Tratei desse argumento no texto A Bíblia e a Homossexualidade – Parte 7: Ciência, genética, psicologia e conclusão. O erro principal está na premissa (1). Não é verdade que tudo o que é natural é moral. Basta olhar para as relações do mundo animal para perceber isso. Milhares de espécies de animais naturalmente brigam por território e por fêmeas, cometem estupro e incesto, matam seus próprios filhotes, matam membros da própria espécie em disputas por liderança, etc. O próprio homem naturalmente mente para se beneficiar ou se proteger, pratica atos egoístas, nutre soberba, dentre outros tantos pecados. A própria imperfeição humana é natural – faz parte da natureza pós-queda que herdamos de Adão. Portanto, entender como moral tudo o que é natural não faz o menor sentido lógico ou bíblico.

A segunda premissa também pode ser relativizada. É possível que a masturbação seja natural ao homem caído, mas não ao homem sem pecado. Logo, em certo sentido, a masturbação poderia ser antinatural no sentido original. É exatamente nisso que o crente conservador crê. Ele entende que tudo o que hoje faz parte exclusivamente de nossa natureza caída, não fazia parte de nossa natureza original. Portanto, o que é natural hoje não é o que era natural no Éden. Trocando em miúdos: não é suficiente o Subversivo provar que a masturbação é natural no sentido atual. Para seu argumento ser válido, é preciso provar que a masturbação é natural no sentido original. Se o homem pré-queda se masturbava, então o Subversivo está correto. Mas isso, obviamente, nos obriga a tirar a ciência da posição de “regra de fé e prática” e colocar a Bíblia neste lugar – coisa que o Subversivo não está disposto a fazer.

Quanto à experiência, o Subversivo apela à pressuposição de que todo mundo já se masturba ou já se masturbou. Logo, ninguém teria o direito de falar contra essa prática e os que assim o fazem são hipócritas. Vejam:

Fica bem claro o quanto esse argumento é falacioso quando tentamos sintetizá-lo em forma de silogismo:

(1) Se ninguém se masturba ou nunca se masturbou, a prática é errada;

(2) Todo mundo se masturba ou já se masturbou;

(3) Logo, a prática da masturbação não é errada.

É notável que a premissa (1) está baseada em nada. De onde se tira que para uma prática ser errada, ninguém pode cometê-la ou tê-la cometido? Do bolso? Da cartola? Para além disso, as consequências de se aceitar essa premissa são obviamente desastrosas. Basta trocar “masturbação” por qualquer outra coisa, como “mentira”. Veja:

(1) Se ninguém mente ou nunca mentiu, a prática é errada;

(2) Todo mundo mente ou já mentiu;

(3) Logo, a prática da mentira não é errada.

É com base nesse tipo de argumento que o Subversivo conclui hipocrisia de quem é contra a masturbação. Por essa mesma base, posso chamar o Subversivo de hipócrita caso ele diga que mentir é pecado e não deve ter lugar na vida do cristão. Afinal, quem não mente ou nunca mentiu na vida, né? Curiosamente, esse é o mesmo argumento de muito homem que trai a esposa (e vice-versa): “Todo mundo trai. Quem nunca traiu?”.

Até aqui, portanto, a hermenêutica subversiva se mostra cientificista, materialista e justificadora do pecado. São vícios comuns à descrentes. Será que o subversivo tem noção de que sua hermenêutica tem bases totalmente mundanas? Não obstante, uma pergunta mais profunda deve ser respondida nesse texto. E aqui entre minha análise daqueles que se colocaram contra o texto do Subversivo. Não vi nenhum deles trabalhando o principal: as bases bíblicas contra a masturbação. Se, por um lado, o Subversivo tenta provar, sem Bíblia, que masturbação não é algo imoral, por outro lado, todos os que eu vi comentando o texto não se mostraram dispostos a provar, com Bíblia, que o Subversivo está errado nessa questão. As reações se limitaram basicamente ao seguinte: (1) demonstrar forte insatisfação com o post do Subversivo, sem porém argumentar; (2) apelar para outras fontes que não a Bíblia, como os escritos de Ellen White.

O segundo ponto é mais preocupante que o primeiro. Muitos adventistas, em especial os de perfil tradicionalista, tendem a usar Ellen White para sustentar doutrinas e posições teológicas, quando ela passou toda a vida repreendendo fortemente esse tipo de uso dos seus escritos. White cria no Sola Scriptura e defendia que toda a doutrina ou interpretação da Bíblia deveria ser provada pela própria Bíblia e por ela só. A função de White nunca foi tornar-se prova de doutrina, regra de fé e prática. Isso é prerrogativa bíblica. Assim, seja no assunto da masturbação ou qualquer outro (tatuagem, estilos musicais, artes, alimentação, vacinas, adornos, conduta sexual, escatologia, soteriologia, exegese, etc.), a Bíblia deve ser o padrão do que é certo ou errado, possível ou impossível. Neste sentido, White apenas reflete e aplica princípios bíblicos.

A falta de argumentação bíblica neste e outros temas demonstra que tanto progressistas quanto tradicionalistas e crentes medianos não tem levado o Sola Scriptura a sério. À sua maneira, cada um desses age como se a Bíblia não fosse suficiente regra de fé e prática para o crente. O progressista elenca a ciência e a experiência como regra. O tradicionalista e o crente mediano vão atrás de complementos, já que não conseguem argumentar com o que a Bíblia diz.

Dito isto, vamos ao que interessa: à luz da Bíblia, a masturbação é moral ou imoral? Muita gente acredita que como a Bíblia não fala em nenhuma passagem sobre masturbação, isso significa que a prática não é pecaminosa. O raciocínio seria: tudo sobre o qual a Bíblia não fala, não pode ser considerado pecado. Entretanto, essa é uma maneira equivocada de compreender o Sola Scriptura. O princípio do Sola Scriptura não exige que todas as regras morais e espirituais estejam expressas de modo direto e explícito na Bíblia. Muitos entendimentos bíblicos são extraídos a partir não de afirmações diretas, mas de princípios espalhados por toda a narrativa bíblica. Por exemplo, a Bíblia não menciona o uso de crack e, portanto, não o condena de modo explícito e direto. Entretanto, princípios  encontrados em vários textos da Bíblia, como a necessidade de cuidar bem de tudo o que Deus nos dá (o que inclui o corpo e nosso dinheiro), de evitar vícios, de não assumir riscos sem necessidade e de não causar problemas aos outros são suficientes para concluir que tais práticas se configuram pecados.

Portanto, não é necessário que haja uma passagem dizendo “Não vos masturbareis” ou “Podeis masturbar-vos” para que cheguemos a alguma conclusão sobre o tema. Basta que existam princípios bíblicos que nos conduzam claramente a uma resposta.

Pois bem, nas questões relacionadas à sexualidade, é bastante razoável dizer que o princípio máximo é o padrão sexual criado por Deus no Éden. Esse padrão prevê que as relações sexuais fazem parte do casamento, que é a união consciente e indissociável entre um homem e uma mulher adultos, para serem companheiros em todas as áreas, nos níveis mais profundos das relações humanas, nutrindo forte amor e respeito mútuos.

Há pelo menos cinco boas razões bíblicas para afirmar o padrão do Éden como o princípio máximo que rege as questões sexuais. Primeira: no Éden, antes do pecado, tudo era bom (Gn 1:4-31 e 2:9), representando assim a vontade ideal de Deus para sua criação. Além disso, homem e mulher foram criados à imagem de Deus (Gn 1:26). Se esta imagem hoje está maculada pelo pecado, não era o caso no princípio da criação, antes da queda. Assim, o padrão sexual pré-pecado certamente era perfeito e totalmente condizente com a vontade de Deus para suas criaturas.

Segunda: as descrições que a Bíblia faz de relações conjugais e sexuais desviantes do padrão do Éden quase sempre estão associadas a grandes problemas e confusões (Gn 4:19, 6:1-2, 16:1-6, 19:1-11, 29:15-35, 30:1-24; I Sm 1:1-8; II Sm 11-12, 13:1-36). Essas descrições podem ser reflexo de uma tendência: o desvio do padrão estabelecido no Éden é gerado a partir de falhas no caráter e geram consequências desastrosas. As descrições em questão também podem ser um indício de que aprouve ao Espírito Santo mostrar, na Bíblia, como o desvio do padrão sexual do Éden tornou-se uma terrível maldição para o mundo, gerando pessoas profundamente depravadas, falhas graves em homens de Deus e muitos problemas familiares. As duas interpretações não são autoexcludentes. E elas reforçam a ideia de que o padrão do Éden deve ser nosso alvo.

Terceira: apesar do homem, ao longo da história, se desviar do padrão do Éden, Deus busca ao longo de toda a Bíblia limitar esses desvios e fazer o homem retornar ao padrão original (Êx 20:14 e 22:16-17; Lv 18:6-25 e 19:29; Dt 5:18 e 23:17-18; Pv 5:15-20, 6:20-35, 18:22, 31:10-26; Ml 2:13-16; Rm 1:26-29; I Co 6:9-20 e 7:2-3; Gl 5:19; Ef 5:22-31; Cl 3:19; I Tm 1:10 e 3:2-12; Tt 1:6; Hb 13:4; I Pe 3:7). Deus, na Bíblia, molda a cultura gradualmente, desenvolvendo uma consciência coletiva mais apurada ao longo dos séculos. Neste processo, o alvo é justamente um retorno ao padrão sexual do Éden.

Quarta: o próprio Jesus argumenta com base no padrão do Éden. Quando perguntado por alguns rabinos sobre se divorciar-se por qualquer motivo era correto, ele diz:

“Não tendes lido que o Criador, desde o princípio, os fez homem e mulher e que disse: Por esta causa deixará o homem pai e mãe e se unirá a sua mulher, tornando-se os dois uma só carne? De modo que já não são mais dois, porém uma só carne. Portanto, o que Deus ajuntou não o separe o homem” (Mt 19:4-6; ver também Mc 10:1-12).

Aqui Jesus faz referência direta ao texto de Gênesis 2:18-24. Assim, para Cristo, o divórcio era errado por ser um desvio do padrão do Éden. O interessante é que os rabinos retrucam, questionando a razão de Moisés ter afirmado, em Dt 24:1-4, que os maridos poderiam se divorciar dando carta de divórcio à esposa (Mt 19:7). A resposta de Jesus a essa suposta contradição foi:

“Por causa da dureza do vosso coração é que Moisés vos permitiu repudiar vossa mulher; entretanto, não foi assim desde o princípio” (Mt 19:8).

Em suma, Jesus reafirma que o padrão de julgamento nesta questão é o do Éden. O divórcio era uma permissão que ocorrera por causa da dureza do coração dos homens. Se o divórcio não fosse permitido de modo legal, muitas mulheres teriam de ficar ao lado de maridos que não mais as amavam e que possivelmente agiam de modo violento e desleal, a julgar pelo tipo de sociedade antiga. Outras talvez fossem despejadas de casa e, neste caso, não teriam nenhum documento legal que lhes desse legitimidade para casar de novo e ter uma vida digna. O divórcio legal, portanto, era uma concessão que visava amenizar problemas criados pelo próprio pecado. Entretanto, o divórcio em si nunca foi moral. E nunca o foi porque se desvia do padrão do Éden.

Cristo continua dizendo alguns versos depois que nem todos estão aptos a receberem esse conceito. A opção que Jesus oferece é não casar e, por conseguinte, não manter relações sexuais (Mt 19:9-12). Para Cristo, o nível de consciência e maturidade na Nova Aliança exigia uma postura mais radical. O padrão do Éden não podia ser negociado.

Quinta: mesmo que sem perceber, os cristãos tradicionalmente tem utilizado, em maior ou menor grau, o padrão do Éden para julgar a moralidade de diversas condutas sexuais distintas. Tomemos como exemplos a pedofilia (sexo com crianças) e a necrofilia (sexo com mortos). Não há passagem bíblica que mencione e, portanto, que condene essas práticas de modo direto e explícito. No entanto, qualquer cristão verdadeiro dirá sem hesitar que tais condutas sexuais são pecaminosas. Por quê? Porque elas não se coadunam com o padrão do Éden.

É com essa mesma base que podemos afirmar que relações homossexuais, poliafetivas, bígamas, polígamas ou sem um compromisso pleno, profundo e irrevogável entre o casal (leia-se casamento) são consideradas pecado na cosmovisão bíblica. Elas ferem o padrão do Éden. Se isso está claro, agora podemos avaliar a questão da masturbação em si.

A masturbação é um ato sexual. O prazer buscado nesta prática é o prazer das relações sexuais. Entre casais, a masturbação por um indivíduo no outro pode fazer parte das carícias sexuais. Uma pessoa que se masturbe em púbico perto (sobretudo quando se trata de um homem perto de uma mulher) será acusada de assédio sexual e talvez até tentativa de estupro. Não se pode dizer que masturbação é algo desconectado do sexo como uma massagem no joelho ou um “cafuné” (carinho) na cabeça.

Ora, uma vez que, segundo o padrão do Éden, o prazer sexual é exclusivo do casamento e foi criado por Deus para ser o laço físico de amor mais profundo entre os casais, a masturbação se desvia do padrão. Ela é uma tentativa de pular etapas e de criar um simulacro de realidade, onde apenas um indivíduo se basta para obter o prazer que foi reservado por Deus aos casais. Além disso, é sempre muito fácil associar masturbação a pensamentos impuros. Afinal, estamos falando de um ato sexual. Este ato se tornará mais excitante na medida em que a mente produzir imagens que tornem o ato mais real. As imagens podem ser de pessoas compromissadas ou não, existentes ou imaginárias. Em todo o caso, temos um solteiro simulando sexo (o que é uma espécie de fornicação) ou um casado tentando encontrar prazer sexual sozinho e não em sua esposa (o que é uma espécie de adultério).

A tentativa Subversiva de transformar masturbação em algo moral não se sustenta à luz do padrão do Éden. Na verdade, é justamente por minimizar o padrão do Éden que o Subversivo defende também que a prática homossexual não é pecado. E não me admirarei se descobrir que que um administra a página também não vê pecado no poliamor e no sexo antes do casamento. Quando chutamos o padrão do Éden, nada nos impede de avançar para todo o tipo de conduta sexual. E como argumento, basta sempre apelar para nossos instintos naturais e desejos intensos. Para o Subversivo, reprimir instintos e desejos naturais é quase sempre um erro. A hermenêutica de subversiva além de materialista é também freudiana. Talvez o bordão diabólico se aplique à teologia do sexo que o Subversivo constrói: “Nada é errado se te faz feliz”.

Contra esse tipo de absurdo, o único remédio é o Sola Scriptura. Afinal, é justamente a falta do Sola Scriptura que cria teologias tão disformes – desde o progressismo sedento por perversões sexuais até o tradicionalismo que pensa fazer um bom trabalho com muita tradição, pouca Bíblia e zero interpretação profunda. Sobre isso, as palavras de White permanecem ecoando desde 1887 até hoje: “Queremos evidências bíblicas para cada ponto que avançamos” (Carta 13, 1887. A Smith e Butler). O Sola Scriptura está fazendo falta. Precisamos torná-lo relevante de novo ou nossa querida IASD será tomada por um bando de analfabetos bíblicos à esquerda e à direita do espectro teológico.