A página “Reação Adventista” foi criada com um objetivo simples e direto: ser uma voz de reação contra filosofias anticristãs tais como o marxismo, o liberalismo teológico, o feminismo, o abortismo, o relativismo e o secularismo em geral. Essas pautas tem sido geralmente disseminadas pela esquerda política, mas não se tratam meramente de discussão política – elas penetram o campo da moral e atingem princípios bíblicos, afastando pessoas de Cristo e deturpando o evangelho.

Entretanto, o intuito da página não é colocar o cristianismo (e o adventismo) em pé de igualdade com a direita. Até porque o que houver na direita que contrarie a Bíblia, nós não hesitaremos em rechaçar. Embora o posicionamento dos articulistas desta página seja, de fato, à direita (e não escondemos isso), temos a convicção de que direita e esquerda são dois posicionamentos políticos. É perigoso comparar posicionamentos políticos ao cristianismo, porque o cristianismo não é um posicionamento político ou econômico. São coisas de naturezas diferentes.

O cristianismo é uma religião. E o cristianismo genuíno é mais do que uma religião. É um relacionamento profundo e verdadeiro com Jesus Cristo, o que leva à observância e ao respeito pela Sua Palavra, a Bíblia. Quando fazemos uma comparação entre direita, esquerda e cristianismo, transformamos o cristianismo em política (ou direita e esquerda em religiões) e acabamos por colocar o evangelho ao nível de filosofias terrenas. Mas o evangelho é muito superior a essas filosofias. Assim, o objetivo da página não é (e não será) defender a direita política.

Contudo, também entendemos que há posturas e crenças políticas, culturais e até econômicas que contrariam princípios cristãos (e adventistas). E a esquerda é repleta desses elementos espúrios, corrosivos ao genuíno evangelho. Só para citar alguns exemplos:

Ela deposita confiança num Estado grande para mudar o mundo (como se fosse possível fazer um Céu na Terra), defende leis que criam sensação de impunidade entre os criminosos, tira do indivíduo a responsabilidade de ser caridoso (dando essa responsabilidade ao Estado), defende o aborto (que nada mais é que assassinato de inocentes), defende a liberalização das drogas (como se isso não fosse ter nefastas consequências em relação ao convívio social com drogados), defende altos impostos (o que a própria Bíblia diz que leva um povo à ruína) e usa uma retórica de ódio entre classes e subclasses (empregados x patrões, héteros x homos, negros x brancos, mulheres x homens) para alcançar seus objetivos.

A mesma esquerda ainda defende o multiculturalismo (ideia que diz que todas as culturas são iguais e devem ser respeitadas, o que não é verdade. Devemos respeitar a cultura do Estado Islâmico de decapitar homossexuais, por exemplo?), ataca a família tradicional, defende o feminismo (que não serve mais para representar a mulher, mas apenas para seguir uma agenda de esquerda), apoia a violência do MST e as invasões de terras, defende regimes ditatoriais comunistas (que mataram 100 milhões de pessoas no século XX, e continuam matando hoje na China, na Coreia do Norte e em Cuba), defende a corrupção em prol dos partidos de esquerda (vide os petistas) e, quando não abraça o ateísmo, abraça formas deturpadas de cristianismo.

Ser cristão e defender esses ideais não é algo saudável. O problema, enfatizamos, não está em eles serem ideais ligados à esquerda política, mas sim serem anticristãos. Se alguém é de esquerda, mas rechaça os vícios supracitados, mantendo-se conservador quanto aos valores cristãos e focando apenas em ideias como justiça social, um Estado mais participativo e direitos trabalhistas, não há aqui nenhum problema do ponto de vista espiritual. O que somos contrários é à aceitação de um pacote de ideias de esquerda que se opõem diametralmente à Palavra de Deus. Apenas isso. Não havendo ataque aos princípios cristãos e adventistas, não há razão para combatermos as opiniões políticas, econômicas e culturais que cada cristão escolhe para si.

Os componentes dessa página, por exemplo, são de vertente conservadora. Pessoalmente, cada um de nós defende o respeito à família tradicional e aos valores judaico-cristãos, não acredita que o Estado pode mudar o mundo, não apoia regimes totalitários, é anticomunista, favorável a leis rígidas contra criminosos, uma carga tributária mais leve, igualdade perante à lei, uma economia mais liberal, etc. Tais valores ou se coadunam com os princípios bíblicos ou que simplesmente não os ferem. Assim, não há problema em que cada um de nós, em nossas vidas pessoais, defendamos esses valores e crenças.

A Bíblia não nos oferece uma fórmula política ou econômica específica para seguir. Mas nos ordena que tudo o que formos fazer, pensar, falar e defender não contradiga os mandamentos e as instruções de Deus. E aceitar os vícios esquerdistas  mencionados no texto (ou vícios direitistas) é pisar em vários princípios bíblicos. Em resumo: um cristão pode ter as posições políticas, econômicas e culturais que desejar (e não nos importamos com isso), desde que elas não firam a Palavra de Deus.

Para não parecer demagogia quando dissemos que o intuito da página não é defender a direita citamos alguns exemplos aqui. Nós somos contrários à regimes autoritários e ditaduras geralmente relacionadas à direita, como a Chilena, de Pinochet, o regime militar brasileiro de 1964 a 1985. Não temos ditadores ou ditaduras de estimação. Seja fascismo, nazismo, comunismo, teocracias islâmicas ou regimes autoritários de viés anticomunista, nós somos contra. Somos pelo Estado de direito.

Um segundo exemplo é que discordamos do libertarianismo e do anarcocapitalismo, duas correntes radicais do liberalismo econômico. Entendemos que essas correntes, ao colocarem o livre mercado como fim em si mesmo, acabam abrindo mão de valores morais, humanitários e cristãos em muitos casos. Nossa orientação é a Bíblia e não filosofias do mundo.

Ponto importante a enfatizar é que nós nos colocamos, nessa página, radicalmente contra o liberalismo teológico que tenta se infiltrar em nossa Igreja. Nosso conservadorismo se estende aos hábitos e costumes. Rechaçamos que o cristão se vista indecentemente e que viva chamando atenção para si. Acreditamos em algo muito importante chamado “Modéstia Bíblica”, a qual sempre fez parte dos princípios adventistas, mas tem se perdido nas novas gerações.

Também rechaçamos que a liturgia dos cultos a Deus seja infectada de mundanismo, transformando a Igreja em um clube. Somos jovens, não temos nada contra diversão, mas entendemos que o momento do culto é sagrado e deve servir para nos elevar a Deus em reflexão, contemplação e adoração, em um clima que não leve ao êxtase e à divagação.

Finalmente, a página também se propõe a divulgar o cristianismo e o adventismo de forma inteligente, polida e racional, da maneira como acreditamos que merece o nosso Deus. Não acreditamos na tese espúria e tola de que fé e razão não andam juntas, ou que fé é crer sem evidências. Cremos no que cremos porque há razões plausíveis e suficientes para crer. Há uma lógica no mundo criado por Deus. E podemos escavar as verdades de Deus através dessa lógica. Neo-ateus “toddynhos” não terão vez aqui falando suas baboseiras travestidas de intelectualismo.

Terminamos com duas citações de Ellen G. White que sintetizam o pensamento da página em relação à Palavra de Deus, à razão e à necessidade de correção dos que se desviam da verdade bíblica:

“Recomendo-vos, caro leitor, a Palavra de Deus como regra de vossa fé e prática. Por essa Palavra seremos julgados. Nela, Deus prometeu dar visões nos ‘últimos dias’, não para uma nova regra de fé, mas para conforto do Seu povo e para corrigir os que se desviam da verdade bíblica. Assim tratou Deus com Pedro, quando estava para enviá-lo a pregar aos gentios.” (WHITE, Ellen G. “Primeiros Escritos”, p. 78)

“Deus nunca pede que creiamos sem que nos dê suficientes evidências sobre as quais possamos alicerçar nossa fé. Sua existência, seu caráter e a veracidade de sua Palavra se baseiam em testemunhos que falam à nossa razão; e esses testemunhos são numerosos. Apesar disso, Deus nunca removeu a possibilidade de dúvida. Nossa fé deve se basear em evidências, não em demonstrações. Os que desejam duvidar terão a oportunidade de fazê-lo, enquanto os que realmente desejam conhecer a verdade poderão encontrar muitas evidências onde apoiar sua fé” (WHITE, Ellen G. “Caminho a Cristo”. Tautí: CPB, 2014, p. 105).

……………………………………..
Obs.: Se, ao ler nossa introdução, você concordou e se identificou conosco, fique à vontade para fazer parte desse projeto. Aceitamos sugestões e colaborações, que deverão ser enviadas para o e-mail: reacaoadventista@gmail.com